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quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Reflexões ociosas - 3

Quem lança mão de todos os meios para tentar secar o mundo à sua volta e ficar apenas rodeado de discípulos submissos costuma ter, como se diz no Alentejo, "uma morte de grilo":
Com a cabeça enfiada num buraco e os (tais) miúdos a mijarem-lhe em cima.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Uma bejeca de prémio

Acabo de, finalmente, conseguir inserir on-line o relatório final de um projecto de pesquisa.

Acho que mereço sentar-me na varanda a beber uma cervejinha - e depois ir para a cama, que amanhã há mais.

Espero que o mundo não tenha pegado fogo entretanto, pois não tenho tido tempo para olhar.

Quem disse que essa coisa do trabalho alienado é só para os operários?

sábado, 27 de setembro de 2008

Faleceu 2º classificado em Le Mans 1979


Faleceu hoje, vítima de cancro, um dos pilotos que ficaram em 2º lugar nas 24 Horas de Le Mans 1979.
Se calhar, vocês até o reconhecem de outros lados, se vos mostrar esta fotografia.

Pela minha parte, preferia as vezes em que lhe podia ver a cara e ouvir a voz.
E isso, felizmente, podemos continuar a fazer.

Por exemplo, aqui.

Ou aqui.

Ou...

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Depressão pós-África

Embora Maputo seja a cidade onde vivi que tem amplitudes térmicas mais violentas (por vezes de mistura com sucessões um bocado aleatórias de chuva, céu encoberto e sol de rachar), e embora o tempo em Lisboa até esteja bonzinho, consegui apanhar uma constipação/virose de caixão à cova, pouco depois de pôr o pé nesta pátria madrasta. E a coisa dura, dura, dura, como os coelhinhos do anúncio.

Para ajudar ao inestético e ao desconforto de um nariz pingão e de uns olhos e testa que parecem querer ir passear para outro sítio qualquer, a montanha de apontamentos e cassetes de terreno, aqui ao lado mesmo a chamarem por mim, dão uma vontade de tratar das sempre necessárias burocracias académicas e pessoais que vocês nem imaginam!

Agarrado a esses assuntos, que me levam 5 vezes mais tempo por causa dos olhos que se cansam e das desconcentradoras assoadelas, já nem queria nada de muito especial.
Dava-me por satisfeito em fazer uma paradinha, descer a pé a Kenneth Kaunda, olhar a baía e voltar a enfiar-me no computador.

A minha senhora também teve uma virose dessas, mas é de melhor cêpa. Livrou-se depressa da coisa. Agora, limita-se a andar irritável e com um ar claustrofóbico, numa casa 3 vezes maior que a de Maputo.

A filhosca, que tem otites em todo o lado menos em Moçambique, voltou ao normal. E, apesar da alegria de ver a prima e de gostar desta escola, já me perguntou, assim como quem fala de um direito adquirido e da forma evidente de se viver, em que mês é que, para o ano, voltamos para África.

A cadela passa os dias enroscada, lançando-me olhares acusadores acerca de uma temperatura que até está amena, e faz cenas intermináveis para evitar ir ao passeio higiénico no meio de carros barulhentos - embora, lá chegada, seja tomada de urgências e logo faça aparecer um rio na primeira valeta.

Pesquisei na net "Depressão pós-África", mas parece que os inúteis dos psicólogos só se dedicam a coisas pouco importantes.
Esqueceram-se de inventar esta.

domingo, 21 de setembro de 2008

Volun-turis-puta-que-pariu

Volta e meia, recebo um e-mail de uma menina desconhecida (a mim, calham-me meninas, mas já vi em Moçambique que isso não é obrigatório) que vai ter A experiência da sua vida.
Vai para um daqueles pontos de Moçambique especializados em intervenções de ONGs, fazer uns 2 meses de voluntariado e conhecer a desgraça, tutelada por uma instituição religiosa qualquer ou por uma daquelas organizações não lucrativas, excepto para quem está lá empregado em postos superiores.

Quando me contactam, é porque querem aproveitar a coisa para fazerem uma tese, normalmente de mestrado, acerca de um tema grandiloquente que por vezes não é relevante lá no sítio e para o qual não terão tempo de terreno (e terão excesso de enquadramento institucional) para o conseguirem abordar para além dos estereotipos estabelecidos.

Como até percebo que as moçoilas são bem intencionadas e até sei que 95% dos tais de católicos progressistas do marcelismo se descobriram como tal enquanto faziam inquéritos às condições nos bairros de barracas, sou sempre muito afável (as boas intenções tocam-me sempre, até ao momento em que começam a matar gente) e prestável.
Dou tantas dicas quanto possível e, se me falam de temas de mestrado, sugiro normalmente que usem como objecto de estudo a organização em que se vão integrar e as lógicas e dinâmicas do seu trabalho. Assim a modos que uma cena auto-reflexiva, estão a topar?
Mas, até hoje, sem sucesso.

Entretanto, também hoje, pela primeira vez comprei o semanário Sol, desde aquele nº1 que toda a gente comprou. A razão foi nobre: davam um DVD infantil que ficava por 2,5 Euros e trazia anexado um jornal à borla.
Vinha no pacote, também, uma revista de nome Gingko, assim tipo new-age-com-ar-de-ser-para-ricos que parece ter como público alvo os desgraçados como nós que queiram ser aspirantes a snobs e "possidónios" (julgo que ainda é esta a palavra utilizada pelos bimbos que já nasceram ricos).

A minha senhora folheou-a, engasgou-se, ficou azul à riscas e eu, depois de lhe dar uma palmadinha nas costas e um copo de água, fui ver o que é que estava na tão mortífera página.

Era então um artigo sobre "volunturismo", a forma de férias que se quer afirmar como in, já que (diz de caras no site simpaticamente fornecido, mas um pouco mais embrulhado na versão impressa), «ressorts de luxo e férias de papo para o ar estão fora de moda».

Mas o que é que havia aí para a gente se engasgar?
Pronto, está bem, esta da solidariedade se tornar uma «moda» de pessoal que se quer "bem" (e que a recusa em termos de impostos, saúde, educação ou dessa abusação do rendimento mínimo) é um bocado obscena.
Mas, que raio, até está bem no centro da tradição caritativa cristã. E eu, que andei 3 ou 4 anos a fazer de otário, dando cadeiras à borla na Universidade Eduardo Mondlane e grangeando com isso desrespeitos e inimizades, não tinha muito de que me rir.

Comecei então a ler o corpo do artigo, que começava com a história volunturística de uma menina cujo nome ocultarei para sua defesa futura, embora ela própria não o tenha feito.
E a primeira frase era: «Lembra-se de, em pequena, com cinco ou seis anos, brincar aos pobres.»

O seguimento até tinha piada, porque a cachopa andou a prestar uns serviços à conta de umas tais de Irmãs Escravas, nome que suscitava algumas expectativas de escandaleira sado-masoquista. Seguia-se a desilusão, pois é apenas uma cena de freiras cacimbadas.

Mas, voltando à vaca fria: A gente até se habitua a ver porcos a andar de bicicleta. Mas aquela primeira frase...
Brincar aos pobres? Vocês conhecem alguém que tenha «brincado aos pobres»?

Eh, pá! Façam lá as férias da moda.
Mas, de preferência, não se entusiasmem muito, para não deixarem as coisas pior do que as encontraram.

Voltem a brincar aos pobres, como aquela célebre Madre que não pôde abrir um hospital para sem-abrigos em Nova Iorque, porque se recusou a manter o obrigatório elevador do prédio, pouco consentâneo com a ética de sacrifício que se impunha a si, às suas seguidoras e aos doentes que lhes caíssem nas mãos.
Mas sejam um pouco mais discretas.
Curtam a parte de turismo e não gozem com as pessoas.

domingo, 14 de setembro de 2008

O puto que se segue

Ontem, ao obter uma molhada pole-position no G.P. de Itália, Sébastien Vettel tinha-se tornado o piloto com a melhor época 2008, tendo em conta o carro que conduz.
Hoje, ficou a certeza de que a pole não tinha sido um golpe publicitário com pouco peso de gasolina. De novo à chuva, venceu com autoridade e particular perícia.

Mais do que o mais jovem vencedor na Fórmula 1, tornou-se em mais uma evidente estrela do futuro próximo. Com Hamilton e Kubica, sem esquecer Raikkonen e Alonso, pode ser que voltemos a algo semelhante aos tempos Senna/Prost/Mansell/Piquet.

Dos aspirantes ao título, entretanto, um voltou a mostrar o seu brilhantismo.
O outro (pese embora a solidariedade da língua), a sua mediania.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Onde é que fica o elevador da gávea?

No momento em que me começou a apetecer escrever um post a comentar o jogo-treino em que os máióres lá da minha rua levaram 3 a 2 de uns chavalos que discordavam que um só golo matasse alguém, puz-me a clicar aí ao lado, para ver se a coisa me passava.

Descobri isto, de muito e bom uso para os colegas sociólogos e para a arte de ser português.

Para além do mais, foi afixado uma semana antes do meu aniversário, o que é quase uma prenda de anos. As coisas que a gente inventa...

Mas vão lá só em alturas de crise. Não vale a pena passarem todos os dias, que eles são mais bejecas do que posts.

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Ferrari é outra loiça

Por falar em duplicidade de critérios: aqui fica um curto videozinho com apenas 2 anos.

Claro que o protagonista era Schumacher e que as marcas dos carros estavam invertidas. O que faz toda a diferença.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Ferrari tem à força que ganhar

As voltas finais do G.P. da Bélgica foram, hoje, um espectáculo magnífico.
Dois pilotos brilhantes e correctos, Hamilton e Raikkonen, dando tudo por tudo pela vitória, com pneus para seco e numa pista alagada, sempre no fio da navalha.
Junto com situações salvas in extremis, houve passos em falso impossíveis de evitar. Um, Hamilton a "cortar" uma chicane para não ficarem ambos ali. Outro, Raikkonen a despistar-se sozinho, face a um aquaplaning incontrolável.

Retomado o fôlego, muito lamentei essa desistência e muito me congratulei com a merecida vitória de Hamilton e com o facto de existirem pilotos dispostos a lutarem pela vitória como aqueles dois fizeram.

Afinal, não.
Hamilton foi penalizado com 25 segundos (o suficiente para ganhar Filipe Massa, o outro piloto da Ferrari, que por ali andou gerindo a vidinha sem atrevimento ou um golpe de asa), por voltar a lutar pela 1ª posição logo depois de, como lhe competia, deixar Raikkonen passar para a frente no seguimento da ultrapassagem por fora da chicane.

Aquilo que eu vi foram 3 minutos de rara beleza, disputados em condições extremas mas no respeito das regras e com correcção - maior, certamente, do que o célebre duelo entre Villeneuve pai e Arnoux, umas décadas atrás. O que vi foi aquilo que a fórmula 1 deveria por vezes ser. Mas isso sou eu, um mero entusiasta que só acompanha esta coisa há pouco mais de 30 anos.

O que viu quem manda na tasca foi, parece, a Ferrari a perder.
Uma coisa que, por essas bandas, é inaceitável desde há alguns anos e tem levado a jeitinhos e jeitões cada vez mais obscenos.
Com este, para além da verdade desportiva, talvez se mate a emotividade deste desporto.

A McLaren, marca por quem corre Hamilton, vai recorrer da penalização.
Com o que lhes tem feito a FIA, não lhes auguro grande sorte...

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Ele há gente séria


Hoje vivi uma aventura improvável.

As bancazinhas do Mercado do Peixe serão muito very typical, mas a verdade é que na peixaria do Sr. Juvêncio, lá para o meio, os preços são iguais ou mais baixos, as balanças não têm a capacidade de aceleração da Lurdes Mutola e o produto que se leva é o que se vê, e não umas miudezas escondidas por baixo dos bichos bem aspectados que nos enchem o olho.

Tornei-me cliente a conselho de um outro homem sério: o Sr. Matine, taxista de um Mercedes que já teve muito mais saúde naquelas rodas, mas pessoa em quem confio totalmente e que tem sempre uma frase inteligente e sensata em qualquer conversa - coisas que fazem esquecer alguns desconfortos da viatura e a pontual necessidade de a tchovar.

Mas, então, lá passei eu hoje pela peixaria e, pressa para aqui, distração para ali, vim-me embora sem o bendito cartão de crédito.
Só dei pela falta 5 horas depois e, claro, instalou-se o pânico. Para além da possibilidade de ficar bem mais pobre em muito pouco tempo, o cartanito é o cordão umbilical que me une à única conta bancária que tenho, na longínqua terra dos herois do mar.

Lá pensei e me lembrei que, de facto, não o tinha trazido.
A caminho do Mercado do Peixe, a anterior seriedade do homem dava-me esperança de que tudo corresse bem. Mas isso não impedia que todas as possibilidades desagradáveis me passassem pela cabeça.
Chegado à porta,

- Oh, Sr. Paulo! Andámos à sua procura, mas como o cartão é português não têm o seu telefone, aqui no número de emergência.

«Muito obrigado», etc. e tal, e tudo normal.
E, de facto, é normal.
Mas é, também, muito pouco provável.
Depois de 9 meses a ser abusado financeiramente por moçambicanos, portugueses e sul-africanos, saí do Mercado com um pouco mais de fé na humanidade.

Obrigado sr. Juvêncio, obrigado Sr. Matine, por me deixarem poder confiar.

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Gatos a não perder

Procurando o Paolo Conti, para o acrescentar à coluna da direita, fui dar casualmente com um filme de animação que procurava desde que o vi há anos, no Teatro Taborda. É o «My Babe Just Cares For Me», da Nina Simone, interpretado por uma gatona de plasticina, com um gato apaixonado à perna.
Por favor, vejam. Faz-vos bem à alma, seja lá isso o que for.

E já que estamos nas memórias inesquecíveis da tal sessão, aproveitem e vejam um outro must de animação: o episódio-pivot do Creature Conforts, com o também inesquecível puma - que na verdade deveria ser um jaguar (onça), já que a voz é de uma entrevista com um imigrante brasileiro em Londres.

Pedro, Sandra e Paulo: estão perdoados por devolverem os videos antes de eu os ter podido piratear.

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

A Inhaca continua linda

Só que:

- O lodge de palhotas onde a filhosca começou a existir foi deitado abaixo.

- O dono do meu restaurante favorito foi comido por um crocodilo que também achou boa ideia mergulharem juntos.

- O burro que metia medo a toda a gente mas decidiu ser meu amigo morreu envenenado.

- A maré e os ventos decidiram estar contra nós.

- Os curandeiros tinham mais que fazer do que me aturar.

Como dizem que dizia o outro, «É a vida...»

sábado, 2 de agosto de 2008

Análise Social na TVM


Fiquei a saber que o artigo «Antes o 'diabo' conhecido do que um 'anjo' desconhecido»: as limitações do voto económico na reeleição do Partido Frelimo, que João Pereira publicou no número da Análise Social acerca de Moçambique, foi há uns dias objecto de debate televisivo.

Parece que se esqueceram foi de convidar o autor...
Assim à primeira vista, parece-me que não é apenas uma questão de boa educação.
Sei lá: às tantas, pode ser que o homem tivesse alguma coisa a acrescentar ou a esclarecer, acerca das hipóteses que avança, no trabalho que é seu. Podia ser, até, que os tele-espectadores tivessem alguma coisa a ganhar com isso.

Mas isso sou eu a falar. Eu, que não sou nem moçambicano nem programador de televisão.

Parabéns e bom trabalho

Estava eu dando uma rápida voltinha pela net, quando deparei com esta notícia de há uns dias atrás, anunciando a nova presidente do Teatro D. Maria II.

Ora foi Maria João Brilhante que me arrastou para dar a cadeira de Antropologia e Artes Performativas, na licenciatura de Artes do Espectáculo da FL-UL, que ela construiu desde o zero e dinamizou com uma mestria que faz juz ao apelido (sobrenome, para os brasileiros).
É verdade que aquilo que recebo por isso quase só paga o taxi, mas lá que é estimulante e dá muito gozo, lá isso dá. E o facto de continuar a dar a cadeira tem também muito a ver com o óptimo ambiente que foi criado entre a equipa docente.

Ou seja: não faço ideia daquilo que é preciso para se ser uma boa presidente do D. Maria; mas se bastar capacidade, empenho, profundo conhecimento do teatro e facilidade de relacionamento com os outros, ela tem que chegue e sobre.

Por isso, Maria João, um grande abraço de parabéns e desejos de bom trabalho!

quarta-feira, 23 de julho de 2008

A música não é lá dessas coisas, mas dá para curtir

Sem acesso ao Blogger, fui dar uma voltinha e descobri este videoclip, no estaminé do Miguel Portas.

De seu nome Gorby save hot girls from Stalin zombies, é de partir o coco, mesmo para quem não tenha visto, com 18 anitos, jovens dirigentes do Komsomol Leninista, para aí com a minha actual idade, a "darem em cima" de miúdas de 16, que ficavam cheias de frissom com a situação.
(Afinal, nada que eu não tenha visto aqui, entre homens mais velhos que isso e míudas ainda mais novas. Mas, em Maputo, a "cultura" tem as costas mais largas...)

Para além disso, dá para descobrir insuspeitadas semelhanças entre o Gorbachov e o Schwarzenegger (é assim que se escreve?).
Vão ver. Vale a pena.

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Muitos mais, Madiba

Sabia que o 90º aniversário de Nelson Mandela estava aí a rebentar, mas afinal é hoje.

Igual a si próprio, aproveitou a ocasião para chamar a atenção para a pobreza e a desigualdade social que marcam a África do Sul, a grande potência económica deste continente.

Quando, para as elites políticas, é motivo suficiente de satisfação que uns milhares de "negros" tenham ascendido a lugares de destaque e comando (esquecendo, ao olhar de cima, os muitíssimos milhões para quem a miséria não mudou), é importante que as vozes mais respeitadas lembrem que isso não basta.

A de "Madiba" é a mais respeitada (e a mais amada), por muitas e boas razões.
É, a menos que me apontem mais alguém, a única figura política consensual e mundialmente respeitada - pelo que fez como resistente, como governante e ao sair do poder.

Infelizmente, não há ninguém que possamos ter connosco para sempre. Quanto mais não seja, para ouvirmos dizer coisas como as que ele hoje disse.
Mas podemos sempre desejar "Muitos mais anos, Madiba!"

terça-feira, 8 de julho de 2008

Falocracia abstémia

Numa aberta de acesso à internet que espero venha a durar mais do que a anterior, fiquei a saber que a igreja anglicana aprovou a consagração de mulheres como bispos (as sacerdotes há muito deixaram de ser novidade) e que essa decisão é considerada pelo Vaticano um entrave ao diálogo.

A imposição do celibato aos sacerdotes católicos, já se sabe, é uma invenção tardia de alguém que levou mais a sério do que devia a sexofobia do S. Paulo.
Que seja horroroso imaginar uma mulher sacerdote e, mais ainda, bispo, tem como argumento, segundo o artigo, que Cristo só escolheu homens como apóstolos.

Já ouvi desculpas menos esfarrapadas, mesmo num papa com a lata de incluir as desigualdades sociais na lista de pecados, depois de ter alcançado o poder, em grande medida, com a repressão sistemática da Teologia da Libertação.

Só não percebo é porque razão, sendo a questão "fracturante" a ordenação de mulheres e sendo estas já ordenadas há muito, se torna um "entrave ao diálogo" que elas possam ser bispos...

Bem sei que no princípio do séc. XX as mulheres não votavam, e que só há pouco acederam a posições de comando em (alguns) exércitos.
Mas... Vamos lá: deixem-se de tretas e assumam-se como uma oligarquia de falocratas supostamente abstémios. É patético, mas um pouco mais respeitável.

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Parabéns a nós (atrasados)

Acordei dia 2 sem internet e só há pouco voltou.
Vai por isso dois dias atrasado o "parabéns a nós" para o Daniel, o Flávio e o César.

*****

Entretanto, fiquei a saber pelo Notícias de ontem que os habitantes do bairro Luís Cabral, aqui por Maputo, me deram uma prenda de anos.
Um ladrão que já estava amarrado e com um pneu à volta do pescoço acabou por ser entregue à polícia, porque nenhuma das pessoas que o prenderam teve coragem para, pessoalmente, lhe deitar fogo. Entretanto, um grupo de idosos conseguiu apelar à calma.
Obrigado a todos.

domingo, 22 de junho de 2008

O campeonato dos chatos

Dividi-me, quanto à imagem, entre um piolho pubiano e este logotipo, cinzento como o Euro 2008 se tornou.

Só a Espanha, uma equipa banal, conseguiu evitar que apenas passassem às meias-finais as equipas mais desinteressantes e que, nos grupos de apuramento, se viram e desejaram para não serem eliminadas. Mas não conseguiu marcar um golo.

Cheira-me que, também na final, o campeão só será conhecido por penalties... E que não será a Rússia, já que é a equipa que melhor está a jogar, dentre as que sobram.