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domingo, 27 de abril de 2008

Moçambique na «Análise Social»

O próximo número da Análise Social, a mais antiga revista portuguesa de ciências sociais, será um temático dedicado a Moçambique Actual - Continuidades e Mudanças.
Após a Apresentação do volume pela pena do seu editor (este vosso criado), poderão descobrir os seguintes artigos:

Paulo Granjo: Dragões, Régulos e Fábricas - espíritos e racionalidade tecnológica na indústria moçambicana
Brigitte Bagnol: Lobolo e espíritos no sul de Moçambique
Sofia Aboim: Masculinidades na Encruzilhada - hegemonia, dominação e hibridismo em Maputo
Emídio Gune: Momentos Liminares - dinâmica e significados no uso do preservativo
Jason Sumich: Construir uma Nação - ideologias de modernidade da elite moçambicana
Fernando Florêncio: Autoridades tradicionais vaNdau de Moçambique - o regresso do indirect rule ou uma espécie de neo-indirect rule?
Harry West: «Governem-se a Vocês Próprios!» - democracia e carnificina no norte de Moçambique
Albert Farré: Vínculos de Sangue e Estruturas de Papel - ritos e território na história de Quême, Inhambane
João Pereira: «Antes o “diabo” conhecido do que um “anjo” deconhecido» - as limitações do voto económico na reeleição do Partido FRELIMO

Disponibilizarei em breve os resumos dos artigos, para vos aguçar o apetite.

terça-feira, 22 de abril de 2008

Lobisomem da semana

Esta semana, aqui, a fascinante história peri-urbana do cão assassino que afinal não era cão mas uma feiticeira, como na telenovela brasileira, e afinal era cão e não era assassino, mas mesmo assim morreu assassinado.

Interessados?

domingo, 20 de abril de 2008

Gémeos, albinos e desaparecidos - um apelo

Antes de afixar o último post da série Poder, Morte e Linchamentos (que ainda precisa de umas "limadelas"), deixem-me fazer um apelo aos leitores e bloguistas:

Estou a escrever um artigo para um livro colectivo, acerca da relação simbólica que existe em Moçambique entre os gémeos, os albinos e os presos políticos desaparecidos - no período colonial, ou depois disso.
Disponho de materiais para analisar, de terreno ou bibliográficos, que parecem ser mais do que suficientes. Mas diz-me a minha experiência que, nestas coisas, quanto mais melhor; um pequeno pormenor, numa história aparentemente inócua ou redundante, pode sempre abrir mais uma porta para interpretar de forma mais completa um determinado tema.
É por isso que apelo a que, manejando nós esta tecnologia dos blogs e internet, experimentemos uma nova forma de trabalho antropológico:

Peço a quem conheça histórias envolvendo gémeos, albinos, ou pessoas desaparecidas que foram presas pela PIDE, mandadas para o Niassa ou raptadas durante a guerra (e, sobretudo, sobre o que aconteceu aos seus corpos, sobre como eram tratadas as suas mães e sobre trovoadas que tenham acontecido), que as conte.

Não têm que ser histórias provadamente verdadeiras. Podem ser "diz-que-disse" ou "as pessoas acreditam que" pois, para o estudo de representações sociais, o seu valor é igual ao de verdades documentadas.
Seria bom que, ao fazê-lo, dessem o vosso contacto, para podermos esclarecer depois pormenores que sejam necessários. Mas peço que, se não o quiserem fornecer, indiquem pelo menos o vosso nome, mesmo que seja um pseudónimo - para poder agradecer-vos no artigo.

Afinal, as ciências sociais são sempre um produto colectivo.
Mesmo aqueles autores que se acham tão geniais que pensam nada deverem aos que os antecederam têm que reconhecer uma coisa: aquilo que sabem e as análises que fazem, por extraordinárias que sejam, têm como base o conhecimento, as interpretações e a inteligência de muitas outras pessoas - mesmo que se tenha a arrogância de chamar a essas pessoas "objectos de estudo".
Por isso me atrevo a fazer-vos este pedido.

Peço também aos bloguistas de/sobre Moçambique que divulguem este apelo, para que ele possa chegar a mais pessoas.

domingo, 9 de março de 2008

Bute aí curtir tradição!

Com a divulgação deste acepipe antropológico e o convite a que o comentasse, o Carlos Serra encomendou lenha para eu me queimar.

Deixei o meu comentário aqui, que é também o melhor sítio para deixarem o vosso.

quarta-feira, 30 de maio de 2007

Dragões, Régulos e Fábricas

Figura 1 - Ruínas do Hotel Quatro Estações


Este é o tal artigo do dragão agora homeless, de que divulguei o extracto inicial uns posts mais abaixo.

Sairá num número temático sobre “Moçambique actual, continuidades e mudanças” da Análise Social, a publicar no segundo trimestre de 2008 e editado por este vosso criado.
Na altura deverá ter alterações, quer pelas sugestões que chegarão de colegas a quem pedi uma leitura crítica, quer pelas exigências de peers reviewing a que também os editores se submetem (somos uma revista séria, que raio!).

Aceitam-se também críticas de bloguistas, aí na caixa de comentários. Já agora, identifiquem-se, para eu poder agradecer na versão final do artigo.

Leia "Dragões, Régulos e Fábricas"

Saúde, doença e cura em Moçambique

Farmácia popular, bairro da Machava, perto de Maputo


É um artigo que repega algumas coisas de outros, em posts mais antigos.
Essas partes serão repetitivas, para quem já conhece. Não obstante, a perspectiva a partir da qual a questão é tratada é diferente, havendo bastantes dados inéditos e reflexões novas.
Sairá no livro Migração, Saúde e Diversidade Cultural, que foi organizado pela Elsa Lechner. Para ela, um abraço.

Leia "Saúde, doença e cura em Moçambique"

domingo, 15 de abril de 2007

Dilemas holandeses

Também pela Holanda as leis anti-tabagistas importadas de Bruxelas vão atacando.
Na terra dos coffee shops, inventados para separar o comércio e consumo da canabis do das outras drogas e para o pessoal mandar as suas fumaças ali, em vez de na rua, preparava-se a proibição total de consumo de tabaco em estabelecimentos de restauração.
A coisa ia de vento em poupa, de forma até um bocado acrítica para os hábitos locais de cidadania, até alguém se lembrar de fazer uma pergunta que deixou embaraçados os legisladores mais apressados:

«E nos coffee shops como é que é? Só é legal fumar um charro se não se lhe misturar tabaco?»

domingo, 4 de fevereiro de 2007

Interrogações sobre a globalização no quotidiano

in Vértice, 90 (1999)

A palavra “globalização” tornou-se parte integrante do nosso discurso corrente. Aparentemente, é clara, tal como clara parece ser a existência de um processo novo e actual que através dela designamos. É também uma ideia comum (mesmo que aceite de forma implícita) que ela conduz a uma uniformização cultural à escala planetária.Esta aparente clareza suscita e merece algumas interrogações.Tendo como pano de fundo o impacto da globalização no quotidiano, irei aqui discutir implicações dos fenómenos de contacto e troca cultural, questionando qual o poder uniformizador da globalização e em que medida ela é (ou pode ser) manipulada pelas culturas não hegemónicas. Antes, sugerirei que nos interroguemos a que ponto e em que acepção é a globalização actual diferente em grau ou em qualidade de fenómenos anteriores.

Leia "Interrogações sobre a globalização no quotidiano"

Quando a Identidade é um Perigo - mutações identitárias na refinaria de Sines

in Etnográfica, VI, 1 (2002)

Pode uma mutação nas identidades socio-profissionais tornar-se um factor de perigo industrial? Inesperadamente, sim. Um grupo de trabalhadores fulcral na refinaria de Sines, o dos “operadores de consola”, está em pleno processo de recusa de uma identidade “operária” e de construção de uma alternativa. Busca-a por oposição a outro grupo, considerado indiscutivelmente operário, e enfatizando as vertentes técnica e hierárquica das suas funções. Ao fazê-lo, distancia-se da visão não-probabilística do perigo e do quadro de representações e valores que os operários inculcam nos novatos, e que servem depois de base aos mecanismos de precaução que aplicam e à neutralização de outros factores sociais de perigo. De um obstáculo à indução de perigos acrescidos, os operadores de consola parecem estar a tornar-se, por este processo, num factor que a favorece.

Leia "Quando a Identidade é um Perigo - mutações identitárias na refinaria de Sines"

A Mina Desceu à Cidade - memória histórica e a mais recente indústria moçambicana

in Etnográfica, VII, 2 (2003)

A recente implantação em Moçambique de uma grande fundição de alumínio, com tecnologia de última geração, não tinha à sua espera um vazio conceptual acerca do trabalho e dos seus perigos. As referências para a interpretação popular e operária desta fábrica - a Mozal - não vieram contudo das indústrias já existentes, mas da memória histórica acerca do trabalho mineiro na África do Sul, que se sucede desde há mais de um século. Essa memória modela não apenas a imagem pública da empresa mas, com base nela, a própria avaliação que os operários fazem dos perigos laborais e do seu trabalho. Como consequência, perigos concebíveis como semelhantes aos do trabalho nas minas são enfatizados e objecto de cautelas aparentemente excessivas, enquanto diminui a vigilância para com os restantes. Também o emprego é visto, à imagem da migração mineira, como uma situação transitória e bem paga, destinada a criar condições para uma vida melhor, noutro lugar.

Leia "A Mina Desceu à Cidade - memória histórica e a mais recente indústria Moçambicana"

Working at Mozal: the construction of a “border culture”

Comunicação à conferência "Re-thinking worlds of labour. Southern African labour history in international context", Wits University, Joanesburg (2006)

Leia «Working at Mozal: the construction of a 'border culture'»

Limpeza ritual e reintegração pós-guerra em Mozambique

in Análise Social, 182 (2007)

A eficaz reintegração social dos veteranos e de outras pessoas envolvidas na guerra civil de Moçambique foi inseparável da performance generalizada de rituais de limpeza, descritos no artigo. A eficácia desses rituais, reinventados nas últimas décadas, deve-se em grande medida à coerência que mantêm com os sistemas locais de interpretação do infortúnio, com o problema que pretendem resolver e com procedimentos previamente conhecidos e respeitados. O seu papel superou a reintegração individual, tendo contribuído para a aceitabilidade dos antigos inimigos enquanto «pessoas como as outras» e da competição democrática por meios pacíficos, em substituição do confronto militar.

Leia «Limpeza Ritual e Reintegração Pós-guerra em Moçambique»

Read shorter version in English «The Homecomer: postwar cleansing rituals in Mozambique», in Armed Forces & Society, 33, 3 (2007)