domingo, 19 de outubro de 2008
Acidente químico em Estarreja
sábado, 18 de outubro de 2008
Natureza da cultura
sexta-feira, 17 de outubro de 2008
Dia internacional de luta contra a pobreza (3)
nota: a justificação moral da usura e do capitalismo é que o lucro constitui a compensação pelo risco da aplicação do capital.
nota 2: para lhe emprestarem dinheiro para a casa, obrigaram-n@ a fazer um seguro que reembolsa o banco se você morrer ou não puder trabalhar? Ah, sim? Não me diga!...
Teste a sua memória
1 - Sabe de cór o refrão do «Sobe, sobe, balão sobe»?
2 - Sabe de cór um artigo da Declaração Universal dos Direitos do Homem?
Podem responder na caixa de comentários. Anonimamente, se quiserem.
segunda-feira, 13 de outubro de 2008
Diplomacia silenciosa volta a atacar
Desrespeitou-o, querendo "dar" ao MDC, após negociações infindáveis, apenas 3 ministérios irrelevantes.
Como obviamente não aceitaram, decidiu formar governo sozinho.
Espero com impaciência as leituras positivas da situação que desta vez irão fazer, em Moçambique, os apologistas da "diplomacia silenciosa" mbekiana.
Prometam dinheiro aos homens!
A Euribor baixou, para uns ainda obscenos 5,367 %.
É caso para dizer: Prometam mais dinheiro aos homens! Sei lá, Bentleys, Lear Jets, qualquer coisa...
É que eu estou mesmo à rasca.
Eu cá prefiro o IgNobel
Quando os líderes não têm juizo...
... até o bebé chorão ganha com um Renault.
Entretanto, o Hamilton acha que ameaçar um adversário de despiste e bater-lhe mesmo deviam ter punições diferentes...
E o Massa acha que acertar em cheio em alguém que o ultrapassou não deve ser punido, porque jura pelas alminhas que nem foi de propósito. E até deve ter razão, porque quando abalroou o Bourdais este é que foi punido...
É verdade que as contas para o campeonato ficam emocionantes.
Mas tudo isto me começa a tirar a vontade de ver mais algum Grande Prémio este ano.
nota: a foto é de um plenário sindical lá na Renault. Como se vê, em grande unidade de esquerda trazida pela crise, pois o senhor do fato-macaco (do PS a julgar pelo punho esquerdo), está a apoiar a mesma proposta que os outros (que, pelo punho direito levantado, são comunistas). O director (à esquerda, em baixo) também está eufórico, embora preocupado com a carteira e um bocado à rasca por se fazer passar por vermelho; por isso, algo me diz que devem ter decidido mais uma nacionalização dos prejuizos.
sábado, 11 de outubro de 2008
Já não se pode ser prof
Na ida ao blog do Carlos Serra, dei com este bela imagem, que dedico aos professores do meu país, lixados por uma senhora que dizem que era minha colega, antes de virar ministra.
Linchamentos recrudescem em Moçambique
Com uma sequência impressionante nos primeiros meses do ano, estes linchamentos (embora não os rurais, que parecem ter dinâmicas e sentidos diferentes) tinham-se tornado relativamente raros desde o momento em que os emigrantes moçambicanos se tornaram vítimas de violência e linchamentos xenófobos na vizinha África do Sul, em Maio deste ano.
Que esse efeito traumático tivesse estancado os linchamentos domésticos era, aliás, coerente com a minha sugestão de que eles constituiam, também e entre outras coisas, formas ritualizadas de reivindicação e afirmação de poder sobre a vida da comunidade, num quadro de incerteza e de sensação de abandono por parte do estado.
Se essa minha sugestão de leitura do fenómeno tem algum mérito, justifica-se perguntar que razões puseram fim à acalmia dos últimos meses.
Será que a mera passagem do tempo neutralizou o efeito traumático dos acontecimentos de Joanesburgo, permitindo de novo pôr em prática formas extremas de punição pública e de expressão política?
Será que alguma coisa fez agravar o sentimento popular de abandono e de que são irrelevantes para os mais poderosos e ricos?
E, a ser assim, será plausível que a catadupa de casos de corrupção e desvio de fundos (onde se destaca o de um ex-Ministro do Interior e vários generais durante o exercício do cargo) possa ter sido uma nova gota de água, num país onde é popularmente aceite que os dirigentes "comam mais", mas não que "comam sozinhos" e à custa da fome de quem administram?
Pedem-se e aceitam-se hipóteses e opiniões!
sexta-feira, 10 de outubro de 2008
PS promete questionar a Constituição
segunda-feira, 6 de outubro de 2008
Nova África do Sul
A misogenia e a história da alegada violação (que, se o não foi, esteve lá muito perto) são elementos bem fortes e justificados dessa má imagem.
Referi também no tal post que, se calhar, em comparação com Mbeki os sul-africanos não ficaram a perder com a troca.
Entretanto, recebi um dia destes, num e-mail de uma amiga, esta foto que salienta bem uma visão feminina da questão.
Vinha apenas legendada "The New South Africa".
Com essa mesma legenda, aqui fica.
Curiosidades da imigração em Portugal (2)
Não que sejam ricaços a emigrar.
Simplesmente, como os apartamentos estão bem situados, têm áreas grandes e muitas divisões, poucas famílias as podem comprar ou alugar.
Os proprietários ou inquilinos acabam por alugar os quartos um a um, por preços bons mas comportáveis, ficando com a casa cheia e fazendo um dinheirão com o conjunto das rendas.
Há mesmo quem se tenha especializado nesta prática de subaluguer, gerindo vários apartamentos.
São coisas do tal de mercado.
E, também, o surgimento de sociabilidades novas, que acabam por se espraiar para os quintais das traseiras, ao fim-de-semana.
sábado, 4 de outubro de 2008
Bye, Dennis McShade
Agora, já não vou ter essa possibilidade.
Diz quem sabe que perdi muito com isso. Aliás, só essa coisa de começar a ganhar a vida a escrever policiais (que claro tinham que ter um autor bem americano, como por exemplo Vernon Sullivan) e escolher para pseudónimo Dennis McShade já diz muito acerca da personagem.
Por vezes, não há nada melhor do que as palavras dos próprios, quando queremos homenagear alguém.
Deixo-vos, por isso, as páginas mais cinematográficas da literatura portuguesa (talvez a par da chegada do protagonista à China, no Mandarim do Eça; mas, n'O Que Diz Molero, é cinema mudo, não é super-produção hollywoodesca). Descubram ou relembrem, mas deliciem-se.
«Chegou uma esquadra», disse Austin, «e aqueles a quem chamavam camones invadiram a cidade, tingindo-a com a brancura das suas fardas. Meia dúzia deles enfiou pela rua acima, passou pelos Vai ou Racha, estes cuspiram para o chão em sinal de desprezo, o Zuca foi atrás deles de braço estendido, esfregando o dedo polegar no indicador, eh, camone, money, money, um camone atirou um monte de moedas ao ar e a miudagem lutou bravamente para apanhar o dinheiro». «Essas excursões a bairros desconhecidos desvendam mundos novos», interrompeu Mister DeLuxe. «Fiz duas ou três desse género e tirei excelentes fotografias». Austin sorriu. «Bem», disse ele, «os camones continuaram a subir a rua, pararam junto do Ângelo, que estava sentado no banco de madeira a experimentar a harmónica, um deles aproximou-se e disse girls, e fez com o braço o movimento respectivo, we want girls, o Ângelo disse girl é a tua mãezinha, estás a perceber ou precisas de explicador?, sim, a tua mãezinha, o camone riu-se para os outros, um deles avançou e fez uma espécie de passe à Fred Astaire, conta quem sabe, e de repente o Ângelo já tinha guardado os óculos e a harmónica no bolso, começou a despachar os camones, enfiou um pela loja de móveis do Ventura, outro foi cair numa das cadeiras da Barbearia Hollywood, exactamente em cima do Pimentel, que estava a ser escanhoado pelo Joaquim Navalhinhas, um terceiro mergulhou no tanque de roupa da Miquelina Fortes, outro ainda foi também remetido para a loja do Ventura, encontrou o primeiro no caminho, vinha de regresso, e estatelaram-se os dois numa cama de casal, o Ângelo com os pés, com as mãos, com a cabeça, vai disto, os camones enfiavam por tudo quanto era porta, positivamente distribuídos ao domicílio, o Zuca diria mais tarde que Ricardito entre Chamas e Bandidos, a sua fita número um, ao pé daquilo não era nada. A certa altura, com os camones, estoicos, a irem e virem, os Vai ou Racha começaram a subir a rua, meteram-se no vespeiro, foi o Pé de Cabra que disse chegou a hora, o Padeirinha ouviu a frase histórica e havia de transmiti-la mais tarde, nunca se chegou a saber a que hora se referia ele, também nunca se chegou a saber se tencionavam ajudar o Ângelo que, de resto, segundo Molero, conta quem sabe, se havia alguma coisa de que ele precisasse não era com certeza de ajuda, ou ajudar os camones, ou apartá-los, simplesmente o Ângelo começou também a despachar os Vai ou Racha, o Gil Penteadinho deu duas voltas no ar e foi aterrar na carroça de couves do Hipólito, o Tonecas Arenas ficou sentado no primeiro andar do andaime de um prédio que estava a ser pintado, entornando uma lata de tinta cor-de-rosa sobre o príncipe-de-gales novo do Joca Farpelas, isto depois de passar pela banca de peixe do Zeca Trampa, espadanando carapaus e lulas por todos os lados, o sombrero, esse, voou e entrou pela janela do segundo andar da Dona Ermelinda, o Bexigas Doidas, que quase tinha sido atado pelo Ângelo a um camone, conta quem sabe que fez um nó com o braço direito de um e a perna esquerda do outro, entrou com ele sem pedir licença pelo Ás de Espadas, Lda., levaram ambos consigo o Rufino, o Aranhiço, o Roque Sacristão e o Vovô Resmungas, que estavam a jogar à sueca, saíram todos um pouco à balda pela porta do fundo, acrescentados do Douglas Fazbancos e do Chico Dominó, que estavam ali a discutir o Sporting-Benfica do domingo anterior, o Pé de Cabra foi de cabeça contra a parede e até fez eco, abriram-me a cabeça, dizia ele, abriram-me a cabeça, o que, segundo Molero, devia ser por demais evidente, o Peito Rente foi chutado com efeito para a tipografia do Celestino, deu duas voltas lá dentro fazendo parar máquinas que estavam a trabalhar e pondo a funcionar máquinas que estavam paradas, alguém tinha espetado uma faca na barriga do Lucas Pireza, talvez um camone, de certeza que foi um camone, diria mais tarde o Zuca, os camones são uns naifistas do caneco, garantia ele, o Lucas Pireza segurava os intestinos com as mãos, falava baixinho para eles, parecia rezar, os camones iam e vinham, espartanos, segundo Molero, até à medula, a certa altura, numa ressaca, levaram com eles, pelo ar, o Metro e Meio, o Ângelo tinha-os juntado todos num molhinho, enfeitou-os com o Metro e Meio, e vai disto, tudo pelo ar, rumo ao Marocas Papa-Milhas, que tinha uma motocicleta cheia de cromados e a mania das curvas rápidas, já tinha atropelado três gatos e duas pessoas, ia a fazer uma bela curva naquele momento, foi contemplado com a colecção de camones coroada pelo Metro e Meio, despistou-se, disse foda-se, foda-se, subiu o passeio, virou de pantanas o mostruário do Raul Pechisbeque, choveram colares de vidro, pulseiras, broches e anéis, o Marocas continuou em prova, descontrolado e tudo, devolveu para dentro de casa o berço que a Gertrudes tinha colocado à porta com o bebé, atravessou a rua aos ziguezagues, embateu na caixa da criação da Mafalda Capoeira e terminou a prova contra o balcão da carvoaria do Galego, lançando o pânico nos elementos do Grupo Excursionista Moscatel, que estavam a beber o seu meio litro da praxe, enquanto as pessoas assomavam alvoroçadamente às janelas, as mulheres gritavam, o bebé da Gertrudes, que era o melhor pulmão lá do bairro, berrava como nunca, o papagaio do Pimentel, que tinha caído do poleiro e dançava suspenso na correia de metal, esganiçava a sua expressão preferida, ó da guatda, ó da guarda, muitíssiomo apropriada, segundo Molero, às circunstâncias, o fox-terrir do Silva Farmacêutico filava um camone pelo fundilho das calças e fazia questão de não o largar, as galinhas da Mafalda Capoeira corriam espavoridas num cacarejar infernal e num dilúvio de penas, o burro do Hipólito zurrava, os gatos da Dona Maria Bicharoco miavam e pulavam, o Alsácia do Tó Peneiras ladrava com aquela fúria só dele, camones entravam por aqui, ex-Malhoas saíam por acolá, às vezes dava certo, parecia que o Ângelo tinha controle sobre a confusão, à distância, o Zuca diria mais tarde que, tirando algumas partes cómicas que pareciam à Charlot, aquilo tinha sido uma coisa iglantónica, o Ângelo era igualzinho a um tal Lone Ranger, só lhe faltava a mascarilha». (...)
sexta-feira, 3 de outubro de 2008
Curiosidades da imigração em Portugal (1)
Isto, porque sabe que eles costumam fumar haxixe, mas só muito raramente são consumidores de heroína (ao contrário dos filhos de portugueses que também tenham mau aspecto).
Como os consumidores de heroína é que, nesses bairros, assaltam qualquer pessoa, para roubar qualquer valor, é dos "brancos" que as velhinhas têm medo.
Sejam mais criativos!
...E habilitem-se a ganhar o Prémio IgNobel.
Este ano, as pesquisas vencedoras foram sobre:
Economia: efeito do ciclo ovulatório das dançarinas eróticas sobre as gorjetas que recebem
Quimica: ex-aequo, um estudo que prova o efeito espermicida da Coca-cola e outro que prova o contrário
Biologia: descoberta de que as pulgas que vivem em cães saltam mais alto do que as que vivem em gatos
Nutrição: alteração electrónica do som da batata frita, para parecer mais estaladiça
Paz: adopção do princípio legal de que as plantas têm dignidade (Suiça)
Medicina: demonstração de que os medicamentos falsificados mais caros são mais eficientes que os mais baratos
Ciência cognitiva: descoberta de que uma espécie de amiba consegue resolver puzzles
Física: demonstração matemática de que cordeis e cabelos acabam inevitavelmente por se embaraçar
Literatura: estudo acerca da indignação dentro de empresas
Tudo isto (excepto, claro, o da Paz) publicado nas mais prestigiadas e ISIzadas revistas científicas. E ando eu para aqui a perder o meu tempo a estudar perigos industriais, curandeiros e tretas dessas...
quinta-feira, 2 de outubro de 2008
Reflexões ociosas - 3
Com a cabeça enfiada num buraco e os (tais) miúdos a mijarem-lhe em cima.
Aos alunos da Fac de Letras:
Ólhó Antropovistas!
quarta-feira, 1 de outubro de 2008
Que raio se passa em Wall Street?
Para quem perceba inglês, aqui fica aquilo a que poderíamos chamar "Economy for dummies".
Ou nem por isso.
Dilemas
Uma bejeca de prémio
Acho que mereço sentar-me na varanda a beber uma cervejinha - e depois ir para a cama, que amanhã há mais.
Espero que o mundo não tenha pegado fogo entretanto, pois não tenho tido tempo para olhar.
Quem disse que essa coisa do trabalho alienado é só para os operários?
domingo, 28 de setembro de 2008
Citações de café (14)
CAIPIRICES GASTRONÓMICAS
Era o primeiro dia de trabalho, no primeiro emprego em Portugal, ao balcão de um café.
Chega o primeiro cliente, falando carrancudo ao telemóvel, e aponta para a máquina das bicas e para a prateleira onde, entre outros, estavam os queques.
- O senhor quer uma queca, é? É para comer já, ou mais tarde?
O homem carrancudo conseguiu esboçar um sorriso malandro e respondeu:
- Bem... Agora eu tenho que ir trabalhar. A que horas é que a menina sai?
Anedota brasileira sobre brasileiros
Estava eu em Maputo, quando se deu um assalto com sequestro, numa dependência do Banco Espírito Santo em Lisboa.
Os assaltantes acabaram por ser mortos pela polícia (o que deixou ufanos os humanistas securitários cá do burgo) e foi dado grande destaque ao facto de eles serem brasileiros, o que deu origem a uma histeria mediática sobre criminalidade, com traços xenófobos bastante evidentes.
Entretanto, depois de o incontornável Luís Afonso do Bartoon ter especulado acerca das razões do assalto, os meus vizinhos brasileiros descobriram toda a verdade:
O sujeito estava a dar-se muito mal na sua experiência de emigração em Portugal e telefonou para a mãe, senhora muito devota, a contar-lhe as suas mágoas.
Depois de ouvir o longo desabafo do filho, ela aconselhou:
- Meu filho: quando a vida fica assim, só o Espírito Santo salva.
Vai daí...
sábado, 27 de setembro de 2008
Faleceu 2º classificado em Le Mans 1979
Se calhar, vocês até o reconhecem de outros lados, se vos mostrar esta fotografia.
Pela minha parte, preferia as vezes em que lhe podia ver a cara e ouvir a voz.
E isso, felizmente, podemos continuar a fazer.
Por exemplo, aqui.
Ou aqui.
Ou...
Quanto custaram por bico?
Não pela prática desses crimes a que as TVs e jornais tanta atenção têm dado nos últimos tempos, mas por permanência ilegal no país.
Quanto terá custado, "por bico", a detenção de cada um destes perigosos marginais?
La Fuerza del Cambio
Tendo em conta que "A Força da Mudança" foi o slogan de Guebuza e da Frelimo nas eleições moçambicanas de 2005, fica provada uma nova teoria geográfica que tem vindo a fazer escola entre os melhores cientistas:
O mundo é, afinal, em forma de talhada de uma meia laranja, indo desde os montes Urais, a leste, à costa do Pacífico, a Oeste.
quarta-feira, 24 de setembro de 2008
Antropovistas actualizado de novo
Obrigado Júlia, António e Pedro.
Quanto aos outros, já sabem: mandem as vossas para antropocoiso@gmail.com
terça-feira, 23 de setembro de 2008
Mbeki e Mugabe
- Já não era sem tempo. Algumas pessoas não conseguem perceber quando a festa acabou.
- Mais alguma coisa, Presidente Mugabe?
- Se precisar, eu digo.
Defesa da tradição
Um tribunal siciliano retirou a uma mulher a custódia do seu filho de 16 anos porque o menor se filiou no Partido da Refundação Comunista, que o juíz considera «extremista».
E então? Não percebem que se trata de um juiz com profundo sentido antropológico?
Então o homem ia deixar perder as tradições? Em vez de o puto ir para a Máfia, ia agora para os comunas?
PS à Asterix na Córsega - ó pessoal da Sicília: olhem que estou a brincar... Não te chateies, Maximo Bongiorno.
segunda-feira, 22 de setembro de 2008
Depressão pós-África
Para ajudar ao inestético e ao desconforto de um nariz pingão e de uns olhos e testa que parecem querer ir passear para outro sítio qualquer, a montanha de apontamentos e cassetes de terreno, aqui ao lado mesmo a chamarem por mim, dão uma vontade de tratar das sempre necessárias burocracias académicas e pessoais que vocês nem imaginam!
Agarrado a esses assuntos, que me levam 5 vezes mais tempo por causa dos olhos que se cansam e das desconcentradoras assoadelas, já nem queria nada de muito especial.
Dava-me por satisfeito em fazer uma paradinha, descer a pé a Kenneth Kaunda, olhar a baía e voltar a enfiar-me no computador.
A minha senhora também teve uma virose dessas, mas é de melhor cêpa. Livrou-se depressa da coisa. Agora, limita-se a andar irritável e com um ar claustrofóbico, numa casa 3 vezes maior que a de Maputo.
A filhosca, que tem otites em todo o lado menos em Moçambique, voltou ao normal. E, apesar da alegria de ver a prima e de gostar desta escola, já me perguntou, assim como quem fala de um direito adquirido e da forma evidente de se viver, em que mês é que, para o ano, voltamos para África.
A cadela passa os dias enroscada, lançando-me olhares acusadores acerca de uma temperatura que até está amena, e faz cenas intermináveis para evitar ir ao passeio higiénico no meio de carros barulhentos - embora, lá chegada, seja tomada de urgências e logo faça aparecer um rio na primeira valeta.
Pesquisei na net "Depressão pós-África", mas parece que os inúteis dos psicólogos só se dedicam a coisas pouco importantes.
Esqueceram-se de inventar esta.
domingo, 21 de setembro de 2008
Portugal moçambicaniza-se (III)
A FORÇA DA MUDANÇA
Perguntava-me um leitor anónimo, certamente moçambicano, se era verdade que o actual slogan do PS, em Portugal, era mesmo "A Força da Mudança".
É verdade e (tinha eu escrito na caixa de comentários, até ver que a coisa estava a ficar demasiado comprida) isso tem uma história. Uma história nem sempre clara quando é olhada a partir de África e que talvez mereça ser relembrada aqui.
Nos países da Europa onde a social-democracia tem uma acção muito antiga (o que não é o caso de Portugal, onde tão pouco acontece aquilo que direi a seguir), ela era marcada até há uns tempos por uma tradição de regulação estatal da economia, tendo em vista alguma equidade social, a par de uma posição de liberalidade societal em termos da mudança dos costumes.
Quase caricaturando, era como que o seu código genético e identitário, por contraposição a um outro grande partido normalmente existente nesses países, que era por sua vez defensor de um maior conservadorismo social e dos costumes e de uma economia liberal.
Há muito que a questão tinha deixado de ser, para a social-democracia europeia, a via de superação do capitalismo (reforma ou revolução), que tinha levado à cisão entre a 2ª e a 3ª Internacionais.
A questão, desde pouco depois disso, passou a ser a gestão mais justa e equitativa do capitalismo. Se quisermos, e passe a metáfora, um "capitalismo de rosto humano".
Era essa a sua tentativa de prática, o seu legado e a sua imagem.
No entanto, com a teorização da chamada "Terceira Via" (de que o inglês Tony Blair se tornou o governante mais evidente), os partidos social-democratas sofreram uma "mutação genética" que os ajudou a aproximarem-se do poder em tempos de maré conservadora e, por sua vez, deixou os conservadores com um problema de falta de espaço político para resolverem, e deixou os países respectivos sem grandes partidos de esquerda.
Basicamente, os "novos" partidos social-democratas mantiveram posições progressistas na área dos costumes e relações societais, mas adoptaram uma política económica que, em vários aspectos, é mais liberal do que os conservadores se atreveram a fazer e exigir, pondo inclusivamente em causa instituições e pressupostos que se tinham tornado marcas civilizacionais da Europa Ocidental - devido, entre outros, á luta e acção das gerações anteriores de sociais-democratas.
É claro que, quando as mudanças políticas são tão fortes e nessa direcção, não adianta escamoteá-las. Mesmo se não fossem (que eram) argumentos eleitorais para cativar essa figura fantasmagórica do "eleitorado de centro", seria sempre necessário enfatizá-las e transmiti-las como uma corajosa mudança da sociedade, para que ela não entre em colapso.
Afinal, onde existiu ou existe, o "estado social" começou a ser morto por conservadores, mas são "terceira-viistas" com label social-democrata que avançam com o seu enterro.
Portugal nunca foi governado segundo uma política social-democrata "à europeia", nem alguma vez teve um estado social.
E a própria retórica e prática terceira-viista chegou à governação quando não era eleitoralmente necessária para que o PS a ocupasse. Foi mais uma questão de ser a esquerda da moda, "maningue moderna", por parte de um dirigente sem cultura de esquerda (social-democrata ou outra), chegado ao leme de um partido que estava desesperado por voltar ao poder. Foi a aplicação de uma receita que tinha resultado eleitoralmente noutros lados, não fosse dar-se o caso de Santana Lopes conseguir ressuscitar durante a campanha eleitoral.
Mas, quando depois as coisas não correm por aí além, mais necessário se torna apresentar a mudança de orientação política (em vários aspectos, Cavaco Silva governou, no seu tempo, "à esquerda" do actual governo) como uma necessidade e desígnio nacional, que corajosamente é prosseguida, se necessário contra tudo e contra todos, por quem "tem tomates" para isso.
Daí, agora, "A Força da Mudança".
O anónimo moçambicano que suscitou este post ter-se-à apercebido de alguns paralelos engraçados com o seu país.
Mas a situação parece-me muito diferente.
Quando a Frelimo aplicou o slogan d'A Força da Mudança, em 2005, a sua passagem de partido marxista-leninista para executor de políticas ultra-liberais já tinha sido paulatinamente feita desde o fim da guerra civil, 13 anos antes, pelo anterior Presidente da República.
Não era essa curva a 180º que se tornava necessário justificar, mas as mais-valias que iriam advir da substituição do presidente por uma figura à partida difícil de "vender": um político cuja imagem popular estava centrada no seu cargo de Ministro do Interior durante uma das épocas mais repressivas da história pós-independência.
Não será por acaso que (numa altura em que a Renamo não parecia ter ainda entrado num processo de suicídio colectivo ordenado pelo chefe), a Mudança anunciada era muito mais pôr "ordem na tasca", através do «combate ao espírito do deixa-andar», do que a visão do partido como motor de uma "revolução permanente", ligada ao «combate à pobreza absoluta».
Não só a «força da mudança» vinha de um "homem de combate", como vinha de um "homem de tomates" que iria pôr na ordem os interesses instalados, no seu próprio partido, que mantinham o país na desgraça.
Ou seja, aquilo que podia fazer os eleitores terem medo de Guebuza, e por isso afastarem-se dele, foi muito habilmente transformado na prova de que ele era o homem providencial, para aquilo que o país necessitava naquele momento.
É claro que estas coisas não resultam sempre, nem para sempre.
Duvido que o slogan agora adoptado por Sócrates não seja visto como ridículo, e já há largos tempos não se fala em Moçambique do «combate ao espírito do deixa-andar».
Mas talvez nem seja necessário.
Afinal, tudo indica que quer o PS quer a Frelimo vão voltar a ganhar, basicamente, por "falta de comparência" credível dos adversários directos.
(Ao fim e ao cabo, mais um paralelo, para além do discurso subliminar acerca de "tomates".)
Mas lá que é plágio, é.
Às tantas, ainda os publicitários que "venderam" à Frelimo o slogan de 2005 vão acabar por apresentar uma facturinha ao nosso primeiro.
Volun-turis-puta-que-pariu
Vai para um daqueles pontos de Moçambique especializados em intervenções de ONGs, fazer uns 2 meses de voluntariado e conhecer a desgraça, tutelada por uma instituição religiosa qualquer ou por uma daquelas organizações não lucrativas, excepto para quem está lá empregado em postos superiores.
Quando me contactam, é porque querem aproveitar a coisa para fazerem uma tese, normalmente de mestrado, acerca de um tema grandiloquente que por vezes não é relevante lá no sítio e para o qual não terão tempo de terreno (e terão excesso de enquadramento institucional) para o conseguirem abordar para além dos estereotipos estabelecidos.
Como até percebo que as moçoilas são bem intencionadas e até sei que 95% dos tais de católicos progressistas do marcelismo se descobriram como tal enquanto faziam inquéritos às condições nos bairros de barracas, sou sempre muito afável (as boas intenções tocam-me sempre, até ao momento em que começam a matar gente) e prestável.
Dou tantas dicas quanto possível e, se me falam de temas de mestrado, sugiro normalmente que usem como objecto de estudo a organização em que se vão integrar e as lógicas e dinâmicas do seu trabalho. Assim a modos que uma cena auto-reflexiva, estão a topar?
Mas, até hoje, sem sucesso.
Entretanto, também hoje, pela primeira vez comprei o semanário Sol, desde aquele nº1 que toda a gente comprou. A razão foi nobre: davam um DVD infantil que ficava por 2,5 Euros e trazia anexado um jornal à borla.
Vinha no pacote, também, uma revista de nome Gingko, assim tipo new-age-com-ar-de-ser-para-ricos que parece ter como público alvo os desgraçados como nós que queiram ser aspirantes a snobs e "possidónios" (julgo que ainda é esta a palavra utilizada pelos bimbos que já nasceram ricos).
A minha senhora folheou-a, engasgou-se, ficou azul à riscas e eu, depois de lhe dar uma palmadinha nas costas e um copo de água, fui ver o que é que estava na tão mortífera página.
Era então um artigo sobre "volunturismo", a forma de férias que se quer afirmar como in, já que (diz de caras no site simpaticamente fornecido, mas um pouco mais embrulhado na versão impressa), «ressorts de luxo e férias de papo para o ar estão fora de moda».
Mas o que é que havia aí para a gente se engasgar?
Pronto, está bem, esta da solidariedade se tornar uma «moda» de pessoal que se quer "bem" (e que a recusa em termos de impostos, saúde, educação ou dessa abusação do rendimento mínimo) é um bocado obscena.
Mas, que raio, até está bem no centro da tradição caritativa cristã. E eu, que andei 3 ou 4 anos a fazer de otário, dando cadeiras à borla na Universidade Eduardo Mondlane e grangeando com isso desrespeitos e inimizades, não tinha muito de que me rir.
Comecei então a ler o corpo do artigo, que começava com a história volunturística de uma menina cujo nome ocultarei para sua defesa futura, embora ela própria não o tenha feito.
E a primeira frase era: «Lembra-se de, em pequena, com cinco ou seis anos, brincar aos pobres.»
O seguimento até tinha piada, porque a cachopa andou a prestar uns serviços à conta de umas tais de Irmãs Escravas, nome que suscitava algumas expectativas de escandaleira sado-masoquista. Seguia-se a desilusão, pois é apenas uma cena de freiras cacimbadas.
Mas, voltando à vaca fria: A gente até se habitua a ver porcos a andar de bicicleta. Mas aquela primeira frase...
Brincar aos pobres? Vocês conhecem alguém que tenha «brincado aos pobres»?
Eh, pá! Façam lá as férias da moda.
Mas, de preferência, não se entusiasmem muito, para não deixarem as coisas pior do que as encontraram.
Voltem a brincar aos pobres, como aquela célebre Madre que não pôde abrir um hospital para sem-abrigos em Nova Iorque, porque se recusou a manter o obrigatório elevador do prédio, pouco consentâneo com a ética de sacrifício que se impunha a si, às suas seguidoras e aos doentes que lhes caíssem nas mãos.
Mas sejam um pouco mais discretas.
Curtam a parte de turismo e não gozem com as pessoas.
sábado, 20 de setembro de 2008
Ontem já era tarde
Acontece que Zuma era oponente de Mbeki no último congresso do ANC, de que saiu vitorioso apesar do relançamento deste processo e de um anterior julgamento por violação. Nesse outro, foi inocentado de forma mais polémica e com a parte gaga de o ministro com a tutela da luta contra o SIDA (ele) ter declarado que, como a senhora em causa era seropositiva, tinha tomado depois um duche quente para se proteger do contágio.
Jacob Zuma é uma figura muito pouco simpática, em termos abstractos e absolutos.
Se a situação que levou ao caso de violação pode ter sido orquestrada, ele caiu nela. E, já que caiu por achar que ter uma correlegionária no quarto de hotel vestida só com uma capulana quer dizer que "ela está mesmo a pedí-las", isto diz-nos muito sobre a misogenia da personagem.
Ao mesmo tempo, se tem do seu lado as forças mais significativas e sérias do ANC, também apelou aos sentimentos mais violentos e tem como tropa de choque uma Youth League que parece por vezes liderada por hooligans.
Entre essas forças significativas e sérias, contudo, está a influente central sindical COSATU, que joga nele como alternativa de esquerda à política desnecessariamente neo-liberal (muito mais, nalguns aspectos, que no tempo do apartheid e sem que a potência económica do país a justifique devido a pressões externas) e não redestribuidora da riqueza nacional. Se Zuma, de facto, quererá e poderá sê-lo, isso já é outra questão.
Curioso é que, se quase todos os sul-africanos com antepassados europeus o detestam, a maioria deles ficou satisfeita que ele tivesse cortado o passo a Mbeki, que se preparava para eternizar-se no poder, mudando as restrições constitucionais ao número de mandatos do Presidente da República.
Thabo Mbeki, com o seu cachimbo e fixação no golfe, é assim a modos que um rapazinho mais ao gosto de uma certa Europa e América.
Muito mais ao gosto, no entanto, é a política neo-liberal deste ex-jovem-marxista-puro-e-duro e, sobretudo, essa coisa simpática (para quem tem os cifrões) de black empowerment significar, para ele, o acesso de uns milhares de pessoas com pele mais escura aos postos de chefia e às classes altas e médias-altas, ficando dezenas de milhões de desgraçados na mesma ou pior do que estavam.
O que tem, claro, que ser contrabalançado por uma imagem de africanista-puro-e-duro que, a par das solidariedades "de libertadores" e de histórias desconhecidas ou mal contadas, faz com que desde o início do primeiro mandato traga Mugabe e os seus militares rapaces ao colo, independentemente dos crimes que cometam contra os opositores e contra o seu povo em geral.
Uma posição que (talvez por menor necessidade de se afirmarem africanos, e/ou por maior apego aos funcionamentos democráticos e à perspectiva de mudanças sociais justas) não foi a da COSATU, de Zuma, da esquerda do ANC ou da maioria de população sul-africana.
O saldo foi e continua a ser terrível para os vizinhos zimbabuéanos, mas também em casa, para lá dessa coisa de os "negros" pobres continuarem tão ou mais pobres, há umas coisitas um bocado desagradáveis.
Num país onde infectados continuam a fazer sexo com virgens para se livrarem do SIDA, Mbeki não apresentou o duche quente como substituto do preservativo; expressou publicamente as suas dúvidas de que o SIDA fosse, de facto, provovado pelo vírus HIV.
E, com o país cheio de 3 milhões de refugiados zimbabuéanos (em grande medida, por causa da sua política internacional) e perante as terríveis hordas de linchamentos xenófobos em movimento este ano, praticamente esperou pelo refluxo da onda para tomar medidas de restauração da segurança pública.
Pois é... Um cantava «tragam-me a minha metralhadora» e o outro olhava para o lado, para que os amigos do outro lado da fronteira a usassem contra as suas próprias populações.
O homem vai ser corrido?
Para o Zimbabwé, ontem já era tarde.
Para os zimbabuéanos, moçambicanos e outros estrangeiros "negros" chacinados há meses atrás na África do Sul, há muito tempo que já era tarde.
Para os sul-africanos, se calhar, também.
21/9: Está oficializada a demissão.
quinta-feira, 18 de setembro de 2008
Uma boa notícia
Talvez porque (apesar do empenho norte-americano na secessão, bem demonstado pela escolha do especialista Philip Goldberg para embaixador), a posição unida e inequívoca dos países da região, num tom mais preocupado com a firmeza do que com a retórica incendiada, tornou irrelevantes as performances histriónicas e contraproducentes de Hugo Chavez acerca do assunto e, com seriedade e credibilidade, apresentou um quadro que talvez nunca tenha sido visto nas Américas:
Os países "a sul do Rio Grande", independentemente das diferentes orientações políticas dos seus governos, não favorecem nem toleram golpadas separatistas e instigações de guerra civil contra governos democraticamente legítimos, por muito que isso agrade ao Grande Irmão do Norte e por muito que esse agrado seja evidente.
Entretanto, as razões de queixa que têm sido apontadas pelos líderes separatistas, e que aqui são repetidas, vêm dar razão ao que deixei dito no meu primeiro post acerca da Bolívia.
Já que, mesmo com a diminuição percentual da sua parte do imposto petrolífero, as províncias separatistas recebem 5 vezes mais dinheiro do que recebiam antes da nacionalização (de que discordaram), e já que não haverá diminuição do grau de autonomia provincial, então o problema são os outros dois aspectos da Constituição que está a ser preparada e que eles referem:
A limitação do tamanho das fazendas e os direitos outorgados à população indígena, maioritária mas tratada como infra-cidadã desde a independência do país.
Por outras palavras a diminuição dos latifúndios e o fim da supremacia "branca".
A metáfora da "Bolívia pós-Mandela", neste momento de negociações com um fundo racial tão claro, começa a fazer cada vez mais sentido para mim.
Mas não para toda a gente. Ainda esta semana li um respeitado colega lá do Instituto a enfiar a martelo e despropósito, na sua habitual crónica jornalística, uma frase sobre como Evo Morales trata como não-cidadãos quem discorda dele.
Neste quadro e nesta sucessão de acontecimentos, confesso a minha surpresa.
Mas é bem verdade aquela frase que os alunos se chateiam de me ouvir repetir nas aulas. Independentemente do brilhantismo que possa caracterizar a inteligência de cada um de nós, «só vemos o que estamos preparados para ver».
Acordo no Zimbabwe - II
Que importa? Como dizia um visitante lá do blog dele, é «Genial!»
O autor chama-se Dave Brown.
quarta-feira, 17 de setembro de 2008
Será que se pega?
Será que consideram a coisa uma doença contagiosa?





































