quinta-feira, 23 de outubro de 2008
Ideologia neo-liberal não funciona, diz o guru
O anterior "maestro infalível" do sistema financeiro e fervoroso defensor da ausência de regulação sobre as actividades financeiras considerou que «cometeu um erro» ao confiar que os mercados livres podiam auto-regular-se sem intervenções estatais.
Nas suas próprias palavras, «Errei ao presumir que os interesses próprios das organizações, especialmente bancos, eram de molde a constituírem a maneira mais capaz de proteger os accionistas e a sua equidade nas firmas.»
Quando o presidente da comissão lhe perguntou se «Por outras palavras, considera que a sua visão do mundo, a sua ideologia, estava errada, não funcionava?», respondeu:
«Absolutamente, precisamente. Sabe, é precisamente essa a razão por que fiquei chocado, porque durante 40 anos ou mais encontrei provas consideráveis de que ela estava a funcionar excepcionalmente bem.»
Não sei se é pelas tsunâmicas consequências destas palavras para os reprodutores nacionais daquilo que defendiam Greenspan e outra "gente grande" que, embora essa parte da audição esteja há horas a abrir os noticiários da Sky News, a notícia não aparece nos sites dos jornais portugueses.
Se vier a aparecer, peço que me avisem. Tal como me avisaram de aqui.
quarta-feira, 22 de outubro de 2008
O VPV deve estar a bater palmas
A socialista Merkel e o conservador Sousa
«Os gestores dos bancos que recorrerem ao plano especial de apoio ontem aprovado pelo Governo alemão ficam com os salários limitados a 500 mil euros por ano (1) e não podem receber prémios ou outras compensações adicionais. Durante o período em que estiverem sob intervenção estatal, os bancos não poderão pagar dividendos aos accionistas privados - apenas ao Estado.»
Por cá, o recurso ao aval estatal para empréstimos interbancários não prevê minudências estaticistas desse tipo.
Não há cá pré-condições sociais, económicas ou morais, que essa gente é que percebe dessa coisa dos negócios financeiros (como se viu) e das políticas salariais para si próprios (como se continua a ver).
Claro que uma coisa é um aval e outra é uma recapitalização. Mas assim, sem quaisquer condições, quando está como está a situação real desses parvalhões como eu que, quando pedem um empréstimo, têm que o pagar?
Claro, também, que não há almoços grátis, muito menos com o nosso primeiro. Mas nem quero imaginar qual será a retribuição que ele espera.
Há quem goste de dizer que se acabou a direita e a esquerda. Se calhar, irão dizer que estamos perante uma prova disso.
A mim, parece-me que se acabou uma outra coisa: o bom senso para os lados terceiraviistas.
(1) Também posso? Também posso?
segunda-feira, 20 de outubro de 2008
Ainda os albinos
Parte da rica informação que a jornalista Margarida Mota me transmitiu por telefone não coube nos limites de caracteres de que os jornais sempre sofrem, mas surge um dado que para mim é totalmente novo:
A ocorrência, na África do Sul e Zimbabwe, de violações de albinos por parte de seropositivos, que esperam com isso ficar livres do SIDA - tal como vem acontecendo há anos relativamente a raparigas virgens.
Interpretar porque é que alguém se foi lembrar de mais esse horror é relativamente simples. Terá quase certamente a ver com o poder, atribuído aos albinos, de secarem as coisas à sua volta - neste caso, secar a doença, ou o virus seu causador.
Mas, antes que a coisa alastre pela região, convém compreender um pouco melhor o que é que se passa.
Alguém tem informações acerca deste novo fenómeno?
Pela minha parte, vou alertar os meus "colegas" da AMETRAMO, para estarem atentos e poderem combater esta crença, mal ela se revele em Moçambique.
Porque, ao contrário dos estereotipos habituais, os curandeiros estão muito longe de ser uns tradicionalistas acríticos imersos em superstições.
E, em assuntos como este, a palavra deles vale muito mais, junto da população, do que a de qualquer médico.
domingo, 19 de outubro de 2008
Porno-antropologia?
Eu bem sei que há quem considere que este clássico do tio Malinowski é um livro pornográfico. Mas, enfim... há passagens de outro clássico, a Biblia, que o batem aos pontos.
Também sei que o mundo é muitas vezes obsceno e que a gente o estuda.
Mas... linkado num site especializado em porno?! Será uma tomada de posição epistemológica?
Acidente químico em Estarreja
sábado, 18 de outubro de 2008
Natureza da cultura
sexta-feira, 17 de outubro de 2008
Dia internacional de luta contra a pobreza (3)
nota: a justificação moral da usura e do capitalismo é que o lucro constitui a compensação pelo risco da aplicação do capital.
nota 2: para lhe emprestarem dinheiro para a casa, obrigaram-n@ a fazer um seguro que reembolsa o banco se você morrer ou não puder trabalhar? Ah, sim? Não me diga!...
Teste a sua memória
1 - Sabe de cór o refrão do «Sobe, sobe, balão sobe»?
2 - Sabe de cór um artigo da Declaração Universal dos Direitos do Homem?
Podem responder na caixa de comentários. Anonimamente, se quiserem.
segunda-feira, 13 de outubro de 2008
Diplomacia silenciosa volta a atacar
Desrespeitou-o, querendo "dar" ao MDC, após negociações infindáveis, apenas 3 ministérios irrelevantes.
Como obviamente não aceitaram, decidiu formar governo sozinho.
Espero com impaciência as leituras positivas da situação que desta vez irão fazer, em Moçambique, os apologistas da "diplomacia silenciosa" mbekiana.
Prometam dinheiro aos homens!
A Euribor baixou, para uns ainda obscenos 5,367 %.
É caso para dizer: Prometam mais dinheiro aos homens! Sei lá, Bentleys, Lear Jets, qualquer coisa...
É que eu estou mesmo à rasca.
Eu cá prefiro o IgNobel
Quando os líderes não têm juizo...
... até o bebé chorão ganha com um Renault.
Entretanto, o Hamilton acha que ameaçar um adversário de despiste e bater-lhe mesmo deviam ter punições diferentes...
E o Massa acha que acertar em cheio em alguém que o ultrapassou não deve ser punido, porque jura pelas alminhas que nem foi de propósito. E até deve ter razão, porque quando abalroou o Bourdais este é que foi punido...
É verdade que as contas para o campeonato ficam emocionantes.
Mas tudo isto me começa a tirar a vontade de ver mais algum Grande Prémio este ano.
nota: a foto é de um plenário sindical lá na Renault. Como se vê, em grande unidade de esquerda trazida pela crise, pois o senhor do fato-macaco (do PS a julgar pelo punho esquerdo), está a apoiar a mesma proposta que os outros (que, pelo punho direito levantado, são comunistas). O director (à esquerda, em baixo) também está eufórico, embora preocupado com a carteira e um bocado à rasca por se fazer passar por vermelho; por isso, algo me diz que devem ter decidido mais uma nacionalização dos prejuizos.
sábado, 11 de outubro de 2008
Já não se pode ser prof
Na ida ao blog do Carlos Serra, dei com este bela imagem, que dedico aos professores do meu país, lixados por uma senhora que dizem que era minha colega, antes de virar ministra.
Linchamentos recrudescem em Moçambique
Com uma sequência impressionante nos primeiros meses do ano, estes linchamentos (embora não os rurais, que parecem ter dinâmicas e sentidos diferentes) tinham-se tornado relativamente raros desde o momento em que os emigrantes moçambicanos se tornaram vítimas de violência e linchamentos xenófobos na vizinha África do Sul, em Maio deste ano.
Que esse efeito traumático tivesse estancado os linchamentos domésticos era, aliás, coerente com a minha sugestão de que eles constituiam, também e entre outras coisas, formas ritualizadas de reivindicação e afirmação de poder sobre a vida da comunidade, num quadro de incerteza e de sensação de abandono por parte do estado.
Se essa minha sugestão de leitura do fenómeno tem algum mérito, justifica-se perguntar que razões puseram fim à acalmia dos últimos meses.
Será que a mera passagem do tempo neutralizou o efeito traumático dos acontecimentos de Joanesburgo, permitindo de novo pôr em prática formas extremas de punição pública e de expressão política?
Será que alguma coisa fez agravar o sentimento popular de abandono e de que são irrelevantes para os mais poderosos e ricos?
E, a ser assim, será plausível que a catadupa de casos de corrupção e desvio de fundos (onde se destaca o de um ex-Ministro do Interior e vários generais durante o exercício do cargo) possa ter sido uma nova gota de água, num país onde é popularmente aceite que os dirigentes "comam mais", mas não que "comam sozinhos" e à custa da fome de quem administram?
Pedem-se e aceitam-se hipóteses e opiniões!
sexta-feira, 10 de outubro de 2008
PS promete questionar a Constituição
segunda-feira, 6 de outubro de 2008
Nova África do Sul
A misogenia e a história da alegada violação (que, se o não foi, esteve lá muito perto) são elementos bem fortes e justificados dessa má imagem.
Referi também no tal post que, se calhar, em comparação com Mbeki os sul-africanos não ficaram a perder com a troca.
Entretanto, recebi um dia destes, num e-mail de uma amiga, esta foto que salienta bem uma visão feminina da questão.
Vinha apenas legendada "The New South Africa".
Com essa mesma legenda, aqui fica.



















