quarta-feira, 11 de junho de 2008

Ó p'ra mim a gritar «Portugal!»

3 a 1 bem merecidos.

Entretanto, o homem atropelado ontem não era, afinal, um camionista, mas o proprietário de uma empresa de camionagem.

Isso nada retira ao pesar pela sua morte, ou ao seu absurdo. Mas, pelo menos, morreu pelos seus interesses e não pelos do patrão.
Aqui me corrijo, pelo erro induzido por aquele jornal de referência para quem é tudo a mesma coisa.

O governo, entretanto, continuou negociações e chegou a acordo com uma associação patronal abandonada (tacticamente?) pelos seus sócios.
Só os sindicatos que põem em manifestações de rua mais de metade dos trabalhadores do seu sector são, ao que parece, socialmente irrelevantes.

Hoje não há bloqueios de estradas

(clique para aumentar)

Notícias relacionadas: aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

Bola aqui, aqui e aqui. Bibó!

terça-feira, 10 de junho de 2008

A concorrência mata

De repente, sinto-me mais seguro em Moçambique, mesmo com o barril de pólvora do Zimbabwe ao lado e a xenofobia sul-africana em baixo.

A uns milhares de quilómetros de distância, saber que há bloqueios de estradas em que um homem é atropelado mortalmente por se tentar agarrar a um camião em andamento (certamente para lhe perguntar, como diz o líder da barragem, «se desejava aderir à paralização», e não para lhe mandar uma mocada na cabeça, ou coisa que o valha), numa acção de protesto de empresas de camionagem que também usam os empregados como carne para canhão, suscita-me analogias que me recuso a escrever aqui.

E choca-me que, no meio deste impune lock-out, em que empresários apedrejam, intimidam, desviam e agridem (directamente ou através dos seus assalariados, que agora até morrem) os empregados da concorrência que não adere à sua paralização, o primeiro-ministro que conhecemos fale de «direito de manifestação», mas sem «danificar propriedade alheia» e promete «a ajuda que puder».

Uma analogia, no entanto, não posso calar. A Primeira Guerra Mundial (ou, se preferirem outra mais próxima, as Guerras Coloniais/De Libertação).

Porque, sobretudo, há que dizer:
Coitado do homem que morreu a defender os interesses do patrão!
Coitado do homem que o matou, a defender, mais do que o coiro, o camião e a entrega do patrão!

Nova Constituição?

Está a levantar justificada celeuma o lapso freudiano de Cavaco Silva, ao chamar «Dia da Raça» ao 10 de Junho, como nos tempos da outra senhora.

Bem... Não se abespinhem tanto.
Quando se elege para Presidente da República um político que justificou o facto de nunca ter levantado um dedo ou uma palavra contra o fascismo por «ter que trabalhar» ("a minha política é o trabalho"), coisas destas podem acontecer.

Mas vi aqui uma coisa que poderia ser a solução para este tipo de problemas.
Em 1926, um historiador brasileiro propôs uma Constituição com um artigo único:

«Todo brasileiro fica obrigado a ter vergonha na cara.»

Bastaria substituir "brasileiro" por "português".
E daí, talvez não. Parece que este pessoal do poder não é muito de cumprir leis.

35 anos de atraso

Para matar as saudades do presidente do meu país, que ainda julga que hoje é o "Dia da Raça", aqui deixo a Valsinha das Medalhas, de Carlos Tê e Rui Veloso.

Já chegou o 10 de Junho
O dia da minha raça

Tocam cornetas na rua
Brilham medalhas na praça

Rolam já as merendas
Na toalha da parada
Para depois das comendas
E ordens de torre-e-espada

Na tribuna do galarim
Entre veludo e cetim
Toca a banda da marinha
E o povo canta a valsinha

Encosta o teu peito ao meu
Sente a comoção e chora
Ergue um olhar para o céu
Que a gente não se vai embora

Quem és tu donde vens
Conta-nos lá os teus feitos
Que eu nunca vi pátria assim
Pequena e com tantos peitos

Já chegou o 10 de Junho
Há cerimónia na praça
Há colchas nos varandins
É a guarda que passa

Desfilam entre grinaldas
Velhos heróis de alfinete
Trazem debaixo das fraldas
Mais índias de gabinete

Na tribuna do galarim
Entre veludo e cetim
Toca a banda da marinha
E o povo canta a valsinha

Encosta o teu peito ao meu
Sente a comoção e chora
Ergue um olhar para o céu
Que a gente não se vai embora

Quem és tu donde vens
Conta-nos lá os teus feitos
Que eu nunca vi pátria assim
Pequena e com tantos peitos

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Patrões são outra loiça

Vai caricato o lock-out de parte dos patrões da camionagem.

Piquetes de "greve", com ameaças de apedrejamento, violência física e danos nas viaturas de quem não quer paralizar.
Com a falta de «apoio generalizado da classe», ameaças de que irão «entupir completamente Lisboa e Porto» e declarações de que não vão «incendiar camiões e pontes como os espanhois mas temos que vencer esta luta» - que são, elas próprias, ameaças de que o poderão fazer. Mesmo que talvez mais do estilo "agarrem-me se não vou-me a eles!".

Que faz o nosso primeiro, tão cioso de ordem pública e tão lesto a ordenar cargas policiais sobre, por exemplo, reais piquetes de greve frente aos aterros sanitários? Apela ao diálogo com a associação empresarial do sector, ao arrepio de todo o seu hábito e estilo, relativamente a reivindicações de trabalhadores.

Entretanto, no Público, os patrões de camionagem passaram já oficiosamente a "camionistas". Portanto, os banqueiros deverão passar, em breve, a ser chamados "bancários" no jornal.

Estou a repetir-me, mas isto é obsceno.

domingo, 8 de junho de 2008

Vá lá, amigos, não façam lock-out...

Em Portugal, os patrões das transportadoras rodoviárias preparam-se para paralizar a actividade a partir de 2ª feira.

Não é preciso ser constitucionalista para saber que uma "greve" de patrões (conhecida por lock-out) é proibida desde 1976, nunca tendo esse artigo da Constituição sido posto em causa, nas infindáveis revisões que lhe foram sendo feitas.
Parece, no entanto, que só os sindicatos se lembram desse aspecto irrelevante dessa Lei irrelevante.

O governo parece não ter ninguém que perceba de leis, nem ter centenas ou milhares de técnicos e acessores jurídicos.
Perante essa acção ilegal de patrões, limita-se a pedir-lhes uma atitude responsável, para poder continuar calmamente as negociações.

As cargas policiais, as requisições civis, os processos disciplinares, são para os trabalhadores que exerçam o seu legal direito de greve, face à arrogância negocial do patronato privado ou estatal. Para a ralé, enfim.
Ao patronato que anuncia ir quebrar a lei, pede-se paciência, que a gente lá vos dará o que vocês querem.

Isto já não é uma questão de um governo estar mais à esquerda, ao centro ou à direita.
Isto é pura obscenidade política e social.

(Entretanto, o Público on-line deu em chamar "trabalhadores" aos empresários, no título e na legenda da foto deste artigo...)

A Senhora das Especiarias

A Samya, que suponho ser brasileira vivendo na região de Paris e trabalhando no Museu do Homem (o que seria um sonho meu, mesmo detestando museus, não fosse este post dela), fechou O Labirinto de Arianna e continua no Sonhos Coloridos (fotos) e n'A Senhora das Especiarias (textos).

Deste último, transcrevo um post que dedico àqueles que sonham fazer da Europa uma fortaleza fechada e triste:

«Esta semana alguns amigos extrangeiros não europeus que vivem aqui na França receberam, assim como os franceses e outros europeus a declaração do imposto de renda. Tudo isso seria banal se não fosse por um pequeno mas decisivo detalhe: eles são clandestinos no pais e não têm a menor esperança de ser regularizados a não ser que mude o governo ou que consigam um casamento com um cidadão europeu.

Como explicar a essas pessoas, que trabalham, que têm filhos na escola mas que não são considerados cidadãos, que estão a pagar impostos que serão usados entre outras coisas para pagar aposentadorias de franceses que votaram para um candidato que prometia entre outras aberrações "expulsar todos esses extrangeiros que se aproveitam do estado social francês". Esta falando de quem cara-palida?

Estou na Europa a pouco mais de dez anos, com o passar dos anos, com a idade mais avançada e com essa experiência impagavel que é o contato com o outro eu sei que me tornei uma pessoa melhor.

Mesmo depois de todos esses anos e uma feliz regularização ainda vive dentro de mim uma rebelde passional e idealista que as vezes por cansaço ou comodismo, tenta me abandonar e eu vou la, agarro o bicho com unhas e dentes, choro e grito e peço a ela que não va, porque iria junto a minha dignidade como cidadã, minha realidade como ser humano.

Não quero viver em paz se o meu vizinho dorme com medo de ser acordado pela policia, quando o unico crime é o de ser o outro, o que assusta porque a cor da sua pele é diferente, porque se ajoelha diante de um outro deus, porque sua lingua é escrita com um outro alfabeto.

E me sinto responsavel a cada dia, porque tenho a sorte de ter um passaporte europeu e isso me faz aos olhos da lei um pouco menos diferente, um pouco menos perigosa.

Acredito piamente, que cada um de nos, extrangeiros não europeus que aqui estamos, temos que fazer tudo, o possivel e o impossivel para que esta situação mude. Não temos o direito moral de nos acomodarmos com nosso papelzinho, com nossa carta de identidade.

O outro sou eu. Ponho meus documentos, minha educação, meu tempo disponivel, a serviço de quem tem o mesmo direito mas menos reconhecimento social e civil. E tenho verdadeiro horror, desprezo e raiva de quem não faz o mesmo.»

sábado, 7 de junho de 2008

A ouvir golos em Maputo

Acabei de ouvir os 2 golos do Portugal X Turquia.

Ouvir, porque me convenci, lá por alturas do intervalo, que nem a televisão estatal moçambicana (detentora dos direitos cá no burgo) nem a RTP África ou Internacional iriam transmitir o jogo.
A primeira, deve ter achado mais importante o Suiça X República Checa, talvez pela importância da Missão Presbeteriana na história da Frelimo e da libertação nacional.
As outras, devem ter achado que não se justificava pagar à TVI para assegurar a transmissão internacional (não haverá nenhuma cláusula de interesse público nestes casos, tão perto do 10 de Junho de tanta coisa?), mantendo a habitual programação "para-emigrante-que-é-imbecil-e-quer-é-fado-e-vira" e/ou "para-preto-que-come-o-que-a-gente-lhe-der-e-que-se-lixe".

A piada é que não tenho rádio. Ouvi os golos em rádio on-line no computador - um canhão para matar moscas.
Apesar de tudo, um pouco menos ridículo do que ficar sentado frente à televisão sem imagem, a ouvir a RDP através da TV Cabo...

O drama é que não sei se os golos foram bons ou não. Só que o senhor que gritava golo berrava muito tempo, ficava a meio com uma voz aflautada e, no fim, rouca. Suponho que faz parte, quer tenha sido uma jogada histórica ou um frango num atraso para o guarda-redes.
Também não sei se o jogo foi bom ou não. Só sei que a voz dos senhores galopava, fosse o que fosse que comentassem, que se contradiziam e que não faço ideia se posso confiar naquilo que eles acham, estando eles com aquele speed todo.

Suponho que são limitações de já se ter visto, na televisão lá de casa, o homem descer na lua em 1969...

Já agora, peço a quem viu que me diga como foi.
Eu fiquei sem imagem. Como este post.

Para outra gente na minha situação, aqui estão os golos, cortesia do Ridwan. Obrigado.

sexta-feira, 6 de junho de 2008

Mais 2 autistas no clube

Ontem, mais de 200.000 pessoas manifestaram-se em Lisboa, contra a revisão do Código do Trabalho.

O nosso primeiro comentou que os números não o impressionam.
O ministro do trabalho já tinha dito que não iria alterar a lei, independentemente do número de pessoas que estivessem na manifestação.

É oficial! O autismo pega-se e já aí anda uma epidemia.
Reparem que estes dois foram infectados pouco depois de Mugabe e da Ministra da Educação.

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Citações de café (7)

- Não se preocupa que as tradições estejam a mudar?! Então o trabalho dos antropólogos não é preservar as tradições?

- Não. Os antropólogos não são geleiras de culturas.

quarta-feira, 4 de junho de 2008

As palavras faltam

A polícia zimbabuéana deteve novamente Morgan Tsvangirai.

Ouvi na CNN e não acreditei que fosse possível, confirmei e é verdade.

Faltam mesmo, as palavras. Pelo menos aquelas que possam ser publicamente legíveis.

Leiam antes as palavras da notícia e leiam outras. Por exemplo, estas, estas, estas, estas, estas, estas, estas, estas, estas, estas, estas e estas.

Linchamentos e aprendizes de feiticeiro

Carlos Serra tem vindo a divulgar as respostas de crianças de escolas primárias às perguntas (feitas numa pesquisa que coordena) sobre: (1) o que se deve fazer a um ladrão?; (2) o que se deve fazer a um feiticeiro?
A resposta que aqui reproduzo é uma das mais soft, pois aos ladrões "só" se devem cortar os dedos, e não matá-los.

Não consigo deixar de pensar numa pesquisa anterior muito "badalada", que incluía intervenção social - o mega-projecto sobre Justiça em Moçambique, tribunais "formais" e comunitários, direito local e pluralidade jurídica, coordenado há alguns anos por Boaventura Sousa Santos.

No seminário em que foram apresentados os seus resultados, alguém insistiu para que um participante no projecto dissesse também algumas palavras. A contra-gosto, o colega lá teve que reconhecer que todo o processo lhe tinha deixado mais dúvidas no fim do que no início, onde tudo parecia bonito.
E contava. No terreno, veio ter com ele um régulo, dizendo que tinham um problema criminal e perguntando como devia tratar do assunto.
- De acordo com as vossas regras e costumes. É esse o nosso objectivo.
- Está bem. Então, queimamos a feiticeira.

Assisti, um par de anos depois, ao julgamento em tribunal comunitário de um caso de violência doméstica.
Como, farta de ser agredida ao longo de anos, a mulher tinha feito da última vez o acto inconcebível de se virar ao marido, passou, em poucos minutos, de queixosa a suspeita de feitiçaria.
Reunido um tribunal especializado acerca deste novo assunto, foi também rapidamente declarada culpada, com base em meios de prova de que me recuso a falar aqui.

Há duas perguntas que não me saem da cabeça:

Qual será a contribuição (e quota-parte de responsabilidade) do projecto de Boaventura para a quase unanimidade de respostas linchatórias que a equipa de Carlos Serra está agora a receber das crianças?

Em que medida é que projectos interventivos bem intencionados, que se julgam emancipatórios e respeitadores da diferença de abstractos povos "puros", de "bons selvagens", não funcionam como aprendizes de feiticeiro com consequências potencialmente terríveis?

Nas páginas finais deste artigo, tinha feito algumas reflexões, no abstracto, acerca deste tipo de questões.
Mas o concreto doi mais. E mata.

O ministro, as praxes e os cretinos

Mariano Gago, prometeu denunciar ao Ministério Público todos os responsáveis de universidades e institutos politécnicos que pactuem com praxes violentas, mesmo que por omissão.

Só posso gritar: «Força!»

Cruzei-me com praxes na tropa, denunciei o seu carácter nefasto, degradante, perigoso e gratuíto (e vários casos concretos) no Jornal da CASMO que deus tenha e no livro Casualties in Peacetime – a study on violence and intimidation in the armed forces in Europe, em que colaborei.

Como trabalhador-estudante universitário, lá tive que pregar um par de sopapos num cretino que, depois de obrigar uma colega lavada em lágrimas mimar uma cena de sexo oral com um vibrador, a tentava forçar a masturbar-se publicamente, em cima de uma mesa no hall de entrada do Instituto.

Como professor, o único código estético que exijo nas aulas é que, para assistirem, os alunos vão lavar as palavras "puta", "paneleiro", "burro(a)", "merda de cão" ou outras que lhes tenham pintado na cara.
E, a seguir, o tema da aula torna-se os ritos de passagem, a dignidade humana, o autoritarismo, a submissão, a ausência de valores integradores positivos nas praxes académicas e a sua história - desde o código de auto-policiamento exigido aos estudantes quando, há séculos, a Universidade tinha direito privado, até um sistema de reprodução da submissão, autoritarismo e humilhação, que os próprios "veteranos" de Coimbra aboliram no seu tempo.

Não é muito, mas é o que me foi até hoje necessário.
No entanto, a própria lei me exige que, como qualquer outro cidadão, intervenha caso presencie agressões ou casos graves de coerção. Se não o fizer, não sou apenas moralmente conivente; sou criminalmente responsável por omissão de auxílio.
Para com pobres coitados que aceitem ser humilhados por cretinos naquilo que consideram uma brincadeira pesadota (e para com os próprios cretinos que foram antes pobres coitados), poderemos ficar pelo debate pedagógico ou mesmo um pontual insulto.
Mas perante acções violentas e/ou atentatórias da dignidade que caem sob alçada criminal, quem sabe, nada faz e teria poder para fazer é, também, um criminoso.

terça-feira, 3 de junho de 2008

Nem quando o gajo for Presidente!

No jogo do diz-que-disse da capital do império, tivemos hoje a notícia de que Hillary Clinton iria reconhecer a derrota nas primárias, e o seu veemente desmentido.

Lembra-me aquela pergunta que o Jon Stewart fez ao Obama, quando o entrevistou no programa:

- E acha que, depois de vencer as primárias, de vencer as eleições e de já estar na Casa Branca, vai descobrir que Hillary Clinton ainda é candidata à nomeação democrata?

- Pode acontecer...

4/6: Afinal, segundo a CNN, Obama já venceu! O que não quer dizer que Hillary Clinton não vá tentar ainda umas jogadas de bastidores, continuando o ridículo e os dirty games dos últimos tempos...

Combate à pobreza

Tractor arrasando machambas plantadas nos terrenos de uma entidade pública, sem aviso prévio a quem as plantou e cuidou, para que pudessem colher o que fosse possível.

Uma das cultivadoras, ao chegar na madrugada seguinte.

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Os brinca-na-areia

A sério. Vale a pena ver a publicidade da ESPN à selecção portuguesa para o Euro 2008.

E também o Reflexões de um Cão Com Pulgas, de onde roubei o link.

A morte que Mugabe quiz queimar

TONDERAI NDIRA - 1975/2008

Tonderai Ndira, líder do MDC na região de Harare e "recordista" de detenções e torturas sob o regime de Robert Mugabe, foi assassinado por um esquadrão da morte das forças de segurança zimbabuéanas, algures entre 14 e 21 do mês passado.

O número do jornal The Zimbabwean em que o seu assassinato era relatado (impresso na África do Sul devido à impossibilidade de o fazer com segurança no país) foi queimado junto com o camião que o transportava, por um comando claramente ligado ao regime, que igualmente agrediu o condutor e o seu ajudante.


Os líderes dos países mais influentes da região continuam a insistir nas virtudes da "diplomacia silenciosa", principal responsável por esta situação.

domingo, 1 de junho de 2008

Gémeos, albinos e prisioneiros desaparecidos



Está finalmente em fase de "acabamentos" o artigo «Twins, albinos and vanishing prisoners - a Mozambican theory of political power».

Tentarei disponibilizar logo que possível uma tradução em português.
Entretanto, aqui fica o resumo, esperando pela vossa crítica e sugestões:

Tal como era já mencionado em referências etnográficas há muito conhecidas, os gémeos e albinos são vistos, no sul de Moçambique, como o resultado e causa de calamidades cósmicas.
Eles foram atingidos por raios no útero das suas mães e secarão a terra, a menos que sejam sepultados em terreno húmido, ou simplesmente "desapareçam".
As condições especiais que são impostas às suas vidas e mortes foram extrapoladas, em décadas recentes, para conceber uma categoria inesperada de pessoas: os prisioneiros políticos desaparecidos quer das cadeias coloniais, quer enviados pelo Estado para "Campos de Reeducação" na pós-independência. Contudo, essa imagem não foi aplicada aos chamados "improdutivos" que desapareceram exilados no Niassa, durante a "Operação Produção".
As crenças acerca de gémeos e albinos foram utilizadas para expressar uma avaliação moral acerca do poder político: é socialmente ameaçador pôr em causa o poder estabelecido; mas é ilícito, para um poder legítimo, tomar decisões injustas acerca do povo que está sob sua responsabilidade.

sábado, 31 de maio de 2008

Mais 5 anos de Sócrates

Manuela Ferreira Leite ganhou, com um pouco mais de 1/3 dos votos, a liderança do PSD.

A um líder de desespero, segue-se a tentativa de reedição do "efeito Cavaco pai tirano", em versão maternal.

Há algumas diferenças.
O género é a menor delas, e só permitá atrair casos patológicos, em mulheres e homens.
Mas não há "falta de comparência" dos adversários.
Também não há um primeiro-ministro inicialmente louvado e que depois ninguém queria ver à frente, mas que teve uma saudável década de esquecimento entre a queda e a ascensão.
Há a segunda mais detestada ministra da educação (a actual, de facto, é inigualável) e uma recente ministra das finanças, caracterizada por desgraçar a economia e a vida das pessoas em nome do déficit, que deixou pior do que antes. Tudo isso embrulhdo num estilo "sou mais má que as cobras".

Ou seja, temos Sócrates como primeiro-ministro por mais 5 anos. Perdendo votos à esquerda mas ganhando-os à direita, talvez até o tenhamos com maioria absoluta.

Um visitante assíduo citou, numa caixa de comentários, um genial cínico que dizia ser a democracia o regime político que nos dá os governantes que merecemos.
Mas porra! Ninguém merece isto!