quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Serão coisas de globalização...

... mas lá que não é todos os dias que se vê uma portuguesa e uma velha curandeira moçambicana, sentadas em frente do tinhlolo, a trocarem impressões acerca das suas respectivas viagens a Veneza, lá isso é verdade.

(desenho da filhosca)

O regresso dos Pretorianos

O primeiro presidente democraticamente eleito da Mauritânia foi hoje vítima de um golpe de estado, dirigido pelo general que comandava a guarda presidencial.

Rezam as crónicas que este já tinha, há poucos dias, traído o presidente, orquestrando a demissão conjunta de 48 deputados eleitos nas suas listas.
O chefe não gostou e demitiu-o.
Ele não gostou e "demitiu" o chefe...

Depois de os pretorianos tomarem conta do Zimbabwe, a moda (re)pegou do outro lado do continente.
Mas com uma tomada de posição muito mais rápida e decente por parte da União Africana: a imediata condenação.

Entretanto, os portugueses que por lá estejam são aconselhados a dirigir-se à Embaixada de França.
A julgar pela minha experiência recente, é melhor é.
Essa, ao menos, deve estar aberta.

Menos pobres no Brasil

Pelas notícias que tinham projecção na Europa e iam chegando em catadupas, sobretudo até à reeleição de Lula da Silva, criou-se a impressão de que o seu governo era uma cambada de vendidos que se dedicavam, alegremente, a ser tão corruptos quanto conseguissem.

Foi em conversas pontuais com brasileiros vivendo no Brasil, ao acaso dos encontros entre falantes de português em aviões e aeroportos (portanto, gente com recursos e, muitas vezes, votantes de outros partidos), que fiquei a saber da enorme dimensão dos programas sociais em curso e que estes estavam longe de se retringir à distribuição de subsídios aos mais pobres.
Nessas conversas, mesmo um homem bem de direita e forte opositor do presidente acabou por trazer à conversa esses programas, como «a única coisa boa que o Lula fez», e por se entusiasmar ao descrevê-los.

Dados hoje noticiados aqui revelam uma diminuição notável do número de pobres nas principais metrópoles brasileiras. Ainda correspondem a uns obscenos 24,1% de uma população terrivelmente assimétrica, mas baixaram quase 11 pontos percentuais (e 31%) em 5 anos.

Venham-me cá falar de subsidiodependência...!


PS: a foto foi roubada, há uns tempos, do blog do Carlos Serra.

A Inhaca continua linda

Só que:

- O lodge de palhotas onde a filhosca começou a existir foi deitado abaixo.

- O dono do meu restaurante favorito foi comido por um crocodilo que também achou boa ideia mergulharem juntos.

- O burro que metia medo a toda a gente mas decidiu ser meu amigo morreu envenenado.

- A maré e os ventos decidiram estar contra nós.

- Os curandeiros tinham mais que fazer do que me aturar.

Como dizem que dizia o outro, «É a vida...»

sábado, 2 de agosto de 2008

Estímulo ao SIDA


Regressado hoje a Maputo, fui surpreendido pela faixa propagandística que atravessava uma avenida e anunciava a Semana do Aleitamento Materno, sob o muito olímpico lema Aleitamento Materno, o Caminho para a Medalha de Ouro.
O Navegador Solitário levou-me, entretanto, a um artigo do Notícias, em que se afirma que «o Governo tem como uma das prioridades promover o aleitamento materno exclusivo nos primeiros seis meses».

Confesso que não percebo muito bem o que é que há a promover, já que a quase totalidade da população pratica o aleitamento materno, quanto mais não seja por não ter acesso a outra alternativa, se a quisesse.
Será que a campanha se dirige às camadas abastadas? Mas por que a fazer, então, nos bairros populares?
Será que é uma daquelas coisas que se fazem porque há dinheiro disponível e sempre se pode dizer que se fez?

No entanto, o mais desagradável e preocupante com esta campanha não é a sua redundância, num país com tantas carências de saúde, mas algo que já aflorei por aqui:

É dito no artigo, pela voz de uma responsável governamental, que «o aleitamento materno protege as crianças de infecções como a diarreia e a pneumonia e acelera a recuperação após o parto». E é verdade.
É também dito que «o leite materno é o melhor alimento para os bebés, pois satisfaz as necessidades nutricionais completas quando dado exclusivamente até aos seis meses». E é verdade, também.

Mas outra verdade, relevante num país com uma elevada taxa de infecção por HIV, é que o aleitamento materno, por parte de mulheres seropositivas, é um dos principais factores de infecção dos filhos.
A placenta é um poderoso filtro contra o virus. Sabe-se há mais de 10 anos, por estudos realizados em diversos países, que apenas 12 a 14% dos filhos de mães seropositivas ficam infectados, caso nasçam por cesariana e não recebam aleitamento materno. Com parto natural e amamentação, estes números duplicam.

É, portanto, do mais elementar bom senso detectar tão precocemente quanto possível o HIV nas grávidas, proporcionar parto por cesariana às seropositivas sempre que tal seja possível, e fornecer-lhes condições para não amamentarem, pois a grande maioria delas não terá dinheiro para leite em pó ou conhecimentos acerca da necessidade e forma de esterilizar água e biberões.
Não, certamente, tecer loas universais ao aleitamento materno que, ainda por cima, quase toda a gente pratica.

É por isso que fiquei chocado ao ler em 1999, numa revista gratuita que por aí havia, chamada Que Passa?, um artigo daquilo que parecia ser um médico sueco, negando que o aleitamento materno aumentasse o perigo de transmissão de HIV e defendendo que o perigo estava, antes, em alternar peito e leite em pó...
Cientificamente, isso era já, na altura, uma conhecida mentira.
Eticamente, era um apelo ao infanticídio.

9 anos depois, é mais que tempo de mudar de rumo, de discurso e de práticas.
Porque, se uma Vice-ministra da Agricultura não tem obrigação de perceber destas coisas, um Ministério da Saúde tem.
Adenda - Numa calinada que demonstra que não lemos as palavras letra a letra, crismei como "Navegador Solitário" o blog do Agry White, que tem um título muito mais interessante e subtil: Navegador Solidário. As minhas sinceras desculpas ao autor.

Análise Social na TVM


Fiquei a saber que o artigo «Antes o 'diabo' conhecido do que um 'anjo' desconhecido»: as limitações do voto económico na reeleição do Partido Frelimo, que João Pereira publicou no número da Análise Social acerca de Moçambique, foi há uns dias objecto de debate televisivo.

Parece que se esqueceram foi de convidar o autor...
Assim à primeira vista, parece-me que não é apenas uma questão de boa educação.
Sei lá: às tantas, pode ser que o homem tivesse alguma coisa a acrescentar ou a esclarecer, acerca das hipóteses que avança, no trabalho que é seu. Podia ser, até, que os tele-espectadores tivessem alguma coisa a ganhar com isso.

Mas isso sou eu a falar. Eu, que não sou nem moçambicano nem programador de televisão.

Parabéns e bom trabalho

Estava eu dando uma rápida voltinha pela net, quando deparei com esta notícia de há uns dias atrás, anunciando a nova presidente do Teatro D. Maria II.

Ora foi Maria João Brilhante que me arrastou para dar a cadeira de Antropologia e Artes Performativas, na licenciatura de Artes do Espectáculo da FL-UL, que ela construiu desde o zero e dinamizou com uma mestria que faz juz ao apelido (sobrenome, para os brasileiros).
É verdade que aquilo que recebo por isso quase só paga o taxi, mas lá que é estimulante e dá muito gozo, lá isso dá. E o facto de continuar a dar a cadeira tem também muito a ver com o óptimo ambiente que foi criado entre a equipa docente.

Ou seja: não faço ideia daquilo que é preciso para se ser uma boa presidente do D. Maria; mas se bastar capacidade, empenho, profundo conhecimento do teatro e facilidade de relacionamento com os outros, ela tem que chegue e sobre.

Por isso, Maria João, um grande abraço de parabéns e desejos de bom trabalho!

quinta-feira, 31 de julho de 2008

Será uma geminação com Bazaruto?

Tenho estado fora e vou estar mais uns dias.
Entretanto, numa voltinha rápida pela net, fiquei a saber que o presidente do Dia da Raça vai interromper as suas férias para dirigir ao país, pela televisão, uma comunicação da mais alta importância nacional.
Sobre o quê? Não diz.

Suspense, suspense!
Não estivesse eu a uns bons milhares de quilómetros de distância e fora de casa à hora da falação, ser-me-ia impossível aguentar o correr deste dia de incerteza acerca do tabuzinho.

Os jornais especulam.
Irá comentar o veto do Tribunal Constitucional ao estatuto dos Açores?
Quererá o homem vetar, em nome dos honorários dos advogados e dos saudáveis valores das famílias onde ninguém se atura uns aos outros, a nova legislação que facilita os procedimentos de divórcio por comum acordo?

Cá para mim, trata-se de algo muito mais substancial.
Acho que ele vai é anunciar uma geminação entre a Vivenda Mariani e a ilha do Bazaruto.

sábado, 26 de julho de 2008

Combate à insegurança ou à imigração?

Em Portugal, a Autoridade para as Condições de Trabalho divulgou, orgulhosa, que suspendeu 1.027 obras de construção civil no primeiro semestre deste ano, tendo detectado situações irregulares de segurança laboral, pagamentos à Segurança Social e imigrantes ilegais não declarados.

Há muitas e boas razões para se estar atento às condições de trabalho na construção civil.
Esse sector é, todos os anos, o recordista nacional de acidentes mortais e de dias de baixa resultantes de acidentes, mesmo sem contar com tudo o que não é contabilizado devido a situações irregulares. E a sangria continua calmamente, de ano para ano.
Toda a inspecção e pressão para que isto se altere é, por isso, benvinda.

O que estranho é que o combate ao perigo laboral só esteja a ser feito aí.
Um levantamento nacional de higiene e segurança no trabalho, de que fui relator há já 15 anos, dava conta de um panorama assustador nas empresas com actividades consideradas mais perigosas (há alguns dados aqui, na nota 2 da página 19).
O estudo é do conhecimento da União Europeia (que o pagou) e das autoridades portuguesas, mas pouco foi feito desde então, até ao nível do mero cumprimento das regras impostas pela legislação, em muitos casos insuficiente. Até a empresa mais respeitadora dessas regras legais que conheço, a Petrogal, deixa algumas por cumprir.

Por isso, a estranheza e a pergunta:
Sabendo-se que a construção civil é, a par da hotelaria, um dos principais sectores de entrada de imigrantes no mercado de trabalho, o que é que se pretende combater através deste centramento de meios e de esforços, em detrimento de outras actividades tão ou mais perigosas? A insegurança laboral, ou a imigração?

Surf & Turf (tornedó) à alentejano em África

Moçambique tem o melhor camarão que conheço e chega-lhe, da "terra dos cunhados", óptima carne bovina. Duas boas razões para este prato, numa ocasião mais especial e em que a carteira não esteja de dieta.

Cozinhem-se 2 camarões king por pessoa, seguindo a receita do camarão à pai (camarão à antropólogo sem piri-piri).
Prepare-se, apenas em água e sal, um pouco de bucatini ou de perciateli (aqueles esparguetes grossos que têm um furo no interior).
Corte-se, transversalmente à peça de carne, um medalhão generoso de fillet mignon por pessoa e frite-se em margarina, com sal e muitos dentes de alho, cortados longitudinalmente a meio. A carne nunca deverá ficar bem passada, mas tão pouco em sangue.

Sirva-se individualmente em pratos grandes.
No centro, o fillet, rodeado por alguns alhos e por um pouco de massa, disposta circularmente. Sobre esta, deite-se um fio do molho dos camarões - que deverão ser colocados um sobre a carne e outro sobre a massa.
Na borda do prato, coloque-se um bom pedaço de folha de alface e, sobre ela, folhas de rucola, agrião e coentros, encimadas por 3 tomates daqueles redondos e pequeninos. Tempere-se com sal, limão e azeite.
No lado oposto do prato, deite-se uma gota generosa de molho de ostra.

Sugiro que sirvam antes um consommé de agrião.

Adivinhem quem serão os primeiros convidados a comer isto lá em casa, quando voltar a Lisboa.

sexta-feira, 25 de julho de 2008

HIV cada vez mais doença crónica

Já há mais de 10 anos que ouço médicos especialistas dessa matéria a defenderem que a infecção com HIV, causadora do SIDA (AIDS, no Brasil), deve ser considerada uma doença crónica em termos legais e terapêuticos, e não uma doença aguda, fulminante e terminal.
Essa posição tinha a ver com a capacidade de controlo da infecção ao longo do tempo e com o aumento da esperança de vida dos doentes decorrentes da terapêutica tríplice, que veio substituir a mera administração de AZT.

Sabe-se agora que a esperança de vida dos doentes aumentou muito desde então (mais 13 anos do que em 1996/1999).
Essa melhoria parece ter a ver com desenvolvimentos nos medicamentos e na sua forma de administração.
Há 10 anos, era impressionante ver criancinhas seropositivas a "treinarem" a ingestão de comprimidos (inertes) cada vez maiores, até conseguirem engolir coisas com o enorme tamanho dos comprimidos "a sério" - que, por vezes, chegavam a ter que tomar 20 vezes por dia. Agora, dizem, tudo se reduz a um comprimido diário e o desconforto causado pela medicação diminuiu muito. O que diminui também muito a quantidade de doentes que desistem do tratamento.

Infelizmente, estas boas notícias só valem para os países onde a disponibilidade do tratamento é generalizada e custeada pelo Estado, ou para quem tenha o (muito) dinheiro para o pagar do seu bolso.
O que recoloca a questão de decisões como a do Brasil, quanto ao pagamento de patentes no caso de doenças como esta.

Não podemos, entretanto, esquecer que muito mais poderia ser feito e não é, por incúria e/ou alegando "particularismos culturais" que nem sequer se conhecem.

Por exemplo, sabe-se também há mais de 10 anos que a percentagem de transmissão do HIV das grávidas para o bébés desce drásticamente quando se faz o parto por cesariana e quando a criança não é amamentada com leite da mãe.
É verdade que em países como Moçambique a disponibilidade de obstectras é limitada, em número e no território. Mas, por causa disso, não vale a pena adoptar esse cuidado com o parto, nos locais onde eles existem?
É verdade que leite em pó custa dinheiro. Mas é mais caro do que os anti-retrovirais, e do que o custo social e humano de ter quase o dobro de crianças seropositivas?

Mas também com os países mais pobres poderiam os ricos aprender.

Se a chamada batata africana é a base das terapêuticas "tradicionais" na África austral e efectivamente melhora a qualidade de vida e a longevidade dos seropositivos, e se foi já testado que ela não tem efeito anti-retroviral mas é um potente tónico do sistema imunitário, porque não juntá-la numa terapêutica "quádriplice"?
Haveria certamente vantagens para os doentes, por esse mundo fora. E, dos lados de cá, isso seria uma óptima legitimação moral para opções "à brasileira".


Adenda: Já agora, quem tiver interesse na questão do uso inconsistente do preservativo, suas razões e contradição com o discurso epidemiológico, dê uma vista de olhos neste artigo do Emídio Gune, publicado no último número da Análise Social, dedicado a Moçambique.

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Médicos suficientes são de mais...

Finalmente, vai entrar em funcionamento, no meu cantinho à beira mar plantado, um curso de medicina destinado a pessoas já licenciadas noutras áreas de saúde - permitindo um currículo mais curto e uma formação mais rápida, devido aos conhecimentos que já possuem.

É justo, trivial e necessário.
Como tantos outros países, Portugal tem um deficit crónico de pessoal de saúde, "justificativo" (ou possibilitador) de serviços públicos frequentemente medíocres e do pulular de medicina privada a preços proibitivos, quantas vezes com os mesmos médicos que chegam tarde e cumprem a correr os seus deveres nos hospitais.

Claro que há muitíssimos médicos extremamente conscienciosos no serviço público, capazes de milagres de eficiência no seu trabalho e no das suas equipas.
Mas o ethos profissional de impunidade, sobranceria, relaxe e mercenarização deve muito ao tal deficit crónico, mantido artificialmente pelas estruturas corporativas e pelas corporativas decisões das faculdades, na restrição do número de vagas.
Afinal, os médicos perceberam essa história da oferta e da procura e há décadas que a gerem com mestria.

Não é, por isso, muito surpreendente que o principal comentário do bastonário da Ordem dos Médicos seja de preocupação com o aumento do número de vagas.
Por essas razões económicas e de poder, ter médicos que cheguem é, para esta gente, excessivo.

E eu diria que isto é socialmente obsceno.

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Curandeiros(as) teenagers

E por falar em teenagers:

Há mais de um ano que conheço o Pedro Cossa (na foto), mas sempre pensei que fosse mocinho aí para a minha idade.
Afinal, fiquei ontem a saber que é 8 anos mais novo e que teve a doença do chamamento aos 14 anos. Aos 17, tinha acabado o curso e era já curandeiro.

Acontece. Mas surpreendeu-me mais saber que, quando ele chegou ao quintal da sua mestra para começar a aprender, havia uma miúda de 10 anos a exercer já a profissão.
E mais ainda que, hoje em dia, se tornou bastante frequente encontrar crianças de 10, 12 ou 14 anos a acabarem o curso.

Para quem não saiba, essa profissão é suposto implicar uma possessão por espíritos a que se torne inadiável dar resposta e, por outro lado, só cerca de 1/5 dos assuntos que os curandeiros urbanos atendem têm a ver com questões de saúde. O resto são problemas familiares ou sociais - que não se coadunam muito com veredictos de crianças, quanto à sua resolução.

Nem o Pedro nem eu encontramos razões plausíveis para esta infantilização da entrada na profissão de curandeiro(a). Alguém tem uma dica pertinente?

A música não é lá dessas coisas, mas dá para curtir

Sem acesso ao Blogger, fui dar uma voltinha e descobri este videoclip, no estaminé do Miguel Portas.

De seu nome Gorby save hot girls from Stalin zombies, é de partir o coco, mesmo para quem não tenha visto, com 18 anitos, jovens dirigentes do Komsomol Leninista, para aí com a minha actual idade, a "darem em cima" de miúdas de 16, que ficavam cheias de frissom com a situação.
(Afinal, nada que eu não tenha visto aqui, entre homens mais velhos que isso e míudas ainda mais novas. Mas, em Maputo, a "cultura" tem as costas mais largas...)

Para além disso, dá para descobrir insuspeitadas semelhanças entre o Gorbachov e o Schwarzenegger (é assim que se escreve?).
Vão ver. Vale a pena.

Citações de café (11)

FILANTROPIA Séc. XXI

Na mesa ao lado, discutiam-se hoje pormenores de um qualquer projecto de desenvolvimento.

- And it will not be a problem, the extra car and the extra fuel, if we do it that way?

- No. This project will make huge profit. It will be our major source of income, this year and the next.

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Muitos mais, Madiba

Sabia que o 90º aniversário de Nelson Mandela estava aí a rebentar, mas afinal é hoje.

Igual a si próprio, aproveitou a ocasião para chamar a atenção para a pobreza e a desigualdade social que marcam a África do Sul, a grande potência económica deste continente.

Quando, para as elites políticas, é motivo suficiente de satisfação que uns milhares de "negros" tenham ascendido a lugares de destaque e comando (esquecendo, ao olhar de cima, os muitíssimos milhões para quem a miséria não mudou), é importante que as vozes mais respeitadas lembrem que isso não basta.

A de "Madiba" é a mais respeitada (e a mais amada), por muitas e boas razões.
É, a menos que me apontem mais alguém, a única figura política consensual e mundialmente respeitada - pelo que fez como resistente, como governante e ao sair do poder.

Infelizmente, não há ninguém que possamos ter connosco para sempre. Quanto mais não seja, para ouvirmos dizer coisas como as que ele hoje disse.
Mas podemos sempre desejar "Muitos mais anos, Madiba!"

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Santa meretriz de paciência!

O nosso primeiro, que por sinal até dizem que foi Ministro do Ambiente, afirmou, ao assinar um acordo acerca da produção em Portugal de automóveis eléctricos a partir de 2010, que o governo iria estudar um modelo fiscal para permitir que eles possam pagar menos do actual imposto automóvel.
Ufano, acrescentou que "Se um carro eléctrico já existisse actualmente, apenas pagaria 30 por cento do imposto automóvel, já que este imposto tem em 70 por cento uma componente ambiental."

Acontece que são 60%, mas isso são peanuts.
Acontece sobretudo que, pela legislação actual, os "veículos exclusivamente eléctricos ou movidos a energias renováveis não combustíveis" estão já isentos de Imposto Sobre Veículos e de Imposto de Circulação.

Será que o nosso primeiro e o seu staff são ignorantes e incompetentes, ou será que os querem pôr a pagar imposto?
Segundo o gabinete do primeiro-ministro disse à Lusa, trata-se da primeira hipótese, pois garantiram que os veículos eléctricos "não pagam nem passarão a pagar" imposto e que, pelo contrário, "o Governo está empenhado em criar um regime fiscal ainda mais favorável para os veículos eléctricos".

Mais favorável que zero, nos impostos especificamente automóveis, só se diminuirem o IVA e/ou derem direito a dedução no IRS, não é?
Retenham, por isso, estes 2 dados:

- se vos quiserem fazer pagar imposto sobre automóveis eléctricos, quando eles de facto estiverem à venda, quer dizer que estão a abusar de vocês, que pioraram a legislação e que vos mentiram.

- se não tiverem, nas mesmas circunstâncias, vantagens no IVA e/ou IRS, quer dizer que vos mentiram, para tentar tapar uma "calinada".

A ver vamos.
Até lá, haja santa meretriz de paciência...

Molhas no Índico

Tenho realmente imenso para escrever por aqui.
Para além de outros temas, a actualização dos comentários no «Risco» em Debate e o post-forum sobre Lobolo que há muito prometi à Samya...
Infelizmente, o tempo parece estar a encolher, enquanto engorda o meu cansaço ao fim do dia.

No entanto, passei pelo Digital no Índico e fiquei com a vontade de partilhar convosco estas duas fotos, da maior molha que me lembro de ter apanhado em trabalho de campo.
Foi numa travessia de barco entre Maxixe e Inhambane, há uns tempos atrás. Uma imensidão de tempo a apanhar com chuva, sem haver como fugir, até já não interessar que ela caísse, pois já nada mais havia para encharcar.

Salvaram-se as imagens.
Espero que gostem. Os textos voltam logo que possa.

terça-feira, 8 de julho de 2008

Falocracia abstémia

Numa aberta de acesso à internet que espero venha a durar mais do que a anterior, fiquei a saber que a igreja anglicana aprovou a consagração de mulheres como bispos (as sacerdotes há muito deixaram de ser novidade) e que essa decisão é considerada pelo Vaticano um entrave ao diálogo.

A imposição do celibato aos sacerdotes católicos, já se sabe, é uma invenção tardia de alguém que levou mais a sério do que devia a sexofobia do S. Paulo.
Que seja horroroso imaginar uma mulher sacerdote e, mais ainda, bispo, tem como argumento, segundo o artigo, que Cristo só escolheu homens como apóstolos.

Já ouvi desculpas menos esfarrapadas, mesmo num papa com a lata de incluir as desigualdades sociais na lista de pecados, depois de ter alcançado o poder, em grande medida, com a repressão sistemática da Teologia da Libertação.

Só não percebo é porque razão, sendo a questão "fracturante" a ordenação de mulheres e sendo estas já ordenadas há muito, se torna um "entrave ao diálogo" que elas possam ser bispos...

Bem sei que no princípio do séc. XX as mulheres não votavam, e que só há pouco acederam a posições de comando em (alguns) exércitos.
Mas... Vamos lá: deixem-se de tretas e assumam-se como uma oligarquia de falocratas supostamente abstémios. É patético, mas um pouco mais respeitável.

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Parabéns a nós (atrasados)

Acordei dia 2 sem internet e só há pouco voltou.
Vai por isso dois dias atrasado o "parabéns a nós" para o Daniel, o Flávio e o César.

*****

Entretanto, fiquei a saber pelo Notícias de ontem que os habitantes do bairro Luís Cabral, aqui por Maputo, me deram uma prenda de anos.
Um ladrão que já estava amarrado e com um pneu à volta do pescoço acabou por ser entregue à polícia, porque nenhuma das pessoas que o prenderam teve coragem para, pessoalmente, lhe deitar fogo. Entretanto, um grupo de idosos conseguiu apelar à calma.
Obrigado a todos.