segunda-feira, 25 de maio de 2009
As bombinhas dos meninos
Infelizmente, se a atitude é algo infantil e serôdia, as preocupações que suscita são bem mais graves do que sugere o título deste post...
Uma prenda póstuma ao João Benárd da Costa
Talvez, assim, venha a ser projectada nos cinemas cá do burgo.
Ou não.
sexta-feira, 22 de maio de 2009
Lá nos vão roubando os fazedores de memórias...
Há dias, Vasco Granja. Hoje, João Benárd da Costa.
Só me apetece protestar «Que merda!»
E mandar um abraço bem apertado à Ana.
domingo, 17 de maio de 2009
Santinhos, espíritos e diversão
No Terreiro do Paço, muitos milhares de pessoas deram largas à sua legítima mas teologicamente discutível idolatria, acompanhando devotamente uma estátua.
Foi trazida de Fátima, para comemorar os 50 anos de uma outra estátua, em Almada, mandada erguer pelo episcopado português da altura, em evidente declaração de apoio divino a um dos maiores temas propagandísticos do salazarismo: a não participação portuguesa na II Guerra Mundial, atribuída à clarividência e "ratice" de S. Exª o Presidente do Conselho.
Uma estátua que, curiosamente, foi erguida 14 anos depois do fim da tal guerra, numa altura em que a capacidade do salazarismo se auto-propagandear andava pelas ruas da amargura e o país estava cada vez mais óbvia e orgulhosamente só, devido à sua política colonial - que iria levá-lo, 2 anos depois, não a uma mas a 3 guerras, que se arrastariam por 13 anos, em vez de 6.
Uns pormenores que talvez não sejam completamente irrelevantes, mas que não vi serem referidos em nenhum jornal ou televisão.
É normal, suponho. Afinal, somos um país de brandos costumes para com os poderosos, sejam eles indivíduos ou instituições.
Entretanto, 100 metros ao lado, desfilavam as muy pagãs Máscaras Ibéricas, entre a Praça do Município e o Rossio.
Ele eram caretos, chocalheiros, marafonas, gaiteiros, minotauros, ursos e seres de musgo... até mascarados espanhois com evidente inspiração azteca.
Tudo isso dançando, pulando, metendo-se com as pessoas, bebendo os seus canecos no final.
Enfim: o ciclo das festas do solstício de inverno em todo o seu explendor, mesmo que um bom bocado folclorizado.
Confesso que tinha curiosidade de ver as duas iniciativas.
Mas ainda bem que escolhi a do Rossio. Foi, de certeza, mais divertida - e de uma humanidade mais viva.
Mesmo se, por lá, recebi uma má notícia.
O homem mais gentil, simpático e calmo da aldeia de Varge, meu solícito companheiro nas duas vezes que vivi com os caretos a sua Festa dos Rapazes, está preso.
Dizem-me que, perante a estupefação de todos os que o conhecem, deu duas facadas em alguém que (suponho) lhe terá feito alguma coisa que ultrapassava os limites da sua enorme tolerância.
Daqui vai um abraço com muita amizade, Vitorino.
Citações de café (18)
quinta-feira, 14 de maio de 2009
Acompanhando a saga dos curandeiros do orgone
Em parte por muito trabalho, em parte porque, quando tenho tempo de me aproximar da net, procuro toda a informação possível acerca de um caso bem peculiar que está em curso em Moçambique:
Recentemente, 4 pessoas de pele clara e nacionalidades diversas foram detidas em Cahora Bassa, a atirarem uns produtos esquisitos e desconhecidos para a água.
Temeu-se primeiro uma sabotagem («Cahora Bassa é nossa!», pelo que certamente os estrangeiros estão invejosos), depois uma tentativa de envenenamento da água.
Mas os homens assumiram-se como "Guerreiros do Orgone", que estariam a mandar à água "orgonite", a fim de contrabalançar as energias negativas vindas da globalização, de produtos da modernidade como os campos electro-magnéticos e outras coisas que tais.
Assim a modos que uns curandeiros new age a efectuarem um ritual de limpeza do país, a fim de assegurarem paz, prosperidade harmoniosa com o universo e etc.
Se vocês se lembram dos neo-freudianismos do Wilhelm Reich e das suas alegadas descobertas, o orgone seria uma "Energia Cósmica Primordial", omnipresente no universo e a que se deveriam, por exemplo, a côr do céu, o insucesso da maioria das revoluções e o orgasmo.
Se esta expedição tendo em vista o resgate da felicidade dos moçambicanos através da purificação do Zambeze já é, por si própria, um bom motivo de curiosidade, estou interessadíssimo na reacção das autoridades, dos meios de comunicação social (sempre gozões para com as crenças e práticas locais que não compreendem) e da população a estes curandeiros 'brancos' cheios de tecnologias modernas e argumentações que procuram usar uma linguagem científica.
Cheira-me que isto ainda vai dar um belo artigo. Para além, claro, de umas belas confusões, antes disso.Entretanto, se também vos interessar, vão acompanhando as informações que, sempre em cima da hora, o Carlos Serra vai disponibilizando.
terça-feira, 5 de maio de 2009
Vivó cota dos desenhos animados!
Abençoada infância! E ainda bem que ainda vai havendo dinheiro para a manter assim...
No meu tempo (e não é que, ao fim de 45 anos, lá me saiu o raio da frase?), só havia um programa de televisão (a preto-e-branco) de que eu sabia o horário. E estava pronto a aguentar estoicamente os desenhos animados checos, polacos e búlgaros, para ver os dois outros amores do cota que organizava a coisa e mandava umas bocas pelo meio: os filmes do Tex Avery e do Norman McLaren. Para não falar, depois, na curtida da Pantera Cor-de-rosa.
Também na banda desenhada, parece que o homem travou duras batalhas em defesa de um boneco "mal desenhado", segundo muitos leitores da revista Tintin: um tal de Corto Maltese.
Míudo mesmo miúdo, não acompanhei essas polémicas na própria revista, de que era assinante (obrigado, pai!). Eram muitas letras, com conversas do chacha.
Mas lá o tal boneco, adorava-o. E continuei a adorar, mesmo nas histórias que não me dissessem muita coisa.
O Vasco Granja, soube agora, morreu.
E quase nenhuma outra pessoa terá dado tanto a uma geração.
Um enorme obrigado!
sábado, 2 de maio de 2009
Vital Moreira foi em demanda da sua Marinha Grande...
Não vi a coisa.
Estava bem mais acima, descendo a avenida com a família, ao encontro do desfile. Só por um amigo, dirigente da CGTP, vim a saber na Alameda o que se passara.
Foi, claro está, feio e democraticamente inaceitável.
Mais ainda, contraproducente.
Mas foi, também, um preocupante sintoma da presente situação social e da angústia e desespero que ela suscita em quem mais a sofre.
Porque, parece-me, Vital Moreira e Vitalino Canas não têm razão naquilo a que atribuem o que aconteceu.
Para além de as organizações não serem donas dos actos de umas dezenas de pessoas que reajam de forma mais agressiva a presenças que lhes desagradem, não me parece, de todo, que Vital Moreira tenha sido insultado devido à sua longínqua condição de ex-comunista.
Parece-me que o cidadão Vital Moreira é, neste caso, irrelevante.
Parece-me até que, em geral e enquanto indivíduo, é irrelevante para a maioria das pessoas.
Poderá ter sido um brilhante obreiro da nossa Constituição de 1976 e ser, hoje, um aspirante a Vasco Graça Moura do socratismo, mas nada que suscite ódios pessoais, mesmo ao mais sectário dos velhos comunistas da Cintura Industrial que deus tenha.
Também não me parece que se tratasse de um ataque ao PS, enquanto tal.
Que se tratasse de um ataque ao governo, que é do PS, que por sua vez tem em Vital Moreira a sua cara em campanha eleitoral, já fará mais sentido.
Mas ao governo, não simplesmente por o ser, mas por gerir nacionalmente um emaranhado de crises (uma de origem internacional, outras nacionais), de uma forma que multiplica em grande velocidade os dramas pessoais e situações sociais desesperadas, e de uma forma que é vista popularmente como distribuidora de benesses aos responsáveis pela situação.
Só quem limite o seu sentido da realidade actual àquilo que chega aos ecrãs dos telejornais será incapaz de compreender o que representa, para cada uma das suas vítimas, o despedimento colectivo (envolvendo muitas vezes toda a família), salários em atraso ou o encerramento 'profilático' de empresas - sejam elas de sectores económicos 'arcaicos' ou 'de ponta'.
E que essas situações se multiplicam a um ritmo assustador, abrangendo dezenas de milhares de pessoas e localidades inteiras, ameaçando todos os que têm emprego.
Isto, a par da aparente recompensa aos bancos - e não só aos geridos de forma incompetente e criminosa, mas também àqueles que muito competentemente vão sugando, a cada um de nós, todo o dinheiro que conseguem.
Multiplicam-se as situações insustentáveis e, com elas, os sentimentos explosivos de revolta indiscriminada, que em nada precisam de estímulos politico-partidários para se expressarem.
É verdade que, após 35 anos em liberdade, é esperada numa manifestação de 1º de Maio urbanidade e tolerância na expressão desses sentimentos individuais de revolta.
Mesmo se, ainda não há tanto tempo assim, o Porto assistiu à morte de manifestantes por parte da Polícia, a mando do governo da altura.
Mas, sendo a situação presente aquela que é, das duas uma:
Ou Vital Moreira e a direcção do PS estão de tal forma alienados das terríveis condições enfrentadas por esse país fora que, candidamente, não foram capazes de antecipar a possibilidade de reacções individuais agressivas a uma sua presença, também eleitoral, numa manifestação onde é inevitável a cristalização do descontentamento e revolta com a situação actual;
Ou, então, Vital Moreira e a direcção do PS apercebem-se bem dessa evidência, e a deslocação ao Martim Moniz dos seus candidatos ao Parlamento Europeu jogou com essa possibilidade, que se veio a concretizar.
Não fazendo eu a Vital Moreira e à direcção do PS a injustiça de os considerar estúpidos, irresponsáveis ou alienados, acredito que se tratará da segunda hipótese.
E o tratamento que têm dado ao assunto reforça esta convicção.
Vital Moreira foi em demanda da sua chapada da Marinha Grande - como aquela que, há muitos anos, catapultou Mário Soares dos últimos lugares nas sondagens para o palácio de Belém.
E houve quem lhe fizesse a vontade.
quinta-feira, 30 de abril de 2009
'Tou lá no sábado
Favelas, drogas e violência
Na interessantíssima discussão que se seguiu, argumentou-se acerca da ideia peregrina mas bem real de cercar as favelas do Rio de Janeiro com muros tipo Gaza, sobre a criminalização implícita de todas essas multidões que vivem entaladas entre as espadas de letal violência da polícia e dos traficantes, e sobre controle de criminalidade.
Saindo da faculdade, havia uma pergunta que (como em muitas alturas anteriores) não me saía da cabeça:
Se é evidente que, por todo o mundo actual, uma enorme parte da criminalidade violenta decorre da circulação proibida de drogas e se o narcotráfego tira os seus enormes lucros dessa proibição, por que raio é que não se equaciona com seriedade "partir-lhe a espinha", tornando as drogas acessíveis em estabelecimentos públicos, ao preço de um macito de tabaco?
Será por os semi-analfabetos chefes de gangs locais não serem, obviamente, os organizadores e principais beneficiários do tráfego, incluindo nos países de consumo?
terça-feira, 28 de abril de 2009
Portugal Moçambicaniza-se (V)
O Ministério da Educação recolhe imagens nas escolas, para o partido do governo meter no seu tempo de antena televisivo.
domingo, 26 de abril de 2009
sábado, 25 de abril de 2009
Pois, cá p'ra mim, é um dia de festa
Há uma coisa que há muito me fascina nas opiniões tornadas públicas pelo meu colega Vasco Pulido Valente:
Embora tragam sempre consigo uma preocupação de originalidade e de refinada reflexão intelectual, é com frequência que as ouço reproduzidas por taxistas de direita, acompanhadas daquela frase desejada por qualquer opinador - «é mesmo isso que eu penso».
Talvez para homenagear esse seu público fiel, VPV inverteu o processo, na sua crónica de hoje no Público.
Citou ele os discursos dos taxistas acerca do 25 de Abril, num tom de «é mesmo isso que eu penso».
Não obstante, numa altura ou outra enganou-se na transcrição. Escreveu «os militares» em alturas em que eles dizem «os comunas».
quinta-feira, 23 de abril de 2009
África do Sul às urnas - actualização
Uma maioria do ANC acima dos 2/3 era, contudo, a situação anterior.
Mas a coisa ganha importância devido à imprevisibilidade e peculiaridades de Jacob Zuma e à postura trauliteira que vem vindo a ser assumida pela organização juvenil do partido.
No entanto, o ANC tem ainda uma enorme força na sua bem real e muito profunda democracia interna. A mesma que fez apear Mbeki, quando quiz (precisamente) fazer alterar a Constituição, para poder cumprir mais mandatos como Presidente da República.
Esperemos para ver.
Uns abanões a tempo
Está a ficar cada vez mais obscena (nas suas delirantes argumentações pseudo-legais e no generalizado envolvimento da administração Bush) a história da autorização norte-americana ao uso daquilo a que o bota-de-elástico que será homenageado dia 25 de Abril em Santa Comba Dão chamou «uns abanões a tempo».
Agora, a tortura do sono e a "estátua", tão bem conhecidas de muitos resistentes anti-fascistas portugueses, passaram de «abanões» a «técnicas de interrogatório avançadas», a par da repetida simulação de afogamento.
Não tão avançadas assim, senhores do Pentágono e de alvas casas. Afinal, já a polícia política fascista de um país atrasado as utilizava há muitas décadas atrás...
Não tinha era o despudor de negar que fossem tortura.
A sua utilização por parte de um país democrático moderno é um inaceitável retrocesso civilizacional.
Mas a sua justificação com minudências sofísticas que procuram negar que sejam o que são (e, com isso, tornar letra morta a proibição da tortura) é um retrocesso ainda mais obsceno.
África do Sul às urnas
Quando estavam apurados 25% dos votos, o ANC ia um pouco abaixo dos 2/3 que permitem alterações na Constituição - coisa que eu, já avesso a maiorias absolutas no país onde voto, devido à arrogância e unilateralismo que estimulam, considero uma situação desejável.
O COPE, novo partido formado por dissidentes Mbekianos do ANC, terá contribuído para essa baixa desde os anteriores 70%, mas está a ficar muito aquém das expectativas dos seus dirigentes - menos de 8% dos votos.
Mas, afinal, quando uma longa liderança reduz o black empowerment ao enriquecimento de meia dúzia de pessoas de pele escura, esquecendo todas as outras, fica difícil arranjar muita gente interessada em votar nela.
Nova do Azagaia
Entretanto, saiu outro clip do polémico rapper moçambicano Azagaia.
Doi bastante.
Mas já ouvi isto muitas vezes, por outras palavras, no caniço de Maputo.
quarta-feira, 22 de abril de 2009
Dia da Terra
As que apareceram em sites de jornais deixaram já, quase todas, de estar acessíveis. A "actualidade", mesmo quando pouco relevante, (re)tomou-lhes o lugar - e ainda nem sequer o dia acabou.
Vê-se, afinal, a importância que é realmente dada às questões ambientais/energéticas a que tão importantes palavras foram sendo dirigidas ao início do dia. Valem, parece, pela "actualidade" e pela celebração, assim tipo uma oferta de flor no Dia da Mulher.
Está ainda acessível este dossier, com vários dados interessantes.
E a vossa vontade, ou não, de aproveitarem as coisas que foram ouvindo e vendo ao longo do dia para fazerem, quanto mais não seja, um pequeno bater de asas de borboleta.
Pela minha parte, decidi aproveitar o futuro reembolso de IRS cobrado em excesso para arranjar uma bicicleta com motor eléctrico.
Para além do mais, cheira-me que vou acabar por poupar umas boas massas.
domingo, 19 de abril de 2009
A caminho da humanidade
No seguimento de tomadas de posição humanas e que me parecem ética e moralmente inatacáveis por parte de alguns dos seus confrades, o Cardeal Patriarca de Lisboa veio falar do preservativo em tempos de SIDA.
Diz que partilha a opinião do Papa, porque especialistas lhe disseram que o preservativo é um meio falível de prevenção.
E de facto é, em termos absolutos, tanto por ser largamente desvalorizado no sexo oral, como pelo seu uso inconsistente por parte das pessoas, em virtude das noções locais e culturais acerca do que é "sexo seguro" que são bastante diferentes dos pressupostos epidemiológicos (vejam aqui, a este respeito, o artigo de Emídeo Gune).
Mas, também de facto, daí não decorre nem a irrelevância da "camisinha", nem que o Cardeal partilhe, como diz, as opiniões do Papa - ou, mais precisamente, que o Papa partilhe as opiniões agora expressas pelo Cardeal.
As actuais limitações do uso do preservativo como instrumento exclusivo de prevenção implicam (sendo ele o instrumento mais eficaz) o repensar das formas de intervenção e comunicação, em vez do descanso sobre estatísticas que podem dizer coisas bem diferentes daquelas que os epidemiologistas pressupõem. Não implicam o seu abandono, como se fosse irrelevante.
E o que o Papa disse e pensa (pelo menos a julgar pelo que diz e pela doutrina acerca do assunto que veio criando desde que o Papa era outro e ele era o inquisidor-mor) também não é o que o Cardeal agora diz: que sendo o preservativo falível, tem que ser complementado por outras formas de prevenção.
O Papa está contra o uso do preservativo e contra o estímulo a esse uso. Ponto final. O resto são justificações.
A não ser que esteja a mentir, o que não parece de todo provável, não é esse o caso do Cardeal Patriarca de Lisboa.
Com toda a solidariedade institucional para com o chefe que está expressa nas suas declarações, o que diz é radicalmente diferente da doutrina do chefe.
O que o Cardeal declara é uma posição que está a caminho da humanidade (enquanto sentimento e postura moral). O que o Papa reclama baseia-se numa posição desumana.
Com todos os paninhos quentes, o Cardeal fala como quem dá importância a Cristo e ao Deus do novo testamento. O Papa, como quem segue o Deus do antigo testamento e S. Paulo.
E, desculpem-me os cristãos, entre uma coisa e outra há um mundo de diferença.

















