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quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Declaração de IRS no ano que vem


Sempre a simplificar a vida aos cidadãos!

domingo, 24 de outubro de 2010

Lamborghinis, Rolexes e Revoltas

Ouvi outro dia num telejornal que, neste crísico ano, a venda de Lamborghinis e Jaguares duplicou em Portugal.

O que me lembrou uma anedota dos tempos do cavaquismo primo-ministerial. Embora, segundo parece, nestes tempos de cavaquismo socrático tenha havido um up-grade para uma marca ainda mais cara.

« Um automobilista pára na berma da estrada, onde um homem ensanguentado se lamenta, ao lado do seu carro destruído.
- O meu Ferrari!... O meu Ferrari!...
- Oh, homem! Deixe lá a merda do carro! Já viu que está todo ferido? Até tem a mão esquerda decepada!
- A mão esquerda? Oh! O meu Rolex!... O meu Rolex!... »

E de tudo isto me lembrei, ao ver esta foto de Frédéric Paletou.


Como dizia o outro, faites la liaison.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Um livro novo sobre a crise financeira e orçamental

Ou de como uma completa cronologia dos acontecimentos, comentada discreta mas magistralmente, nos permite compreender muitíssima coisa.

Apresentação e lançamento 4ª feira, às 18 horas, no ICS (Av. Prof. Aníbal Bettencourt 9, a Entre-Campos).

sábado, 16 de outubro de 2010

Mais uma razão para o chumbar!

Teixeira dos Santos diz que, se a proposta governamental de Orçamento Geral do Estado para 2011 for chumbada, os canais de financiamento estrangeiro (leia-se, a compra de títulos de dívida pública pela banca comercial) serão imediatamente encerrados, sendo «inevitável» recorrer ao Fundo Europeu de Estabilização Financeira.

Tirando a evidente falácia da primeira parte do raciocínio (pois os abutres teriam uma óptima desculpa para exigir juros mais altos em futuras emissões, mas era o que faltava deixarem escapar essa oportunidade de negócio mais chorudo), até seria óptimo que tal acontecesse.

Afinal, que mal teria, numa crise que exige investimento e estímulo à economia, recorrer a uma fonte de financiamento com juros a cerca de 1/4 do valor exigido nos mercados financeiros, em vez de mergulhar as pessoas em terríveis dificuldades e a economia em profunda recessão, para tentar satisfazer esses mesmos mercados e os governos dos países cujos bancos mais dívida soberana compraram antes?

É verdade que 1/3 do dinheiro do Fundo de Estabilização vem do FMI, que teria a possibilidade de fazer exigências. Mas poderiam tais exigências aproximar-se, sequer, daquilo que o Governo está já disposto a fazer neste orçamento? Não parece plausível.

A única razão "racional" para os governos dos países em dificuldade orçamental (devido aos ataques especulativos dos mesmos mercados financeiros que foram salvos, por governos, da crise que eles próprios provocaram) não recorrerem ao Fundo de Estabilização é evitarem reconhecer que fizeram asneira da grossa e que não conseguem sair dela, sozinhos, sem mergulharem os seus países no descalabro socio-económico - alternativa que preferem, a pôr em causa a sua imagem.

Outra razão é, claro, a incapacidade de pensarem a política e a economia para lá dos entrolhos da ditadura do impessoal "mercado", mesmo quando andaram com ele ao colo e são por ele atacados de morte.

Diria então que, se o chumbo da proposta de OGE pode obrigar ao recurso ao Fundo Europeu de Estabilização Financeira, mais uma razão para a chumbar!


PS: voltarei a esta questão, de forma mais circunstanciada e argumentada, logo que possa. É que não é fácil nem curto desconstruir lugares-comuns e, sobretudo, é desaconselhável fazê-lo com o grau de irritação que agora sinto.

PS2: o tema foi objecto de um esclarecimento que talvez vos interesse, aqui.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Algo me diz que vai ser um sucesso arrasador

Um destes dias, numa reunião de trabalho académico e perante a possibilidade de, distraidamente, se marcar uma outra para dia 24 de Novembro, lá abri a minha big mouth para dizer que nesse dia não podia, pois estava em greve.

Com alguma surpresa, vi vários colegas dizerem o mesmo, incluindo um em quem isso muito me surpreendeu.

Parece que esta Greve Geral vai ser mesmo uma coisa séria.

Esta doeu...

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Ministros caindo em Moçambique

Foram ontem exonerados por Armando Guebuza, Presidente da República de Moçambique, os ministros da saúde (Ivo Garrido), do interior (José Pacheco), da agricultura (Soares Nhaca) e da indústria e comércio (António Fernando).

Em Moçambique, tais decisões são raras e sempre significativas de muito mais que meras substituições de pessoas – mesmo se, geralmente, as razões e significados só sejam totalmente compreensíveis para quem se mova nos centros de decisão partidária.

O que quererão dizer, agora, estas exonerações?
Se o segundo caso era inevitável mais tarde ou mais cedo (embora, por exemplo, o ex-ministro da defesa tenha sobrevivido mais de um ano à tragédia do rebentamento do paiol de Malhazine), se o terceiro parece ser sintomático da necessidade de se mostrar que se pretende fazer algo de substancial e efectivo no sector, e se o quarto surge como o bode expiatório da decisão de aumentos brutais de preços, já o primeiro tinha desde há anos uma imagem de marca de confronto com os profissionais do seu sector que, para se ter mantido tanto tempo, até parecia agradar ao Presidente.
Teria sido a ameaça de greve dos médicos, e a necessidade de o governo não se confrontar com mais conflitos sociais complicados nos próximos tempos?

Mas tudo isto são meras especulações de quem se deita a adivinhar e gostaria de compreender mais. E várias coisas.
Em que medida resultarão estas mudanças de medidas cosméticas e marketing político? E em que medida resultarão de uma nova e real estratégia político-económica e de exercício do poder? Em que medida resultarão de meros reajustes das relações de poder internas?
Pois... não sei.

Neste outro blog, tentam-se discutir as razões. Se alguém tem algo a dizer que ajude a compreender o assunto, que entre no debate, ou por aqui.


Entretanto, neste cantinho à beira mar plantado, discute-se entusiástica e apocalipticamente se o orçamento vai ser aprovado (e, quanto muito, as alternativas onde cortar despesa ou obter receita), mas não por que raio e em que medida são necessários cortes tão bruscos e brutais…

Ou seja, da mesma forma que em Moçambique as elites políticas acharam evidente que, com a desvalorização da moeda e a "mão invisível" do mercado (internacional), os preços tinham que subir em flecha e o povo que comesse brioches, assim por cá se corre a criar o caos recessivo (e a, qualquer dia, apelar aos brioches) para acalmar o "mercado" dos bancos especulativos, predatórios e há pouco salvos por dinheiros públicos, quando há alternativas institucionalizadas em que os juros custam cerca de 1/4 do que eles cobram.

É isso sintomático de quê?

sábado, 2 de outubro de 2010

Frase do ano no Inimigo Público


«OCDE recomenda ao Governo aumentar impostos, fazer despedimentos em massa, baixar salários e cortar nos benefícios, caso contrário os portugueses vão sofrer tempos difíceis»

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Ainda a crise que nos crisa

É uma brilhante e divertida abordagem destas crises e das suas raízes (infelizmente sem legendas - alguém as sabe e quer fazer?), que vai bastante mais longe, fundo e largo do que a minha velha favorita como primeira aproximação ao tema.

Que, já agora, vos re-apresento.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Força, Miguel!

Para além de valer muito a pena ouvir, foi para mim um enorme prazer rever o Miguel quase em forma.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

O "Dia da Raça", tal como o Natal, começa a comemorar-se de véspera

Já chegou o 10 de Junho,
juntam-se os "apertócinto"
a banquetear-se na praça.

"Encosta o teu copo ao meu,
come a lagosta e chora,
que nunca são para nós
as ameaças de penhora."


Que ao menos vos faça bom proveito, o banquete desta noite em Faro.

domingo, 6 de junho de 2010

Citações de café (25)

«Naquelas lojas de construção civil em que um gajo tinha de esperar meia hora para chegar a vez de ser atendido, agora admiram-se quando eu pago a pronto meia dúzia de sacas de cimento ou de latas de tinta...»

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Carvalho da Silva à presidência!

Não sou daquelas pessoas que só aceitam como candidatos a cargos políticos alguém com quem concordem a mais de 95%, em tudo o que diz.
Muito menos quando se trata de eleições uninominais, como as que temos para Presidente da República.

Aí, é necessário que um candidato seja plausivelmente capaz de agregar, em torno da sua mensagem e figura, forças políticas e (cada vez mais) cidadãos comuns como nós.
A não ser que se queira, apenas, marcar posição de uma qualquer pureza ideológica ou de uma qualquer particularíssima visão da sociedade, independentemente de esperados resultados marginais naquilo que é, afinal, uma eleição.
E em que, sendo-o, a ideia é eleger alguém ou, pelo menos, discutir essa vitória e, de caminho, marcar a agenda do debate público com aquilo que se considere mais importante e essencial.

De cada vez, a questão é mais complicada à esquerda, sempre mais dada, historicamente, a enfatizar as suas diferenças, mesmo antes de o maior partido dessa área ter abraçado, como uma inevitabilidade mas de sobrolho franzido, políticas e práticas mais liberalistas do que as de muitos conservadores.

Um pouco por tudo isto, não me impressionava quase nada, há uns 2 ou 3 meses atrás, vir a votar numa figura de que pouco esperava, mas que expressava uma simpática cultura de esquerda e não levantava particulares anti-corpos sociais, como Manuel Alegre.



Acontece que muita coisa ocorreu desde então.
E também que ouvi hoje, logo de manhã, Manuel Carvalho da Silva na SIC.

Já o tinha ouvido dizer coisas semelhantes ao que agora ouvi.
E suponho que dirigentes dos partidos mais à esquerda as tentem também dizer - ou, pelo menos, concordem com elas.
Mas a verdade é que, se o tentam, não o conseguem fazer de forma eficaz. Como é verdade que, sempre que os tenho ouvido, costumam lançar pedaços desconexos de uma avaliação da realidade, dos problemas e dos caminhos que, se pode ser que exista enquanto um todo coerente, não chega a quem os ouve. Fica o slogan e a opinião casuística.

Hoje de manhã, Carvalho da Silva transmitiu, como se de apenas uma mera questão de bom senso se tratasse, a visão global de uma alternativa socialmente justa à situação actual.
Sempre ancorada em questões e exemplos concretos, mas sem se limitar a eles ou, muito menos, a slogans, a receitas keynesianas, à mera posição defensista dos direitos dos trabalhadores, ou a isolacionismos serôdios.
E desmontando, de forma acessível e sistemática, os irracionais ou injustos pressupostos que formatam, como se de evidências ou inevitabilidades se tratasse, as novas histerias orçamentais e "reajustadoras". E os absurdos que sustentam esta possibilidade de tornar os estados e a União Europeia reféns dos especuladores financeiros.

Não me surpreende essa capacidade de falar, de forma sintética, acessível e integrada, do global e do local, de justiça social básica e de constrangimentos externos, de opções políticas nacionais, europeias e dos mercados financeiros, de falácias económicas e de necessidades sociais.
É um homem que, para desempenhar o melhor possível as suas responsabilidades sindicais, teve que projectar o olhar para lá do mero defensismo e da lógica das fronteiras nacionais, apostando na reflexão crítica glocal, pondo a análise à frente do jargão e partindo dos seus valores sociais.

Mas tive hoje de manhã a completa certeza de que, em Maio de 2010, já não nos chegam (não apenas a mim, ou à tal de "esquerda", mas aos nossos concidadãos que não engordam à conta da crise) candidatos com uma simpática cultura de esquerda e um saudável desagrado pelas desigualdades sociais.
Já não nos chegam figuras que, afinal, partilhem os pressupostos falaciosos que, a nível financeiro e económico, regem as "respostas à crise", ou que nem partilhem nem deixem de partilhar, porque nem sequer pensam nisso.

É necessário, nas presidenciais, que alguém diga o precisa de ser dito - e que Carvalho da Silva hoje disse.

Não para que, simplesmente, se ouça.
Mas para que, ao ouvir-se, se quebrem os consensos sobre supostas inevitabilidades e sobre regras do jogo que só existem porque os estados e as instituições internacionais as deixaram instalar e deixam vigorar. Em grande medida, precisamente, porque partem dos mesmos pressupostos falaciosos dos senhores da crise e dos mercados financeiros; outros, porque não param para pensar e para aprender com o que se passa à sua volta.

Não é qualquer pessoa que o possa dizer ou, sobretudo, criar esse efeito.
Não é qualquer pessoa, tão pouco, que possa, com o seu prestígio trans-partidário e a sua mensagem, enfrentar Cavaco Silva com plausibilidade de sucesso, apesar dos tiros no pé que este vai dando.

O candidato que mobilize a esquerda, para lá das fronteiras partidárias ou de quem nelas não se reconheça, não tem que sair de uma franja do PS.
Mais que isso, não o conseguirá fazer, hoje, com pensamento e discurso de ontem.

É por tudo isso que digo

«Carvalho da Silva à presidência!»

E é por tudo isso que desejo que ele me ouça, que muitas mais pessoas o digam, e que os dirigentes partidários nos venham a ouvir.

domingo, 9 de maio de 2010

What's up, dog?

Um cão que está sempre na primeira linha das manifestações em Atenas, nos últimos 2 anos.

Vale a pena ver, aqui.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Sempre dá para os preservativos

Pagam 3 euros e meio à hora, para dar vivas ao Papa.
E dá direito a t-shirt.

Só exigem: «Muito boa apresentação; Gosto pelo contacto com o público; Dinamismo e responsabilidade; Resistência Física».

Podem inscrever-se aqui.
Just in case, não levem criancinhas.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Vidigueira não é só vinhos brancos

(Que, por sinal, eram os favoritos do meu pai, há 30 e tal anos atrás, embora a produção da adega cooperativa lá do sítio, infelizmente, não me dê razões para dar continuidade a essa tradição familiar...)

Mas, então, a Comuna (perdão! Câmara Municipal) da Vidiguêra decidiu que, para ajudar a enfrentar esta crise que nos crisa, os seus trabalhadores com o salário mínimo passariam à categoria remuneratória seguinte, recebendo mais 18% de salário.
Mas, como o orçamento é limitado, as pessoas com cargos eleitos ou nomeados (presidente, vereadores e assessores), passariam a receber menos 10%.

Os presidentes de câmara e os vereadores mereciam receber mais do que recebem? Suponho que sim.
Esta medida tem laivos de populismo? Também é provável.

Mas, se aquilo que possa ser rotulado como populismo for feito à custa do bolso de quem decide (e que, neste caso, também precisa), o rótulo mais adequado passa a ser solidariedade social.
E, se se trata de paliativos locais que não resolvem o problema geral que os suscita, trata-se também de um nível de decência muito marcante e de uma visão do mundo que me enternece e entusiasma - mesmo se não é de esperar que o exemplo seja seguido.

O mê Alentejo e a minha esquerda (que inclui esta gente e outras, espalhadas em pelo menos dois partidos, e fora deles) continuam a ter coisas muito belas.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Nada se aprende

Hoje ao almoço, pousado na mesa ao lado, estava um número do Diário Económico.

Lancei-lhe um olhar e pensei que era de há uns dois anos atrás.
Mas confirmei que não, era mesmo de hoje.

Um dos títulos dizia «Bolsas ignoram alertas de gurus da economia sobre perigos da especulação».

Parece que o final deste vídeo era francamente premonitório...