nota: Escusam de me convidar para avaliar de novo a (in)utilidade formativa dos estágios profissionais e sua (ausência de) contribuição para o emprego. Ainda era capaz de chegar à mesma conclusão de há anos atrás, e lá se me ia o alegre optimismo suscitado por esta profunda e fina análise do nosso primeiro...
quarta-feira, 25 de março de 2009
O país dos estagiários
nota: Escusam de me convidar para avaliar de novo a (in)utilidade formativa dos estágios profissionais e sua (ausência de) contribuição para o emprego. Ainda era capaz de chegar à mesma conclusão de há anos atrás, e lá se me ia o alegre optimismo suscitado por esta profunda e fina análise do nosso primeiro...
terça-feira, 10 de março de 2009
Citações de café (17)
COPO VAZIO, OU A TRANSBORDAR
Neste caso, poderíamos também chamar-lhe uma "teoria popular da lógica socrática".
Alguém se queixa a José Sócrates: «Vê o que está a fazer ao país? Agora, até estudantes universitárias têm que se prostituir para pagarem as propinas!»
«Nada disso!», responde o nosso primeiro. «Como vê, eu governo tão bem que até já as prostitutas vão para a universidade.»
sábado, 7 de março de 2009
Já não se pode mandar um político «p'ró caralho»...
Pudicamente, as legendas televisivas - que se tornaram necessárias por a gravação de som ser má - apenas diziam «Vai p'ró c.......», enquanto os jornais se referem a «um palavrão».
Mais pudicamente ainda, foram de pronto pedidas desculpas (embora não ao representante popular enviado para penianas paragens) e, facto que julgo ser único e de duvidosa legalidade, retirada a frase das actas da AR, onde fica registado tudo o que se diz no hemiciclo, por muito irrelevante ou bronco que seja.
Quem se dê ao trabalho de reler essas actas (como eu fiz em relação a um período relativamente curto da nossa história recente) divertir-se-á perdidamente, ao encontrar os insultos mais escabrosos e ao constatar o profundo conhecimento (e por vezes utilização criativa) que os representantes da nação demonstravam ter do vernáculo português.
É verdade que o uso parlamentar dos palavrões nunca chegou, pelo menos na época que li, ao humor refinado daquela troca de palavras entre a saudosa Natália Correia e um deputado que, na primeira discussão de uma lei de despenalização do aborto, defendeu que o sexo só se deve destinar à reprodução. Perguntou-lhe a poetisa: «Então, Vossa Excelência só uma vez fez truca-truca». «Não - respondeu o homem - Eu tenho dois filhos». «Então, Vossa Excelência fez truca-truca, truca-truca».
É verdade, também, que este homicídio sócio-intelectual teria muito menos piada se a senhora tivesse dito «foder», em vez de «truca-truca».
Mas até nas utilizações insultuosas de palavrões se descobre pontualmente, lá nas actas da AR, uma boa dose de humor. Tal como se descobre (os nomes ficam registados) que o vernáculo parlamentar é transclassista, transpartidário e abrange desde pessoas que pouco estudaram até professores catedráticos.
O que, convenhamos, não deixa de ter o seu interesse histórico para as gerações vindouras...
Tão pouco estão ausentes do hemiciclo piadas brejeiras quase infantis. Como quando o seu então presidente Mota Amaral, apesar da imagem puritana e quase ascética que projecta, não evitou acrescentar, ao colocar à discussão ou votação um qualquer artigo 69, «Sessenta e nove… curioso número».
Perante estes hábitos e antecedentes, o actual sarrabulho politico-mediático e esta auto-censura a posteriori justificam, portanto, que pensemos um pouco no assunto.
Esta boa gente da população parlamentar passou, de repente, a ser recrutada entre os linguisticamente mais contidos membros das várias classes e camadas sociais?
Passaram a ser-lhes exigidos – e aos jornalistas – elaborados cursos de boas maneiras para terem acesso às suas funções?
É por isso que um parlamentar «Vai p’ró caralho» se tornou genuinamente insuportável para os seus ouvidos e sentido de sociabilidade?
Ou será que, enquanto representantes da nação, passaram a temer que a nação não se sinta representada por quem profere tais impropérios?
Ou será, ainda e pelo contrário, que passaram a considerar que comportamentos como aquele que está a ser tão discutido são demasiado “populares” para representantes do povo - implicando essa ideia que deverão projectar, enquanto grupo e independentemente das suas filiações partidárias (pelo menos desde que “respeitáveis”), uma imagem de esclarecidas elites intelectuais e morais, segundo os critérios dominantes que imaginam ser os das elites sociais?
Não constando que a primeira hipótese seja verdadeira, passemos às restantes.
A segunda hipótese lógica (por muito louvável que fosse à luz dos princípios de uma democracia representativa) também não tem muito por onde se agarrar.
Se os palavrões e esta forma peculiar de reagir/argumentar contra aquilo que se considere ser um ataque pessoal podem ser popularmente considerados “de tasca”, não só há cada vez menos tascas e as que existem perdem cada vez mais a sua importância enquanto espaços significantes de sociabilidade e cultura, como esse rótulo tasqueiro não corresponde à realidade.
Gritada ou sussurrada entre dentes, trata-se de uma frase/reacção argumentativa em que 97,5% dos portugueses se reconhecem nos sítios mais diversos (desde o lar doce lar até ao emprego e ao chefe), apenas com o senão de 53,5% deles ficarem surpreendidos por não se seguir a isso uma cena de chapada ou, de preferência, um muito nacional «agarrem-me, se não eu vou-me a ele(a)».
Para mais, essa vasta maioria terá tendência a gozar com os restantes 2,5% que não conseguem recorrer ao vernáculo sequer quando martelam um dedo e que se arrepiam quando outros o fazem.
Pode ser, então, que a coisa tenha a ver com a terceira hipótese. Relembrando, com a tentativa de um grupo heterogéneo, com acesso a instâncias de decisão e poder mas que só em raros casos é formado pelos elementos mais brilhantes, “bem instalados” ou “bem formados” da sociedade, de legitimar a sua posição de proximidade ao poder apresentando-se como uma elite “bem formada” segundo os critérios dos “bem instalados” – o que, entre as camadas sociais intermédias (no vulgo pseudo-científico, “pequena-burguesia”) faz desconfiar também de que serão brilhantes.
Ou, numa linguagem menos precisa mas mais estimulante, um saco de diferentes gatos que se “armam aos cágados” a partir daquilo que imaginam que os cágados serão, para se justificarem, enquanto grupo, como os melhores (porque mais cagadais) representantes dos outros gatos.
A hipótese parece-me tão evidente que tenho até dificuldade em argumentá-la. Talvez isso possa ficar para a caixa de comentários.
No entanto, o assunto arrasta outras dúvidas e questões.
Será que estou a ser mauzinho e que a frase «vai p’ró caralho» é pior que tantas outras já utilizadas naquele local, por isso tendo suscitado, afinal, estas reacções?
Bem… eu li-a por várias vezes em comentários parlamentares do passado recente. Pode até dizer-se que é a mais tradicional e menos criativa das frases utilizadas em situações semelhantes – ou, até, quando os deputados sentem que foram insultadas as posições do seu partido, e não eles próprios.
E temos que concordar que, assim como assim (e embora a frase tenha algum travo homofóbico quando dita a homens, e marialva quando lançada a mulheres), sempre é menos desagradável do que atribuir profissões pouco respeitáveis às mães dos oponentes, ou mandá-los «para o raio que os parta» - o que, não contendo embora palavrões, é afinal o rogar de uma praga e um desejo de morte.
Claro que quem manda alguém «para o raio que o parta» raramente está a desejar a morte, ou à espera de que a sua praga se concretize. Está mais a, para além de desabafar um antagonismo e desagrado, mandar o outro desaparecer, dar uma volta, sumir-se. Tal como, afinal, quando o manda «p’ró caralho».
Vista a coisa por este prisma, trata-se de facto de sentimentos (e sua expressão) pouco consentâneos com a cultura democrática que deveriam perfilhar os representantes eleitos para uma instituição que se legitima, precisamente, pela democracia e consequente coexistência de diferenças.
Mas duvido muito que tenha sido este tipo de leitura semiológica da coisa que, emergindo subitamente, tenha levado a tanto burburinho.
Tanto mais que, em termos mais gerais e para mal dos pecados de deputados e governantes, a possibilidade de irem «para o raio que os parta» (ou, se preferirem, «p’ró caralho») é um aspecto fundamental da legitimidade dos cargos que ocupam. Embora, claro, sendo mandados para esses sítios (ou para a reforma, dourada ou não), pelos fantasmagóricos eleitores, e não directamente pelos seus opositores directos.
Ou seja, podemos jocosamente dizer que qualquer tentativa de impedir que se mande um deputado ou governante «p’ró caralho» é intrinsecamente antidemocrática – mesmo que seja outro deputado a fazê-lo, já que também ele é eleitor.
Mais a sério, podemos achar ridículo que novas preocupações de imaginada respeitabilidade façam de uma barrasquice parlamentar um assunto de primeira página e de diplomacia inter-partidária.
Mas não podemos aceitar que, para dar vazão a essas preocupações e às motivações que lhes estejam por detrás, se censurem as barrasquices das actas parlamentares.
Se acham a questão assim tão importante, mudem-se a vós próprios. Não tentem fazer desaparecer a história no próprio dia em que ocorre.
É a crise!
O governo só tem pequenas obras para inaugurar em ano eleitoral!
Leitura imediatista: a crise está a pôr em perigo o regime e as suas mais essenciais tradições.
Leitura processualista: anda por aí uma grande incompetência e falta de planificação.
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009
"First Pet" continua a ser português
Obama vai adoptar um cão de água português para o cargo de "first pet".
Segundo fontes bem informadas, a decisão terá sido tomada por os acessores lhe terem garantido que ficava mal não aceitar nenhuma das sugestões que o Bush lhe tinha feito, na hora de passagem de poderes.
Ora o George W terá garantido a Obama que, desde a Cimeira das Lages, ficou com a certeza de que não há pets tão fieis como os portugueses.
Como bem se confirma pelos novos dados acerca dos voos da CIA para Guantanamo.
quarta-feira, 28 de janeiro de 2009
Rapidinhas freepórticas
Embora as alterações à Zona de Protecção do Estuário do Tejo tenham ficado um ano na gaveta e dela tenham saído miraculosamente a 3 dias das eleições, ao mesmo tempo que a aprovação do Freeport que vieram possibilitar, quer o ministro-megafone de serviço (antes de isto ser sabido) quer o nosso primeiro (já depois disso) juram pelas alminhas que uma coisa não tem nada a ver com a outra.
E a malta pensa... 'Tá bem, abelha!
Entretanto, o DCIAP diz que o processo é urgente por haver políticos envolvidos, mas não há suspeitos.
Horas depois, vem-se a saber que os ingleses não só consideram Sócrates suspeito como gostariam de ter acesso aos seus movimentos bancários.
É caso para dizer "good luck"!...
Então vo'mecês não vêem que a gente, cá nesta terra, só suspeita de quem manda em nós quando estamos nos cafés e nos corredores, nunca oficialmente?
Ainda arranjam para aí um conflito diplomático, com as tropas de choque do nosso primeiro a gritarem contra a intromissão na política e assuntos internos de um país soberano há (quantos são?) séculos, e a voltarem a mudar o hino para «Contra os bretões, marchar, marchar!»...
O que a gente se vai rir...
segunda-feira, 15 de dezembro de 2008
sexta-feira, 14 de novembro de 2008
Portugal Moçambicaniza-se (IV)
O ministro respectivo desvalorizou a questão e, pouco depois, o Secretário da propaganda do partido governamental veio dizer que os motins tinham sido orquestrados por uma "Mão Invisível".
A 8 de Novembro de 2008, Lisboa foi sacudida pela segundo manifestação esmagadora de professores em poucos meses. 4 profs em cada 5 protestaram na rua contra a política do ministério da educação. A ministra desvalorizou. Dias depois, estudantes receberam a ministra com ovos em Fafe e, como seria de esperar, a coisa foi imitada em Lisboa, na primeira oportunidade.
O equivalente português do Sr. Macuácua, o porta-voz do PS Vitalino Canas, vem dizer que os protestos são "desacatos que nos parecem muito orquestrados, muito instrumentalizados, talvez por alguns radicais e alguns professores".
Depois do apoio a empresas privadas para garantirem o policiamento público, do epíteto de "negativismo, maledicência e bota-abaixo" a todos os que não viam o futuro tão risonho como o nosso primeiro, e depois de plagiarem o slogan de Armando Guebuza e da Frelimo, já não me restam dúvidas:
O nosso primeiro e o seu partido estão tão incrivelmente preocupados com o meu bem-estar pessoal que decidiram fazer tudo para que eu não sinta choques e dificuldades de adaptação, ao transitar entre Portugal e Moçambique! É a única explicação possível.
Sendo assim e já agora, nosso primeiro, torne a semelhança ainda maior: com a maior rapidez, demita a ministra e aproveite para mandar também borda fora alguns dos seus colegas mais inconvenientes.
Sei lá... Olhe: por exemplo aquele ex-chefe da secreta que não consegue dirigir forças policiais às claras, ou aquele outro que aprendeu com ele e acha normal autorizar devassas ilegais de correspondência electrónica, ou o ex-banqueiro que fez procurador pessoal um alto quadro do BP que devia fiscalizar o seu banco e, já ministro, o nomeou para a Autoridade da Concorrência.
Oh, homem... você é que sabe. Tem muito por onde escolher.
quinta-feira, 13 de novembro de 2008
sábado, 8 de novembro de 2008
Obama, Madam & Eve
(Desculpem lá a demora, mas foi hoje a primeira vez que passei no Madam & Eve desde a eleição. Cliquem para aumentar.)
Pontos de vista - 2
Diz uma socióloga que virou ministra, ao confrontar-se com uma manifestação de 120.000 professores contra a sua política educativa:
- Isto é porque os professores não querem ser avaliados.
Pontos de vista - 1
quarta-feira, 5 de novembro de 2008
Longe da mudança
terça-feira, 4 de novembro de 2008
Intuições
Nunca percebi porquê, até me ter cruzado há dias com esta imagem, no blog do Patrick.
Está tudo explicado.
domingo, 2 de novembro de 2008
A família Sousa vai pagar os calotes
Já se ouviam zunzuns acerca do assunto, desde que o Costa da fabriqueta de velas da esquina ao fim da rua tinha ameaçado despedir produtores de cera nos ouvidos se tivesse que lhes subir o salário mínimo, que o Silva do talho tinha dito que, com os calotes dos Sousas, não havia negócio que aguentasse no bairro, e que o próprio patriarca Sousa tinha reconhecido, ao mandar abaixo um abafado a crédito lá por volta de sexta-feira, que os donos do talho, da mercearia, do café, da boutique, da retrosaria, da loja de fancaria, da casa de meninas, da sapataria e do minipreço (para não falar do canalizador por conta própria e do trolha reconvertido em empresário de mão-de-obra importada) tinham razões de queixa dos calotes familiares.
Agora, segundo anunciou o genro do velho Sousa à hora da bica com cheirinho na tasca do Asdrúbal, a família há de arranjar maneira de os calotes serem pagos. E jura pelas alminhas que os calotes futuros serão pagos com uma pressa do Hamilton ou do Massa, conforme os gostos - embora, nestas questões de arame, o pessoal do bairro prefira massa viva a conversas de cámones.
O Rodrigues da ourivesaria, com um calote único mas gorducho que já tinha 16 anos de idade, começou aos pulos de alegria. Os outros, contudo, ou estavam a jiboiar os respectivos cozidos ou a curtir os digestivos - tarefa árdua, já que o Asdrúbal, à conta dos dívidas dos Sousas, tinha importado lá da santa terrinha um bagaço marado que não dava saúde a ninguém.
Chato mesmo, foi a sogra do Sr. Sousa, a D. Manuela, ter entrado tasca dentro a mandar vir. "Irresponsáveis!", clamava ela, "Primeiro, aumentaram a semanada aos putos, que agora até já dá para o lanche, em vez do pirolito. Depois, não anularam encomendas de obras lá para casa, o que só benificia as economias caboverdiana e ucraniana (esta é sic, mesmo). Agora, querem pagar o que devem?"
Felizmente, por essa altura, a clientela da tasca ou estava a jiboiar, ou a vomitar o tal bagaço, ou a pensar, frente à imagem da Virgem Maria: "Será que os cámones votam no preto bonitão, ou no bimbo com a caixa-de-óculos beata a tiracolo?"
domingo, 19 de outubro de 2008
Porno-antropologia?
Eu bem sei que há quem considere que este clássico do tio Malinowski é um livro pornográfico. Mas, enfim... há passagens de outro clássico, a Biblia, que o batem aos pontos.
Também sei que o mundo é muitas vezes obsceno e que a gente o estuda.
Mas... linkado num site especializado em porno?! Será uma tomada de posição epistemológica?
sábado, 18 de outubro de 2008
Natureza da cultura
segunda-feira, 13 de outubro de 2008
Eu cá prefiro o IgNobel
Quando os líderes não têm juizo...
... até o bebé chorão ganha com um Renault.
Entretanto, o Hamilton acha que ameaçar um adversário de despiste e bater-lhe mesmo deviam ter punições diferentes...
E o Massa acha que acertar em cheio em alguém que o ultrapassou não deve ser punido, porque jura pelas alminhas que nem foi de propósito. E até deve ter razão, porque quando abalroou o Bourdais este é que foi punido...
É verdade que as contas para o campeonato ficam emocionantes.
Mas tudo isto me começa a tirar a vontade de ver mais algum Grande Prémio este ano.
nota: a foto é de um plenário sindical lá na Renault. Como se vê, em grande unidade de esquerda trazida pela crise, pois o senhor do fato-macaco (do PS a julgar pelo punho esquerdo), está a apoiar a mesma proposta que os outros (que, pelo punho direito levantado, são comunistas). O director (à esquerda, em baixo) também está eufórico, embora preocupado com a carteira e um bocado à rasca por se fazer passar por vermelho; por isso, algo me diz que devem ter decidido mais uma nacionalização dos prejuizos.



















