terça-feira, 20 de maio de 2008

Xenofobia mata em Joanesburgo

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Na última semana, uma onda de violência xenófoba em Joanesburgo (contra zimbabuéanos, moçambicanos e malauianos acusados, paradoxalmente, de responsabilidade no aumento do crime e de "roubarem" os empregos) lançou o terror nos bairros mais pobres e provocou já 24 vítimas mortais.

Sendo grave e preocupante em qualquer lado, isto suscita sentimentos terríveis quando pensamos que se passa no país que sofreu décadas com o apartheid - estranhamente, declarado em nome do "Grande Arquitecto do Universo", facto pouco estudado mas que qualquer um pode confirmar ao visualizar o discurso, no Museu de Apartheid.

O comics Madam & Eve de hoje mete, como tantas vezes acontece, o dedo na ferida: como é fácil reproduzir, para os outros, aquilo que de pior vivemos e nos fez revoltar, mas se tornou uma referência, consciente ou não.
Um assunto a merecer estudo e reflexão. No fim de contas, não é apenas no Moçambique independente, no Israel que se sente acossado, ou nos bairros sul-africanos a caminho do desespero que encontramos este fenómeno.

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Vocês são o máximo!

Há 2 meses atrás, a minha senhora (que ela é que percebe destas coisas) mostrou-me como instalar as estatísticas do Blogger. É uma boa altura para um balanço a vosso respeito.

Nestes 2 meses, vocês foram 1.117 visitantes, vindos sobretudo de Portugal e de Moçambique, mas também de 45 outros países ou territórios autónomos (neste último caso, Macau e Hong Kong). Entretanto, o número de pessoal do Brasil tem vindo a subir rapidamente e já passaram dos 6%.

Entre vós, 744 são "clientes regulares" - quase 2/3 - que aqui vieram em média 6 vezes.

O que mais me faz sentir honrado com a vossa atenção, no entanto, é que 12,5% dos que aqui voltam (93 pessoas) fizeram downloads dos artigos que disponibilizei - contabilizando apenas os que estão no site que me fornece estatísticas.
Não sei como é que é a "freguesia" de outros blogs, mas parece-me que vocês são o máximo!

Aqui entre nós, que ninguém nos ouve, só me custa perceber porque razão é tão raro deixarem comentários...

24/5: Bem-vindos, visitantes da Irlanda e Bulgária. 26/5: e das Filipinas. 28/5: Tudo bem, Malásia e Singapura? 30/5: Olá, Turquia. 4/6: É uma enorme alegria para mim, Cabo Verde. 7/6: Olá, Polónia. 23/7: um abraço, São Tomé e Príncipe, Nova Zelândia e Japão.

sábado, 17 de maio de 2008

Está tudo doido!

Talvez tenha acordado mal disposto, mas...

A ASAE anda a tratar as instituições de solidariedade social como se fossem restautantes (cujas novas legislações já são o absurdo que se sabe), obrigando a deitar fora comida que tivesse sido oferecida ou que tivesse sido congelada em arcas frigoríficas, em vez de uns tais de "túneis de congelação" ultra-rápida.

O Banco de Portugal promove por mérito um alto funcionário cujo mérito para a instituição, nos últimos 8 anos, é estar de licença sem vencimento.

Mugabe admite que o resultado das eleições presidenciais «foi desastroso» (que estranho!), diz que a culpa é do seu partido, que andou a descansar (veja-se aqui o descanso deles) e acusa a oposição de andar a aterrorizar as zonas rurais (olha lá aqui...), e a notícia sai assim, sem sequer um comentáriozito e com o título que destaquei como link.

Do mal o menos. Este louco desenhado pelo Picasso sempre consegue ser belo.
E esta noite vêm três bons amigos jantar cá a casa. Talvez me levantem o moral.

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Tudo normal

No Zimbabwe, continuam e generalizam-se os assassinatos e agressões a votantes da oposição (ou deveríamos dizer "da maioria"?), agora comandados abertamente por altas patentes militares.

Thabo Mbeki, a quem o seu próprio partido cortou as vazas para se eternizar na presidência da África do Sul à custa de uma alteração da constituição, vai continuando a visitar Mugabe e a fazer de conta que é mediador de alguma coisa.

Em Moçambique, cujo estado mantém um silêncio cúmplice acerca da questão, o jornal Savana denuncia hoje tudo isto.

Na imprensa portuguesa, só vou encontrando isto e isto.

Já que vocês têm acesso à internet, não esqueçam de todo a coisa, vão-se mantendo informados. Sei lá, por exemplo aqui.
Ou, se não querem, deixem-se estar. «Afinal,» pensarão alguns de vocês, «são apenas pretos.»

Moçambique Actual - continuidades e mudanças

Já está a imprimir o número da Análise Social sob o tema «Moçambique actual - continuidades e mudanças», a que aludi aqui.

O texto de introdução ao volume encontra-se aqui.
O índice e resumos (português e inglês) estão disponíveis aqui.

Boa leitura, enquanto não sai o volume.

Isto está a ficar patético...



Se quer penitência, vá de joelhos a Fátima, ou pague a multa!

Não faça é de nós parvos!

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Quando for grande, quero cagar na lei

A história conta-se depressa:
No seu voo fretado para Caracas, o nosso primeiro, o ministro Pinho e as hostes respectivas fumaram os cigarrinhos que lhes apeteceram, apesar da proibição de fumar no avião, que não é (hoje) uma picuinhice da TAP, mas uma Lei da República Portuguesa.
O mesmo parece acontecer nas deslocações oficiais do homem de Boliqueime e não imagino que o vôvô Soares e os seus "senadores da república" agissem de forma diferente.
Curiosamente, o Público precisou de entrevistar dois constitucionalistas para ter a certeza de que isso é ilegal, embora comum entre essa gente do poder.

Ponto prévio:
A proibição de fumar em aviões não é uma medida de saúde pública. É uma medida económica que põe em risco a saúde pública.
Com essa proibição, as transportadoras aéreas puderam deixar (e deixaram) de fazer renovação de ar na cabine, poupando milhões em combustível, mas obrigando os passageiros e trabalhadores a partilharem alegremente o mesmo ar saturado e os virus e bactérias de cada um, ao longo de toda a viagem.

Desconfio que os legisladores não serão mais estúpidos ou desinformados do que eu.
Mas, soubessem-no ou não e tivessem ou não pensado nas consequências das suas decisões, fizeram-no - e todos são obrigados a suportar as consequências daquilo que eles decidiram.
Menos, "claro", os próprios...

Haverá quem diga (já por outras palavras o li, a respeito deste assunto) que o mais grave é estar um primeiro-ministro a projectar a imagem de que as leis não são para respeitar, desde que se tenha o poder e estatuto para isso. De que se vai para a política porque «quando for grande, quero cagar na lei».
Não creio que o mais grave seja essa imagem. O mais grave é o facto de sermos governados por gente que pensa e age dessa forma. E acha isso normal.

E esse outro facto, de que outros governantes, noutros países, fazem bem pior e em relação a coisas bem mais graves, só serve de atenuante para mentalidades pequeninas como as que nos governam e as que, nas mesmas circunstâncias, gostariam de fazer o mesmo.
Com o mal dos outros podemos nós bem.

terça-feira, 13 de maio de 2008

Está tudo explicado!

(Mail & Guardian, 9/5)

Fez-se finalmente luz sobre as razões para os atrasos na divulgação de resultados eleitorais no Zimbabwe, para os recontarem sem eles serem públicos e, sobretudo, para não se saber quando (e se) haverá a segunda volta das presidenciais.

Afinal, a culpa não é da política, é da economia.
Com a hiperinflação local, a Comissão de Eleições está sem cheta.

Como é que os pobres homens podiam fazer um trabalho em condições?

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Reflexões ociosas - 2

Não "fica na história" quem está obcecado com isso, mas quem age para a mudar - mesmo que isso signifique tentar impedir que ela mude.

Na história da ciência, contudo, o espaço destes últimos costumam ser as páginas de anedotário.

domingo, 11 de maio de 2008

Roubado ao João Feijó

- (jornalista) O que queria que acontecesse depois das eleições?
- (vendedor) Queria que houvesse paz, que não houvesse guerra. Que houvesse emprego. Que houvesse mudanças.
- (jornalista) Que mudanças queria que houvessem?
- (vendedor) Queria que as mudanças mudassem.


Delicioso na sua clareza, não é?
No "Vou pra casa mas não é pra já", que um comentário do João Feijó a este post me deu a conhecer.
Vão lá ver.

Algo de novo em Cuba

Quando a filha do chefe, que "não faz política" mas dirige calmamente uma instituição oficial de âmbito cívico, vem dizer a jornais estrangeiros que os cubanos devem poder sair livremente do país, isso não é a mera constatação de uma evidência, uma acaso, ou muito menos uma rebeldia da senhora.
É um anúncio oficioso, feito uns tempos antes da sua concretização.

Com demasiada frequência, a caturrice e a crença de que ser libertador legitima tudo, e para sempre, leva a coisas muito difíceis de compreender (e mais ainda de aceitar) pelo comum dos mortais.
Veja-se a atitude das lideranças da África austral para com Mugabe.
Veja-se a recusa da Frente Sandinista em realizar as eleições que o seu programa previa e que teria ganho "na boa", nos idos de 1980.

São coisas com custos muito altos. Mais ainda do que para "a causa", para as pessoas cuja libertação (e, logo, liberdade) justificaram e justificam essa causa.
Mas são coisas que dão sempre para justificar, com base numa qualquer retórica muito convincente. Como, em última instância, se pode fazer com tudo.
E a justificação retórica do injustificável cria um círculo vicioso, onde mandam a necessidade de coerência com o que foi dito e a reacção, quantas vezes repressiva e imitadora de outros tempos, ao desencanto desses ingratos que libertámos e que acham que isso de controlo e restrições de todo o tipo não são bem uma libertação.

Por vezes, o círculo vicioso pode e tem que ser quebrado.
Parece-me bem que este é um sinal disso.

sábado, 10 de maio de 2008

Alguém quer olhar para os zimbabuéanos?

Soube, como muitas vezes acontece, pelo Carlos Serra: o gesso para tratar fracturas esgotou-se nos hospitais e clínicas de Harare.

Entretanto, há por vezes pessoas que nos poupam trabalho, ao escreverem aquilo que queríamos dizer. Obrigado, Machado da Graça.

(clique para aumentar)

Vem aí a segunda volta

Com uma vénia ao Zapiro e ao Savana (que o pirateou primeiro, embora continue com uma qualidade de impressão bastante errática).

Sobre o Zimbabwe, vejam aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e onde mais descobrirem.

Como é costume, clique para aumentar.

sexta-feira, 9 de maio de 2008

Plano C - uma Europa a sério

O Dia da Europa foi hoje comemorado através da promulgação do Tratado de Lisboa por Cavaco Silva.
Ou seja, foi comemorado pelo que tem de pior, ratificado da pior maneira possível, com os eurocratas a falarem grosso que não colocam a hipótese de um Plano B, caso o referendo na Irlanda dê «Não».

Também me parece que o que faz realmente falta é um "Plano C"...

Fiquei a sentir-me vaga e abstractamente federalista quando Bush Jr foi reeleito com mais votos, apesar de os votantes norte-americanos já saberem, então, que as razões para a invasão do Iraque tinham sido um embuste e que a tortura de prisioneiros se tinha tornado trivial.
Ficou então claro que princípios civilizacionais e humanitários básicos, que dávamos por adquiridos, podiam ser facilmente descartados pela mais poderosa potência mundial, sob aplauso da maioria da sua população.

Face a essa barbarização assente nos terrores securitários, o único contrapeso civilizacional e político que consigo descortinar como plausível seria a Europa.

Uma Europa com muito maior unidade e relevância na cena internacional, por outros meios que não a política da canhoeira.
Uma Europa de princípios, de liberdade, de diversidade e de democracia - começando pela democratização das estruturas políticas a nível europeu, com poder efectivo dos eleitos e o progressivo esvaziamento dos burocratas e dos indirectos representantes nacionais.
Uma Europa que assumisse a justiça social e os direitos dos cidadãos como seus valores inalienáveis.
Uma Europa que, já agora, não fechasse as suas fronteiras como uma fortaleza cercada.
E que aproveitasse para lançar a construção de um sistema de segurança colectivo abrangendo todo o Mediterrâneo, tornando obsoletos os restos da lógica de blocos militares que continua a reger o mundo.

Coisa bem diferente daquilo a que assistimos, em muitos aspectos quase inversa.
Mas coisa necessária.

Vamos discutir o porquê e o como?

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Ainda a Bolívia

coisas que se escrevem 1/3 com base em dados objectivos, 1/3 com base em conhecimento da situação regional - que permite dar sentido a esses dados - e 1/3 com base naquilo a que podemos chamar feeling, por ser resultado dos dois anteriores mas não o conseguirmos racionalizar, tal como acontece com os saberes do corpo.

Fiquei muito preocupado com este outro texto acerca da situação na Bolívia. Não porque tome por valor facial a interpretação que faz ou o discurso panfletário que o acompanha, mas porque o primeiro terço das minhas preocupações - o dos dados objectivos - sai dele reforçado.

Dêem uma vista de olhos. Preocupem-se, se acharem que vale a pena. Pensem em qualquer coisa que valha a pena fazer, se acharem que vale. Eu acho.

Globalização e sardinhas assadas

Sei a razão técnica, mas continuo a espantar-me com o facto:

Por que raio é que as sardinhas congeladas que asso em Maputo, pescadas por barcos portugueses algures no Atlântico norte, são melhores do que as sardinhas frescas que compro em Lisboa?

Agora é uma estátua

Pronto, menti no post anterior. Não resisti a esta:

Entusiasmados pelo voto de pesar do parlamento, agora há quem queira erguer uma estátua ao Cónego Melo .

Deixo aqui a minha proposta:

Vão chatear o Toix!


Deprimido com os resultados, algo esperados mas esmagadores, da experiência antropo-bloguística que fiz ontem e de que vos dou conta no post anterior, hoje meto folga da blogosfera.

Aproveitem para ir visitar o Toix, no Lusofolia.

Pings, links, Portugal e o mundo

O post "Independência latifundiária", acerca do referendo separatista na região mais rica da Bolívia, foi por mim linkado no site do jornal Público.
No dia seguinte, suponho que a partir daí, foi transcrito por um site de imprensa internacional, de onde seguiu para outro e para um site político. Como acontece com todos, tinha também sido afixado no Ma-blog.

Em 3 dias, recebeu 117 visitas directas, oriundas de 15 países (ontem, eram 102, de 13 países). A maioria, parece-me, de pessoas que nem sequer falam português, mas procuraram mais informação.

O assunto abordado no post parece, assim, ser merecedor de algum interesse.
Não obstante, só 4 visitas vieram através do Público e poucas mais de Portugal.

Face a estes números, decidi ontem fazer uma experiência antropo-sociológica: linkei no Público o post "Pecados pesados", relativo a um atropelamento de peregrinos a caminho de Fátima, mas com um título que sugere umas graçolas irreverentes acerca do assunto.

1 dia depois, esse post recebeu (curiosamente) também 117 visitas directas. Delas, 114 vieram através do Público.

Deixo os comentários a vosso cargo. Eu, fico-me por aqui a ouvir que "Cá se vai andando, com a cabeça entre as orelhas".

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Pecados pesados

Nove peregrinos de um grupo de Cabeceira de Basto foram hoje atropelados na EN1, em Vergada, freguesia de Santa Maria da Feira, a caminho de Fátima.

Suponho que este senhor irá comentar, na sua próxima crónica, que os pecados deles eram demasiado pesados.