O Ministério da Educação recolhe imagens nas escolas, para o partido do governo meter no seu tempo de antena televisivo.
terça-feira, 28 de abril de 2009
Portugal Moçambicaniza-se (V)
O Ministério da Educação recolhe imagens nas escolas, para o partido do governo meter no seu tempo de antena televisivo.
quinta-feira, 23 de abril de 2009
Nova do Azagaia
Entretanto, saiu outro clip do polémico rapper moçambicano Azagaia.
Doi bastante.
Mas já ouvi isto muitas vezes, por outras palavras, no caniço de Maputo.
terça-feira, 10 de março de 2009
Migração, Saúde e Diversidade Cultural
domingo, 8 de março de 2009
As costas largas de Adam Smith
Referindo-se aos recentes assassinatos do CEMGFA e do Presidente da República, o ministro da defesa da Guiné-Bissau acusou «mãos invisíveis» de quererem «decapitar» o país.
É claro que há duas belas vantagens nesta acusação.
Se as mãos culpadas são invisíveis, não são as nossas, nem das restantes figuras bem visíveis, públicas e respeitáveis.
Por outro lado, se são invisíveis, é compreensível que a gente não as consiga descobrir e que os crimes fiquem impunes.
Mas é curioso, mesmo tendo a desregulação neo-liberal ficado com o rabo de fora em Wall Street, que as coitadas da oferta e da procura sejam acusadas de homicídios políticos.
Entretanto, também é verdade que, cruzando-se neste caso dúvidas acerca do narcotráfego em que meio mundo estará envolvido, até pode ser que a metáfora económica utilizada pelo Sr. ministro tenha bastante justificação. Seria essa forte acusação que ele tinha em mente?
Nãã...
Em Portugal, entretanto, o nosso primeiro prefere as metáforas mafiosas às económicas, quando se confronta com acontecimentos indesejados.
Surgindo à tona de água suspeitas de corrupção, ou pelo menos de favorecimento ou decisões legitimamente suspeitas, durante o seu consulado como ministro do ambiente, não fala de «mão invisível», mas de «mão negra».
Assim mesmo, tipo Camorra.
O que, convenhamos, também é uma expressão um bocado mal escolhida e invocadora de associações indesejadas pelo próprio, se tomarmos em conta que o nosso primeiro pretende, com ela, desvalorizar suspeitas de comportamentos que, na linguagem popular, caem sob alçada da palavra "mafiosos".
As implicações desta expressão da «mão negra» são, por outro lado, também um bocado chatas na boca da 3ª figura do Estado, responsável pelo poder executivo.
Porque, embora parte da acusação caia sobre os jornais (velho clássico do discurso político acossado, mas que pelo menos ataca uma parte da fantasmagórica "sociedade civil"), o grosso cai sobre o sistema judicial.
Temos, assim, um primeiro-ministro a chamar mafiosos aos juízes e procuradores, tanto nacionais quanto da terra do muito amigo Labour Party. A desacreditar o Estado, afinal.
Enfim... Talvez os políticos que falam em português devessem começar a procurar metáforas com pés, em vez de mãos, quando o mundo não corresponde aos seus desejos.
Porque parece que foi com os pés que foram pensadas e escolhidas estas metáforas de mãos «invisíveis» e «negras».
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009
Seminário sobre Poder em África
Haverá comunicações deste vosso criado e de José Jaime Macuane (UEM), Daniel Costa (UCV), Edalina Sanches (ICS), Gerhard Seibert (CEA-ISCTE), Elisabete Azevedo (U. Cape Town), José Reis Santos (UNL) e um orador a anunciar, moderadas por Franz Heimer, Marzia Grassi e Marina Costa Lobo.
Podem aparecer à vontade, que a gente não morde.
Lá vou eu andar à volta dos linchamentos...
terça-feira, 13 de janeiro de 2009
MOÇAMBIQUE EM ANÁLISE - amanhã, no ICS
Um regresso rapidinho, só para vos dizer que na próxima 4ª feira, 14 de Janeiro, se vai realizar no ICS, Lisboa, o seminário "Moçambique em Análise", com os seguintes intervenientes:
10h./12h.30m.
- Danúbio Lihahe (UEM) "Cheias e reassentamento de populações no vale do Zambeze"
- Paulo Granjo (ICS – UL) "Albinos, prisioneiros, deportados e contrato social"
- Jason Sumich (London School of Economics) “The Mozambican case as a critique of the neo-patrimonial interpretation of African elites”
14h./16h.30m.
- Fernando Florêncio (Un. Coimbra) "Estado Novo, Estado Velho. Um tipo de neo-indirect rule em Moçambique"
- Sofia Aboim (ICS – UL) “Reapropriar a tradição: significados contemporâneos da poligamia”
- Linda van Kamp (VU Un. Amsterdam) "Navegação transnacional em Maputo: porque é que o Pentecostalismo brasileiro importa para o casamento, o amor e a sexualidade"
São todos bem-vindos!
sexta-feira, 5 de dezembro de 2008
É lançado hoje
quarta-feira, 26 de novembro de 2008
O desengarrafamento da Beira
Mesmo partindo do princípio de que todos os que votaram num candidato partidário votaram nesse mesmo partido para a Assembleia Municipal, todos os partidos e grupos que apresentaram candidatos à presidência do Município (o PIMO não o fez) foram engrossar os votantes de Deviz Simango de forma muito significativa.
Nalguns casos, as "perdas" de votos para o re-eleito presidente ultrapassaram os 90% (Renamo e GDB). Mas mesmo a arqui-inimiga Frelimo viu 17% dos seus votantes preferirem Simango ao candidato partidário.
Simango foi, assim, eleito maioritariamente por votantes da Renamo e capitalizou o importante eleitorado do local GDB. Mas, para além disso e da contribuição dos pequenos partidos, quase 1 em cada 8 dos seus eleitores foram votantes da Frelimo.
Convenha-se que, num país em que os eleitores tendem a ser encarados, quando vistos a partir "de cima", como propriedade dos partidos em quem habitualmente votam, é um autêntico terramoto nos conceitos e na realidade.
Ou, como talvez prefiram dizer os votantes de Simango, um desengarrafamento.
sexta-feira, 21 de novembro de 2008
Um novo país?
Trata-se da reeleição do agora independente Deviz Simango como Presidente do Conselho Municipal (= Presidente da Câmara) da cidade da Beira.
Explico um pouco, para quem não acompanhou este processo:
Há 4 anos atrás, foram eleitos para as duas principais cidades do país dois homens que são normalmente apontados como os melhores Presidentes que elas alguma vez tiveram. Em Maputo, pela Frelimo, Eneas Comiche; na Beira, pela Renamo, Deviz Simango.
O seu trabalho de intervenção urbana tornou-se muito visível e contrastante com a pasmaceira habitual, de forma ainda mais impressionante na Beira, cidade que estava a apodrecer e autodestruir-se e que passou neste tempo, segundo o testemunho de amigos de todos os quadrantes políticos, de uma das cidades mais sujas de África à mais limpa de moçambique.
Não escapou também ao escrutínio público que, em ambos os casos, os novos presidentes recusaram benesses pedidas por importantes figuras dos partidos respectivos (facto impensável!), por esses pedidos não terem base legal que os pudesse enquadrar.
Ambos os Presidentes foram afastados da reeleição pela direcção dos partidos respectivos.
Comiche, dirigente histórico e membro da Comissão Política da Frelimo (embora não pertencente à ala do actual Presidente da República), acatou a decisão e foi dedicar-se às suas empresas.
Simango decidiu recandidatar-se como independente, enfrentando tanto a Frelimo como a Renamo.
Os dados existentes indicam que Deviz Simango venceu com mais de 60%.
Em Maputo, bastião da Frelimo, o candidato da Renamo obteve 25%, o que é muito superior à implantação do seu partido na capital. Também a lista independente "Juntos Pela Cidade" terá reforçado significativamente a sua votação.
Dessa forma, na Beira a população mobilizou-se em apoio do Presidente do Conselho Municipal que respeita e a quem reconhece competência, empenho e honestidade, ficando a sua votação quase 10 pontos percentuais acima daquela que tinha obtido há 4 anos.
Talvez também em resultado do feio processo de afastamento de Deviz Simango por parte do presidente da Renamo (que levou os "jovens turcos" renamistas a demitirem-se dos seus cargos partidários), este partido parece ter perdido todos os municípios que detinha.
Em Maputo, também expoliada do Presidente que respeitava e sem que este tenha avançado contra os partidos, tudo indica que uma significativa percentagem da população optou por um voto de protesto contra o afastamento de Comiche.
Ou seja, parece que:
1 - a lógica de "posso, quero e mando" das cúpulas partidárias, aliada à naturalização do uso dos cargos públicos para benesses aos próprios e aos seus correlegionários, deixou de ser popularmente suportável, pelo menos quando priva a população de administradores a quem ela reconhece uma rara competência e eficiência.
2 - apesar da inexistência de alternativas credíveis aos dois grandes partidos, estes não são donos do voto popular, mesmo nas suas zonas de maior influência; pelo menos a nível local, podem ser derrotados pela emergência de alternativas mobilizadoras, em termos de eficiência, honestidade e respeito pelo eleitorado.
3 - também em Moçambique, os erros pagam-se, pelo menos se a população reconhecer como disponível uma forma de os fazer pagar.
São aspectos que merecem ser cruzados com um recente artigo de João Pereira, disponível aqui.
Fica-me a pergunta: será que o povo saiu mesmo da garrafa?
sexta-feira, 14 de novembro de 2008
Portugal Moçambicaniza-se (IV a)
Nem de propósito:
Depois do 5 de Fevereiro, a Governadora da Província de Maputo fartou-se de falar de "manipulação dos jovens e estudantes" por parte de gente mal intencionada.
Isto até uma estudante lhe dizer frente às câmaras de TV que não precisa de ser manipulada para ver o que está mal.
Há momentos, a Directora Geral de Educação do Norte veio dizer que há manipulação dos alunos por elementos estranhos às escolas.
É realmente chato, poder-se despedir gente que afixa um cartoon acerca do nosso primeiro e não poder despedir os putos que protestam lá nas escolas deles.
Isto só dá tempo de afixar o post... Agora é o Secretário de Estado que vem falar de manipulações dos pobres, bem-intencionados (e, segundo parece, atrasados mentais) estudantezinhos.
Portugal Moçambicaniza-se (IV)
O ministro respectivo desvalorizou a questão e, pouco depois, o Secretário da propaganda do partido governamental veio dizer que os motins tinham sido orquestrados por uma "Mão Invisível".
A 8 de Novembro de 2008, Lisboa foi sacudida pela segundo manifestação esmagadora de professores em poucos meses. 4 profs em cada 5 protestaram na rua contra a política do ministério da educação. A ministra desvalorizou. Dias depois, estudantes receberam a ministra com ovos em Fafe e, como seria de esperar, a coisa foi imitada em Lisboa, na primeira oportunidade.
O equivalente português do Sr. Macuácua, o porta-voz do PS Vitalino Canas, vem dizer que os protestos são "desacatos que nos parecem muito orquestrados, muito instrumentalizados, talvez por alguns radicais e alguns professores".
Depois do apoio a empresas privadas para garantirem o policiamento público, do epíteto de "negativismo, maledicência e bota-abaixo" a todos os que não viam o futuro tão risonho como o nosso primeiro, e depois de plagiarem o slogan de Armando Guebuza e da Frelimo, já não me restam dúvidas:
O nosso primeiro e o seu partido estão tão incrivelmente preocupados com o meu bem-estar pessoal que decidiram fazer tudo para que eu não sinta choques e dificuldades de adaptação, ao transitar entre Portugal e Moçambique! É a única explicação possível.
Sendo assim e já agora, nosso primeiro, torne a semelhança ainda maior: com a maior rapidez, demita a ministra e aproveite para mandar também borda fora alguns dos seus colegas mais inconvenientes.
Sei lá... Olhe: por exemplo aquele ex-chefe da secreta que não consegue dirigir forças policiais às claras, ou aquele outro que aprendeu com ele e acha normal autorizar devassas ilegais de correspondência electrónica, ou o ex-banqueiro que fez procurador pessoal um alto quadro do BP que devia fiscalizar o seu banco e, já ministro, o nomeou para a Autoridade da Concorrência.
Oh, homem... você é que sabe. Tem muito por onde escolher.
quinta-feira, 13 de novembro de 2008
Linchamentos em Moçambique
O título leva consigo o número 1, pois o livro refere-se apenas aos linchamentos urbanos, sob acusações de roubo ou violação. Seguir-se-á outro livro, acerca dos linchamentos rurais por acusação de feitiçaria. Aguardo a leitura de ambos com impaciência.
Entretanto, a minha modesta contribuição para o livro, o artigo "O linchamento como reivindicação e afirmação de poder" está disponível para download aqui.
terça-feira, 4 de novembro de 2008
Reflexões ociosas - 4
Em Moçambique, Obama não conseguiria sequer ser indigitado como candidato por um dos maiores partidos. É mulato.
sexta-feira, 31 de outubro de 2008
Anacronismos militares
Quando estava na tropa (e Loureiro dos Santos também), os generais fizeram correr o boato de que não iriam receber o salário no mês seguinte.
Grande comoção nos gabinetes e corredores ministeriais e, da noite para o dia, o sistema remuneratório foi alterado, com aumentos cuja percentagem crescia brutalmente à medida que subia o posto a que se aplicavam.
Poucos anos depois, começou a falar-se abertamente do direito de organização sindical para os militares - a tal questão que Miguel Sousa Tavares, com a sua sapiência generalista acerca dos lugares-comuns de mesa de café, veio a considerar "coisa terceiro-mundista" na televisão.
As escandalizadas reacções contra a possibilidade de sindicatos para militares basearam-se em dois aspectos:
Por um lado, num artigo inconstitucional da legislação, elaborado para fazer os militares "regressarem aos quarteis", passado o PREC.
Por outro, de forma ideologicamente mais elaborada, apontavam-se especificidades éticas de uma instituição baseada numa cadeia de comando, em que era responsabilidade dos superiores hierárquicos compreenderem, canalizarem e defenderem os interesses dos subordinados.
(Comparado com essas linhas de discurso, o estafado argumento de que a representação sindical poria em causa a disciplina e a eficácia na execução das ordens já fazia figura de parente pobre, pela sua evidente falácia face à realidade observável nos sítios onde essa representação existia.)
É claro que essa ideia dos generais como melhores defensores dos seus homens (extensiva aos oficiais e aos sargentos, relativamente a quem esteja "abaixo" de cada um deles), só parece evidente quando olhada a partir de cima.
As preocupações e interesses socio-profissionais de um general não são os de um major, os de um oficial não são os de um sargento, e os de nenhuma dessa gente são os de uma praça - pelo contrário, são com muita frequência contraditórios ou mesmo opostos. Por muita retórica exótica que se mobilize, nenhum empregado considerará que o gestor da empresa é a melhor pessoa para representar os seus interesses perante o dono. E, sempre que se fala em nome de alguém, para "lhe dar voz", está a retirar-se a esse alguém a própria voz, o espaço para falar em nome próprio.
Mas essa visão paternalista da instituição militar e da cadeia de comando juntou-se à experiência de eficácia da ameaça velada, quando proferida por pessoas com estrelas nos ombros.
O general na reserva Loureiro dos Santos, provavelmente a mais respeitada figura pensante das forças armadas, veio "avisar" que, perante a degradação das condições socio-profissionais dos militares, a "rapaziada mais nova", com mais sangue na guelra e menos experiência, era bem capaz de se meter em aventuras armadas - embora esclareça que «Penso que está fora de questão qualquer coisa organizada, mas [podem surgir] actos um pouco irreflectidos que normalmente as pessoas mais novas são levadas a praticar».
Isto, num quadro em que os actuais Chefes de Estado-Maior se remetem ao silêncio e em que dois ex-Chefes de Estado-Maior (do Exército e da Armada) «partilharam as preocupações manifestadas (...) sobre sinais de descontentamento preocupantes dentro das Forças Armadas».
Portanto, a coisa está má, os paizinhos na reserva assumem o seu ideológico papel de defensores dos seus rebentos (embora Loureiro dos Santos, modestamente, tenha a extraordinária ideia de apontar o Governo como «representante sindical da instituição militar» - assim como o Belmiro de Azevedo é delegado sindical dos trabalhadores do Continente), e fazem-no através dos meios a que se habituaram: as manifestações de desagrado através de ameaças evidentes mas não assumidas de forma explícita.
De caminho, procura legitimar-se a anacrónica "representação por parte dos superiores" e acha-se normal que se negue aos militares o direito de consulta e negociação sobre questões socio-profissionais, mas não a possibilidade de agitarem espantalhos de pronunciamentos armados.
Lições preliminares desta história:
- Não bastam a inteligência, o prestígio e o conhecimento de causa para se evitar ficar enredado em atitudes e raciocínios anacrónicos e socialmente inaceitáveis.
- A recusa de possibilitar aos militares mecanismos adequados de representação socio-profissional tem graves efeitos preversos, mesmo se a ameaça velada de Loureiro dos Santos corresponde mais a uma performance simbólica do que a um perigo real.
- Urge colocar na ordem do dia o direito dos militares a representação sindical, sem dramas ou histerias, como aliás devia há muito ter sido feito.
adenda a 31/10: O CEMGFA pronunciou-se acerca dos problemas existentes, desdramatizando. Não fez qualquer reparo ao tom das intervenções de LS.
domingo, 26 de outubro de 2008
Be afraid, be very afraid
Coprofilia
O Arrastão forneceu agora um link para uma notícia do DN, pelo que já não passo por mentiroso. É assim:
O presidente da associação de estudantes da Universidade de Évora (a bela terra onde nasci, helàs) ficou muito agastado por, no seguimento de queixas de alunos, o reitor ter proibido umas praxes na escola de regentes agrícolas que deus tenha, cujo ponto alto era fazer os caloiros rastejarem na bosta dos animais, pontualmente apimentada pela de algum praxista que estivesse mais aflito.
Diz o chavalo que a malta gosta tanto da coisa que até há gente do 2º ano que pede pelas alminhas que os deixem também chafurdar no esterco.
Para além do mais, acrescenta, «é uma manifestação cultural que deve ser respeitada».
Eu até sei que aquela antiga escola, agora pólo da Universidade, tinha a tradição de acolher como alunos os filhos mais ineptos dos latifundiários do tempo da outra senhora - o que arrastava consigo um ethos, uma elevação intelectual e um refinamento de gostos como aqueles que costumamos encontrar, nos filmes, entre os membros mais volumosos das equipas universitárias de football americano.
Supunha que a origem social e o nível mental dos alunos se tinham alterado com o tempo, mas não imaginava que tanto tinha sido preservado do ethos original. Tirando as ovelhas negras que se queixaram à reitoria, parece que ainda hoje, ali, a malta gosta é de merda.
Apesar disso - acreditem num antropólogo, mesmo sem que ele cite uma lista infindável de exemplos escabrosos em defesa da sua afirmação - o facto de uma coisa ser uma «manifestação cultural» não quer dizer que deva «ser respeitada».
E, se esta descoberta for muito chocante, eh pá... Encham a banheira de bosta e vão curtir e relaxar um bocado.
segunda-feira, 20 de outubro de 2008
Ainda os albinos
Parte da rica informação que a jornalista Margarida Mota me transmitiu por telefone não coube nos limites de caracteres de que os jornais sempre sofrem, mas surge um dado que para mim é totalmente novo:
A ocorrência, na África do Sul e Zimbabwe, de violações de albinos por parte de seropositivos, que esperam com isso ficar livres do SIDA - tal como vem acontecendo há anos relativamente a raparigas virgens.
Interpretar porque é que alguém se foi lembrar de mais esse horror é relativamente simples. Terá quase certamente a ver com o poder, atribuído aos albinos, de secarem as coisas à sua volta - neste caso, secar a doença, ou o virus seu causador.
Mas, antes que a coisa alastre pela região, convém compreender um pouco melhor o que é que se passa.
Alguém tem informações acerca deste novo fenómeno?
Pela minha parte, vou alertar os meus "colegas" da AMETRAMO, para estarem atentos e poderem combater esta crença, mal ela se revele em Moçambique.
Porque, ao contrário dos estereotipos habituais, os curandeiros estão muito longe de ser uns tradicionalistas acríticos imersos em superstições.
E, em assuntos como este, a palavra deles vale muito mais, junto da população, do que a de qualquer médico.
sábado, 11 de outubro de 2008
Linchamentos recrudescem em Moçambique
Com uma sequência impressionante nos primeiros meses do ano, estes linchamentos (embora não os rurais, que parecem ter dinâmicas e sentidos diferentes) tinham-se tornado relativamente raros desde o momento em que os emigrantes moçambicanos se tornaram vítimas de violência e linchamentos xenófobos na vizinha África do Sul, em Maio deste ano.
Que esse efeito traumático tivesse estancado os linchamentos domésticos era, aliás, coerente com a minha sugestão de que eles constituiam, também e entre outras coisas, formas ritualizadas de reivindicação e afirmação de poder sobre a vida da comunidade, num quadro de incerteza e de sensação de abandono por parte do estado.
Se essa minha sugestão de leitura do fenómeno tem algum mérito, justifica-se perguntar que razões puseram fim à acalmia dos últimos meses.
Será que a mera passagem do tempo neutralizou o efeito traumático dos acontecimentos de Joanesburgo, permitindo de novo pôr em prática formas extremas de punição pública e de expressão política?
Será que alguma coisa fez agravar o sentimento popular de abandono e de que são irrelevantes para os mais poderosos e ricos?
E, a ser assim, será plausível que a catadupa de casos de corrupção e desvio de fundos (onde se destaca o de um ex-Ministro do Interior e vários generais durante o exercício do cargo) possa ter sido uma nova gota de água, num país onde é popularmente aceite que os dirigentes "comam mais", mas não que "comam sozinhos" e à custa da fome de quem administram?
Pedem-se e aceitam-se hipóteses e opiniões!
sábado, 27 de setembro de 2008
La Fuerza del Cambio
Tendo em conta que "A Força da Mudança" foi o slogan de Guebuza e da Frelimo nas eleições moçambicanas de 2005, fica provada uma nova teoria geográfica que tem vindo a fazer escola entre os melhores cientistas:
O mundo é, afinal, em forma de talhada de uma meia laranja, indo desde os montes Urais, a leste, à costa do Pacífico, a Oeste.










