... Mas por cá, no distrito com mais gente no Rendimento Mínimo, há empregados que são chefes de outros empregados e estão disposto a atropelar piquetes de greve e sacar de pistolas à borla.
Blog de Paulo Granjo
... Mas por cá, no distrito com mais gente no Rendimento Mínimo, há empregados que são chefes de outros empregados e estão disposto a atropelar piquetes de greve e sacar de pistolas à borla.
Ouvi outro dia num telejornal que, neste crísico ano, a venda de Lamborghinis e Jaguares duplicou em Portugal.
O que me lembrou uma anedota dos tempos do cavaquismo primo-ministerial. Embora, segundo parece, nestes tempos de cavaquismo socrático tenha havido um up-grade para uma marca ainda mais cara.
« Um automobilista pára na berma da estrada, onde um homem ensanguentado se lamenta, ao lado do seu carro destruído.
- O meu Ferrari!... O meu Ferrari!...
- Oh, homem! Deixe lá a merda do carro! Já viu que está todo ferido? Até tem a mão esquerda decepada!
- A mão esquerda? Oh! O meu Rolex!... O meu Rolex!... »
E de tudo isto me lembrei, ao ver esta foto de Frédéric Paletou.
Como dizia o outro, faites la liaison.
Teixeira dos Santos diz que, se a proposta governamental de Orçamento Geral do Estado para 2011 for chumbada, os canais de financiamento estrangeiro (leia-se, a compra de títulos de dívida pública pela banca comercial) serão imediatamente encerrados, sendo «inevitável» recorrer ao Fundo Europeu de Estabilização Financeira.
Tirando a evidente falácia da primeira parte do raciocínio (pois os abutres teriam uma óptima desculpa para exigir juros mais altos em futuras emissões, mas era o que faltava deixarem escapar essa oportunidade de negócio mais chorudo), até seria óptimo que tal acontecesse.
Afinal, que mal teria, numa crise que exige investimento e estímulo à economia, recorrer a uma fonte de financiamento com juros a cerca de 1/4 do valor exigido nos mercados financeiros, em vez de mergulhar as pessoas em terríveis dificuldades e a economia em profunda recessão, para tentar satisfazer esses mesmos mercados e os governos dos países cujos bancos mais dívida soberana compraram antes?
É verdade que 1/3 do dinheiro do Fundo de Estabilização vem do FMI, que teria a possibilidade de fazer exigências. Mas poderiam tais exigências aproximar-se, sequer, daquilo que o Governo está já disposto a fazer neste orçamento? Não parece plausível.
A única razão "racional" para os governos dos países em dificuldade orçamental (devido aos ataques especulativos dos mesmos mercados financeiros que foram salvos, por governos, da crise que eles próprios provocaram) não recorrerem ao Fundo de Estabilização é evitarem reconhecer que fizeram asneira da grossa e que não conseguem sair dela, sozinhos, sem mergulharem os seus países no descalabro socio-económico - alternativa que preferem, a pôr em causa a sua imagem.
Outra razão é, claro, a incapacidade de pensarem a política e a economia para lá dos entrolhos da ditadura do impessoal "mercado", mesmo quando andaram com ele ao colo e são por ele atacados de morte.
Diria então que, se o chumbo da proposta de OGE pode obrigar ao recurso ao Fundo Europeu de Estabilização Financeira, mais uma razão para a chumbar!
PS: voltarei a esta questão, de forma mais circunstanciada e argumentada, logo que possa. É que não é fácil nem curto desconstruir lugares-comuns e, sobretudo, é desaconselhável fazê-lo com o grau de irritação que agora sinto.
PS2: o tema foi objecto de um esclarecimento que talvez vos interesse, aqui.
Hoje ao almoço, pousado na mesa ao lado, estava um número do Diário Económico.
Lancei-lhe um olhar e pensei que era de há uns dois anos atrás.
Mas confirmei que não, era mesmo de hoje.
Um dos títulos dizia «Bolsas ignoram alertas de gurus da economia sobre perigos da especulação».
Parece que o final deste vídeo era francamente premonitório...