Sábado, 25 de Maio de 2013

Sexta-feira, 26 de Abril de 2013

O estado social não é gordura; é músculo


Depois de várias sessões temáticas preparatórias, aproxima-se a realização da conferência "Vencer a Crise com o Estado Social e com a Democracia".
Será dia 11 de Maio no Forum Lisboa, junto da Av. de Roma.

No site do Congresso Democrático das Alternativas, que a organiza, vão surgindo documentos preparatórios para debate e está já aberto o espaço para envio de contributos escritos.

Para os interessados, convém irem-se inscrevendo aqui, pois o número de lugares é limitado.

Terça-feira, 12 de Março de 2013

O que é investigar?


Está a caminho das livrarias este livro que escrevi com Michel Cahen e Carmeliza Rosário, dando o pontapé de saída para uma colecção entusiasticamente dirigida pelo sociólogo e bloguista moçambicano Carlos Serra.

Pela minha parte, falo sobre «Terreno, teorias e complexidade: como não descobrir só o que se espera descobrir».

Concebida a pensar em Moçambique, a colecção tem vindo a congregar tantos temas e nomes interessantes  das ciências sociais nos países de língua oficial portuguesa que, parece-me, se justifica uma disponibilização mais global. Acho que vou meter uma cunha para isso...

Segunda-feira, 11 de Março de 2013

Estado social e determinismos economicistas? É a política, tosc@!


À medida que as funções sociais do estado são objecto de planos de desinvestimento que as comprometem e transferem para o campo dos negócios privados, é repetido um lugar-comum que, de aparentemente tão sensato, chega a ser reproduzido «à esquerda». Saúde e escola públicas e universais, segurança social digna, são luxos do passado porque o Estado social é um particularismo histórico resultante de uma conjuntura excepcional de crescimento económico constante, insustentável fora dessas condições. Urge desnudar essa falácia.

Assim começa o meu artigo «É a política, tosc@!», no número deste mês do Le Monde Diplomatique. Num dossier onde está muito bem acompanhado por outros de Carlos Farinha Rodrigues, de Hugo Santos Mendes e de Manuela Silva.

Conforme é habitual, só o disponibilizarei online no fim do mês. Até lá, se estão interessad@s, comprem o jornalito...


O mundo ao contrário


Primeiro, foi a Standard & Poor's a dizer que o planeado corte de 4.000 milhões de euros nas despesas do estado constituiria uma ruptura do contrato social que, acrescida às quebras dos salários e ao aumento do desemprego e impostos, representa um elevado risco social de violência pública.

Agora, vem a Moody's dizer que é porreiro alargar os prazos de reembolso dos empréstimos, mas que é também necessário um corte nos juros e uma prorrogação do seu pagamento, para além de um efectivo apoio do BCE nos mercados secundários.

Até para a bandidagem especulativa se tornou claro que, para receber dinheirinho, é conveniente não matar o cliente.
Só pelas áreas governativas se vai insistindo que fazer o país recuar 100 anos é o melhor caminho para o futuro, a trilhar com urgência, antes que se acabem as desculpas das imposições externas.

Entretanto, aguarda-se a qualquer momento uma declaração solene da presidente do FMI, afirmando que, afinal, é eticamente inaceitável que, lá porque se empresta dinheiro, se imponha aos países como eles têm que viver e que políticas públicas têm que aplicar (para além de se ganharem umas centenas de milhares de euros para controlar se eles o estão a fazer). E também que, como uma obscenidade dessas só pode ser aceite por bananas em estado de extrema necessidade e achando que não têm outra alternativa, as imposições politico-económicas do memorando ficam sem efeito.

São de esperar violentas recções discordantes por parte de Gaspar, Borges, Passos Coelho e Constâncio. Consta que Barroso já foi avisado para dizer que sim.

Terça-feira, 26 de Fevereiro de 2013

Austeridade e lucros assassinos


Baixou muito a temperatura.
Na minha rua, deflagrou um incêndio. Os habitantes do andar superior do prédio foram salvos in extremis pelos bombeiros, semi-asfixiados.

Claro que isto nada tem a ver com minudências como o aumento galopante do desemprego, os cortes nas pensões, ou as facturas do oligipólio de fornecimento de electricidade - com umas diferenciazinhas entre empresas concertadas nos preços inflaccionados, e por sua vez inflaccionadas pela inclusão de rendas compensatórias a esses pobres moçinhos que, ano após ano, vão arrecadando lucros obscenamente altos.

Mesmo nada a ver.

Sábado, 23 de Fevereiro de 2013

26 anos sem o Zeca, muitos mais com a Grândola






E hoje, no Largo do Carmo e no Chiado.

Domingo, 10 de Fevereiro de 2013

curandeiros em Grande Entrevista


Na próxima Grande Entrevista África, irei falar dos tiNyanga moçambicanos (vulgo "curandeiros" ou, em versão burocrático-respeitável, "médicos tradicionais"), suas práticas, concepções, papeis sociais e relações com a biomedicina.

Passa 2ª feira na RTP África depois do telejornal (às 21 horas de Lisboa) e depois na RTP Informação, 3ª feira às 13h 30m.

Para quem quiser aprofundar o assunto para lá da conversa, ela partiu deste artigo, deste e deste, embora também tenha tocado neste assunto.

Sábado, 19 de Janeiro de 2013

Uma Guernica policial?


Não me canso de o lembrar:

Quando os Stukas nazis bombardearam a população civil em Guernica, dois anos antes da II Guerra Mundial ter começado, uma acção de guerra como essa era tão inaudita que chocou quem dela teve conhecimento e suscitou o poderoso quadro de Picasso.
Poucos depois, bombardear Londres era trivial, arrasar cidades alemãs também, e a II GM terminou com o lançamento das bombas atómicas sobre Hiroshima e Nagasaki.

O que é pior, nas formas repugnantes de violência que largamente ultrapassam o limite daquilo que acabou por ser socialmente consensualizado como inaceitável, nem é o próprio acto violento.
É o facto de, bem mais facilmente do que custou construir o consenso de que tal acto era "impensável" e repugnante, ele depressa se poder tornar "normal" e trivial.


Não há grande coisa a discutir, numa sociedade que partilhe os valores elementares e os princípios legais da nossa, acerca da barbaridade de, perante um protesto de alunos do ensino básico e secundário que fecharam a cadeado o portão da escola, um polícia começar a lançar gás pimenta sobre crianças de 12 a 15 anos.
Podemos perguntar-nos como é que tal energúmeno chegou a polícia, ou o que será de esperar que lhe aconteça quando for identificado pelos pais respectivos. Mas justificá-lo no campo dos procedimentos policiais ou da salvaguarda da "ordem pública" já só estará ao nível de sociopatas ou seus aprendizes.

Não obstante, o comando nacional da PSP justifica essa utilização de gás pimenta contra crianças como forma de evitar uma intervenção "mais musculada".
Uma acção "mais musculada", recorde-se, contra crianças que protestam à porta da escola e para retirar um cadeado que, depois disto, se tornou obviamente irrelevante.
Uma intervenção "mais musculada" que só poderá corresponder, afinal, a isto:


Se há quem produza tais afirmações em nome do comando nacional da PSP, isso quer dizer várias coisas, todas elas preocupantes e inaceitáveis:

- que a sociopatologia começa a grassar entre algumas das pessoas que têm por emprego comandar as forças policiais;

- que quem acha imaginável, hoje, acções de musculada bastonada sobre crianças de 12 anos irá muito provavelmente achar justificado, amanhã, disparar balas reais sobre grevistas mais velhos;

- que só a veemente indignação pública e a subsequente demissão de quem praticou esses actos bárbaros e de quem os justificou podem evitar uma escalada e uma trivialização daquilo que é para todos nós, ainda, impensável.

Quarta-feira, 2 de Janeiro de 2013

Avião tradicional de feiticeiros despenhou-se em quintal


Numa vila do interior moçambicano que vive um boom mineiro, um senhor que perdeu em 2012 o pai, um filho por nascer e a carta de condução viu despenhar-se no seu quintal, na noite de ano novo, um avião tradicional que serve para transportar feiticeiros nas suas malfeitorias nocturnas.

Primeiro, pensou-se que a inesperada trouxa pudesse conter um nado-morto abandonado.
Mas, chamadas as várias polícias (incluindo a equivalente à Judiciária) e ganha coragem por parte de um ancião da vizinhança, que se atreveu a desamarrar a capulana que servia de embrulho, descobriu-se a macabra peneira mágica.

As polícias declaram que, não estando lá cadáveres nem pedaços de corpos, existe um vazio legal que impede a sua actuação.
O Secretário de Bairro lembra que há por ali muitos curandeiros estrangeiros sem fregueses, e que se deverá investigar por esses lados.

Esta peça jornalística notável é um extraordinário documento etnográfico.
Está lá tudo.

Se precisarem de descodificadores, para descortinar cabalmente o tal "tudo" e a rara coerência e racionalidade por detrás dos acontecimentos descritos, eles estão disponíveis aquiaqui aqui.

Votos de um melhor 2013!


(foto retirada do blog de Carlos Serra, que primeiro divulgou esta notícia)

Domingo, 30 de Dezembro de 2012

Nenhum ano é tão mau que não possa acabar pior...



Paulo Rocha - 1935/2012

Terça-feira, 25 de Dezembro de 2012

Há três semanas que acordo com esta canção na cabeça



E, na verdade, só muito parcialmente percebo porquê

Sexta-feira, 21 de Dezembro de 2012

Votos natalícios


Votos de boa Constituição


Votos de boa demissão


Votos de boa emigração


Votos de boa investigação e prisão


Votos de boa substituição


Votos de melhor inspiração e união

Quinta-feira, 13 de Dezembro de 2012

Um antropólogo no Inferno


A coisa começa a perder a graça aos 20m 15 s...

Quarta-feira, 12 de Dezembro de 2012

descida aos infernos


Diz que hoje vou descer ao Inferno, no Canal Q.

Corre também o boato que, caso sobreviva, a coisa passa às 22h 30m...

Sexta-feira, 7 de Dezembro de 2012

Não sou um argentino a viver em Toronto, mas...



... como o compreendo, sempre que volto do verão moçambicano para o inverno lisboeta, por curta que tenha sido a estada por lá!

Feira do Livro no ICS


Neste Natal parco de dinheiro, a Feira do Livro do ICS (até dia 19) sempre permite encontrar, com grandes descontos, algumas prendas de qualidade e adaptadas aos interesses "daquela" pessoa - já que se trata do mais diversificado e completo catálogo de ciências sociais no nosso país.

Oportunidade, também, para comprar a preço de saldo um dos livros mais recentes e que, a julgar pelo par de ensaios que já pude ler, merece por si só a deslocação:
Os Outros da Colonização - ensaios sobre o colonialismo tardio em Moçambique, organizado pelos meus 'velhos' amigos Omar Ribeiro Thomaz e Teresa Cruz e Silva, em conjunto com Cláudia Castelo e Sebastião Nascimento.


Boas leituras!
(Já que, quanto ao próprio Natal, ele ameaça ser um bocado para o chocho...)

Coelhos e nós górdios


Há pouco, na Assembleia da República, Pedro Passos Coelho chamou "nó górdio" à dívida pública.

Se tivesse estado mais atento durante as aulas de história, saberia que já Alexandre o Grande tinha encontrado a mais eficaz solução para lidar com o tal nó: cortá-lo.

E que, na história militar, "Nó Górdio" corresponde ao mais dispendioso e contraproducente fracasso português.

Ou será que, finalmente, está a aprender qualquer coisa?

Sexta-feira, 23 de Novembro de 2012

O meu amigo Jaime


Recebi há pouco a brutal notícia de que o meu amigo Jaime Zucula morreu num acidente de automóvel.

Noivo no meu livro sobre o "Lobolo em Maputo", conheci-o como extrovertido operário da Mozal e depressa nos tornámos amigos daqueles bem próximos, de boas e más horas.

Neto do último régulo do Xipamanine, mandado como operário de ferrovias para a ex-RDA, foi desenrascando a vida como podia ao longo de muito tempo, até conseguir um trabalho estável e razoavelmente bem pago nos últimos anos.

Uma vida cheia, cuja narrativa há muito adiada não poderei, agora, deixar de apressar.
Mas também absurdamente curta, e obscenamente terminada quando, por fim, conseguia ir a pouco e pouco construindo com orgulho a sua casa na Machava-Socimol, dar melhores condições de vida à família.

Este tem sido um ano terrível, cheio de morte e perda.
Hoje, de novo, sinto vontade de não ser ateu, para poder ter um deus com quem reclamar.