segunda-feira, 10 de setembro de 2012

A Voz do Operário precisa de uma mão para minimizar a fome


Fiquei a saber hoje à tarde que a Voz Operário começou a disponibilizar refeições, para acorrer às crescentes situações de FOME nas zonas limítrofes de S. Vicente, Graça e Sta. Engrácia.


Devido às próprias limitações financeiras da Voz, a sustentabilidade destas acções requer o trabalho solidário de quem as queira apoiar para, aos jantares e fins-de-semana, cozinhar, servir ou levar as refeições a pessoas com dificuldades de mobilidade. Mesmo que cada um só possa o fazer uma vez por semana, ou de 15 em 15 dias.

Cá irei tentar encontrar uns buraquinhos na minha agenda.
E, se têm a vontade e a disponibilidade, apelo a que também o façam e divulguem.

domingo, 19 de agosto de 2012

"O aphartheid não tem raça"


O sociólogo moçambicano Carlos Serra está a desenvolver, com o título em epígrafe, uma série de posts acerca do já chamado Massacre de Marikana.
Enquanto o motor aquece, vai fornecendo os links de muitos textos pertinentes para compreender aquilo que se passa.

Irei acompanhar atentamente, aqui, e sugiro que o façam também.
Os primeiros posts da série estão aqui , aqui, aqui e aqui.

Neste quarto post, «Entretanto, vários canais noticiosos e analíticos têm apresentado os mineiros por um lado como meros joguetes de dois sindicatos em luta e, por outro, como fautores de desordem, como um rio violento por natureza. Muito raros são aqueles que têm procurado situar os trabalhadores não em epítetos mas na vida real, em relações sociais concretas, entre as margens que, afinal, os comprimem.»

sábado, 18 de agosto de 2012

Os idos de 1940's


Houve juízes entusiasticamente dispostos a fazerem parte dos Tribunais Plenários, e continua a haver juízes sempre prontos a prestimosamente vergarem a espinha aos desejos e desenrasques dos poderosos e ricos.

Existiram os seus paralelos espanhois e continuam a existir os que entusiasticamente afastam Garzan, a bem da impunidade moral e memorial da barbárie fascista.

Havia empenhados juízes nos processos-farsa soviéticos da década de 1940 e continua a haver pressurosos instrumentos dos desejos de qualquer poderoso que esteja no Kremlin.

Talvez seja uma profissão atractiva para dejectos humanos, a par de para muita outra gente que a honra.
Mas as ordens e as leis esdrúxulas que lhes dão espaço vêm de outros lados. De tiranos, ou de aspirantes a inimputáveis e/ou tiranetes justificados pelo voto.

"Nossa Senhora, livra-os do Putin!"

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Tempos e cores


A polícia anti-motim da África do Sul disparou com metralhadoras sobre grevistas da mina de platina Lonmin em Marikana, uma das maiores do mundo e situada a cerca de 100 kilómetros de Joanesburgo.
Um repórter sul-africano presente no local contou 18 cadáveres, em resultado desses disparos.
Confrontos anteriores ocorridos durante a greve contabilizavam já 10 mortos, desde o início da semana.

Esta notícia não é de 16 de Agosto de 1992, nem de 1982, nem de 1972. É de hoje.
Mas, como diz Nic Borain, só nos tempos do apartheid se podem encontrar paralelos com uma actuação policial e estatal como esta.
É claro que,  agora, os polícias são bastante mais escuros e os que neles mandam também. Tal como são mais escuros muitos dos muito ricos da África do Sul.

O que, imagino, descansará muito boa gente.
E levará mesmo alguns a milagres de malabarismo, para justificarem acontecimentos como este.
Poderão, até, juntar-se às preocupações da pobre empresa mineira, que se queixa amargamente da quantidade de platina e lucros que está a perder com a greve...

(mais informações aqui, aqui e aqui)

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Nem para eles são bons...


É curioso que nem os agentes deste tipo de forças policiais nem os paranoicos securitários do "inimigo interno" que neles mandam, directa ou indirectamente (na Espanha e aqui), se lembrem de que tais excessos de força contra quem protesta acabarão por levar, num qualquer futuro próximo, a que sejam ceifados a tiro de caçadeira por pais de família arruinados, revoltados e desesperados, quando se prepararem para, uma vez mais, brincarem aos pauzinhos de amolgar ideologias e às balas de borracha...

sábado, 7 de julho de 2012

Equidade e iniquidades - 1


Sempre que começo a escrever sobre o caso Relvas/Lusófona, só me saem coisas impublicáveis.
Seja pelo enorme insulto que constitui para alunos, professores e cidadãos em geral, seja porque vários fios que permitem compreender a teia de aranha em questão exigiriam mais provas do que o conhecimento pessoal, para que pudessem ser escritas sem ameaças (e despesas) de processos.

Mas uma coisa sinto necessidade de dizer:
A nenhum dos alunos do único curso de antropologia que por lá foi leccionado a licenciatura saiu na Farinha Amparo.
Todos trabalharam no duro e, pelo menos nas cadeiras de Antropologia Económica, de Antropologia do Simbólico, de Teorias Antropológicas e de Antropologia da Educação (que leccionei), as notas que alcançaram foram plenamente merecidas, perante programas tão ou mais exigentes do que os seus congéneres noutras universidades.


Por outro lado, este caso rouba-me a possibilidade de continuar a utilizar a frase paternalista que, na FCSH, me permite responder de forma mais ou menos simpática àqueles alunos sornas que não foram às aulas nem estudaram nada (e que tiveram um 8 por favor, para irem a exame), quando eles pedem pelas alminhas um 10, que consideram um direito e um serviço público .
Tenho vindo a dizer, nessas ocasiões, «Dar-lhe um 10 seria o piorzinho que eu lhe podia fazer. Quem é que quer alguém que faz cadeiras troncais de um curso com 10? Seria escrever no seu certificado de habilitações que você é incompetente. Mais vale estudar alguma coisa no ano que vem.»
Já não lhes posso dizer isso, sem pelo menos lhes perguntar se estão seguindo a trilha dos Juliens Sorrel de O Rosa e O Laranja. Pois, nesse caso, esse 10 pode vir a equivaler a uma licenciatura quase completa, e eu é que passo por parvo...
Lá terei, então, que adoptar um mais trivial «se quer um 10, estude um mínimo dos mínimos para merecer passar, mesmo que com a mais medíocre das notas!»

terça-feira, 26 de junho de 2012

Assino por baixo!

RESGATAR PORTUGAL PARA UM FUTURO DECENTE

Convocatória para um Congresso Democrático das Alternativas


“Só vamos sair da crise empobrecendo”. Este é o programa de quem governa Portugal. Sem que a saída da crise se vislumbre, é já evidente o rasto de empobrecimento que as políticas de austeridade, em nome do cumprimento do acordo com a troika e do serviço da dívida, estão a deixar à sua passagem. Franceses e gregos expressaram, através do voto democrático, o seu repúdio por este caminho e a necessidade de outras políticas. Em Portugal, o discurso da desistência e das “inevitabilidades” continua a impor-se contra a busca responsável de alternativas.

Portugal continua amarrado a um memorando de entendimento que não é do seu interesse. Que nos rouba a dignidade, a democracia e a capacidade de coletivamente decidirmos o nosso futuro. O Estado e o trabalho estão reféns dos que, enfraquecendo-os, ampliam o seu domínio sobre a vida de todos nós. Estamos a assistir ao mais poderoso processo de transferência de recursos e de poderes para os grandes interesses económico-financeiros registado nas últimas décadas.

Tudo isto entregue à gestão de uma direita obsessivamente ideológica que substituiu a Constituição da República Portuguesa pelo memorando de entendimento com a troika. E que quer amarrar o País a um pacto orçamental arbitrário, recessivo e impraticável, à margem dos portugueses. Uma direita que visa consolidar o poder de uma oligarquia, desmantelar direitos, atingir os rendimentos do trabalho (que não sabe encarar como mais do que um custo), privatizar serviços e bens públicos, esvaziar a democracia, desfazer o Estado e as suas capacidades para organizar a sociedade em bases coletivas, empobrecer o país e os portugueses não privilegiados.

Num dos países mais desiguais da Europa, o resultado deste processo é uma sociedade ainda mais pobre e injusta. Que subestima os recursos que a fortalecem, a começar pelo trabalho. Que hostiliza a coesão social. Que degrada os principais instrumentos de inclusão em que assentou o desenvolvimento do País nas últimas quatro décadas: Escola Pública, Serviço Nacional de Saúde, direito laboral, segurança social.

Este é um caminho sem saída. O que está à vista é um novo programa de endividamento, com austeridade reforçada. Sendo cada vez mais evidente que as políticas impostas pela troika não fazem parte da solução. São o problema. Repudiá-las sem tibiezas e adotar outras prioridades e outras visões da economia e da sociedade é um imperativo nacional.

Este é o tempo para juntar forças e assumir a responsabilidade de resgatar o País. É urgente convocar a cidadania ativa, as vontades progressistas, as ideias generosas, as propostas alternativas e a mobilização democrática para resistir à iniquidade e lançar bases para um futuro justo e inclusivo que devolva às pessoas e ao País a dignidade que merecem.

São objetivos de qualquer alternativa séria: a defesa da democracia, da soberania popular, da transparência e da integridade, contra a captura da política por interesses alheios aos da comunidade; a prioridade ao combate ao desemprego, à pobreza e à desigualdade; a defesa do Estado Social e da dignidade do trabalho com direitos.

É preciso mobilizar as energias e procurar os denominadores comuns entre todos os que estão disponíveis para prosseguir estes objetivos. Realinhar as alianças na União Europeia, reforçando a frente dos que se opõem à austeridade e pugnam pela solidariedade, pela coesão social, pelo Estado de Bem-Estar e pela efetiva democratização das instituições europeias.

É fundamental fazer escolhas difíceis: denunciar o memorando com a troika e as suas revisões, e abrir uma negociação com todos os credores para a reestruturação da dívida pública. Uma negociação que não pode deixar de ser dura, mas que é imprescindível para evitar o afundamento do país.

Para que esta alternativa ganhe corpo e triunfe politicamente, é urgente trabalhar para uma plataforma de entendimento o mais clara e ampla possível em torno de objetivos, prioridades e formas de intervenção. Para isso, apelamos à realização, a 5 Outubro deste ano, de um congresso de cidadãos e cidadãs que, no respeito pela autonomia dos partidos políticos e de outros movimentos e organizações, reúna todos os que sentem a necessidade e têm a vontade de debater e construir em conjunto uma alternativa à política de desastre nacional consagrada no memorando da troika e de convergir na ação política para o verdadeiro resgate democrático de Portugal. Propomo-nos, em concreto, reunindo os subscritores deste apelo, iniciar de imediato o processo de convocatória de um Congresso Democrático das Alternativas. Em defesa da liberdade, da igualdade, da democracia e do futuro de Portugal e do seu papel na Europa. E apelamos a todos os que não se resignam com a destruição do nosso futuro para que contribuam, com a sua imaginação e mobilização, para a restituição da esperança ao povo português.


Bem... Na verdade, já assinei.
Eu, e outros 300.


segunda-feira, 25 de junho de 2012

Parabéns, Moçambique!


Com os meus desejos de que a equidade e justiça sociais também acabem por ser conquistadas, tal como a independência que com elas sonhou.

Bayete, povo moçambicano!

terça-feira, 19 de junho de 2012

"Primavera Árabe" em balanço


Acaba de sair um novo número da revista Alternatives Sud, fazendo aquilo que é apresentado como um primeiro balanço da "primavera árabe".
Para além de artigos sobre a Tunísia, Egipto, Síria, Yemen e Barhain, também é discutida a situação na Argélia, Marrocos e Jordânia, assim como a reacção dos EUA aos acontecimentos do ano passado.
O índice completo e a introdução a cada artigo estão disponíveis AQUI.

domingo, 10 de junho de 2012

Chaves das Portas do Social


Para quem estiver pelos lados de Maputo na próxima quarta-feira, será boa ideia ir ao lançamento do mais recente livro de Carlos Serra, Chaves das Portas do Social. Pela importância da obra e pela sua apresentação pelo escritor Ungulani Ba Ka Khosa.
O meu prefácio ao livro (uma inesperada mas grata honra) está disponível aqui.

Estado moçambicano condenado em tribunal pela morte de criança nos protestos de Setembro de 2010


O Estado moçambicano foi condenado pelo Tribunal Administrativo do seu país a pagar uma indemnização de 500.000 meticais (cerca de 14.300 euros), devido ao baleamento mortal pela polícia de Hélio Muianga, de 11 anos de idade, durante a repressão aos protestos populares ocorridos em Maputo no início de Setembro de 2010 (veja-se aqui, aqui, aqui, aqui e aqui).

Atingido na cabeça por forças policiais que foram enviadas para a rua sem equipamento anti-motim e com ordem para não deixarem alastrar os protestos da "cidade de caniço" para a "cidade de cimento", Hélio destacara-se na altura, de entre os 14 cidadãos mortos a tiro pela polícia nesse dia, por o seu cadáver manter ao ombro a sacola dos livros da escola, de que tinha regressado a casa. Tornara-se, por isso e pela sua idade, num icone particularmente chocante da reacção governamental aos protestos populares contra a decisão de aumentar os preços dos bens essenciais.

A indemnização, um valor certamente incrível para a família da criança assassinada, não será particularmente relevante para o Estado moçambicano. Corresponderá, talvez, a um banquete oficial, a algum seminário sobre um tema em moda, ou a algumas horas de voo dos helicópteros utilizados em visitas presidenciais.

Não obstante, a sentença é inédita e corajosa, dando um sinal muito relevante de que existem limites à repressão governamental, à luz da própria lei que legitima o poder do Estado.

Apesar disso, não são conhecidas quaisquer procedimentos criminais contra o Ministro do Interior, as chefias policiais ou os agentes que materialmente causaram a morte das 14 pessoas - embora, no último caso, isso tenha sido requerido à Procuradoria Geral da República.

sábado, 9 de junho de 2012

Falcões e pombas


Enquanto anda meia internet maravilhada com os falcões que fizeram ninho numa varanda, cá por casa, modestamente, somos mais pombas.
Hoje, nasceram as duas daqueles ovos. Ao contrário de há uns anos atrás.
Olhem... Bem-vindas, meninas.

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Quando, para além do dinheiro e do emprego, nos querem levar a dignidade


Desenho da Gui Castro Felgas, para ver enquanto se ouve a reacção de D. Januário Torgal ao agradecimento do nosso primeiro à «paciência» dos portugueses.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Será que vou ser obrigado a exercer a mobilidade?

 

No discurso governativo, a julgar por declarações do Secretário de Estado da Juventude que neste momento passam na TVI, já não se diz a palavra "emigrar".
Agora, o que os jovens fazem (e esta alminha, secundada pelo nosso primeiro, lhes mandou fazer) é «exercer a mobilidade».
Para provavelmente fugirem ao «coiso»... digo, à «zona de conforto» da  «oportunidade».
Até na sua obscenidade estes chico-espertismos semânticos são paupérrimos. Claramente, há muito quem governe e pense «acima das suas possibilidades».
E fica a dúvida: será que vou ser obrigado a exercer a mobilidade? Ou que, em vez de exercer a mobilidade, o pessoal se mobiliza?

Coelhinho, se eu fosse como tu...



Preocupada, coitadinha, com o rápido aumento do desemprego em Portugal (país tão necessário para tentar apresentar como exemplo de que as suas políticas não são um total e completo desastre, em todas as suas vertentes), a troika, em nova visita paga a preço mais caro que o ouro, « afirma que “novas acções para melhorar o funcionamento do mercado de trabalho são urgentes”, esclarecendo que “isto inclui reformas institucionais que dêem às empresas uma maior flexibilidade para fazerem convergir os custos de trabalho e a produtividade”».
Ou seja, dizem esses dignos contabilistas ideológicos pseudo-tecnocratas, na sua langue de bois ideológica pseudo-tecnocrata, urge combater o desemprego com menores salários e maior precariedade.

Entretanto, os pressurosos e coelhistas governantes vão pressurosamente disponibilizar 6.650 milhões de euros para aumentar a liquidez dos 3 maiores bancos nacionais. É sempre bom saber para onde é que vão os 4 salários que este ano vou receber a menos do que em 2010.
Ou será que essa é uma questão de flexibilidade?

domingo, 3 de junho de 2012

Não sei se a história se repete...


... mas a natureza parece bem que sim.
5 anos depois, há de novo uma pomba a chocar ovos num vaso para sementes homeless da minha senhora.


E repito: a reprodução é um golpe baixo da natureza!

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Epistemologias e pobrezas envergonhadas


Talvez o que a antropologia tenha de mais útil e eficaz, enquanto forma de descobrir e fazer perguntas, e forma de tatear o que está por debaixo do pulso, seja a atenção ao significado e peso de acontecimentos por vezes fugazes.
Há uns minutos, cruzei-me na rua com um casal "normalíssimo" (i.e., com aspecto mediano e vestido de uma forma que qualquer um podia utilizar para ir trabalhar) a acabarem de revolver, com cuidado para não se sujarem, o caixote de lixo de um supermercado.
O homem, que carregava ao ombro uma daquelas sacolas de compras grandes e reutilizáveis que os supermercados agora nos vendem, dirigiu à mulher um qualquer comentário satisfeito, julgo que com os resultados da noite - que já devia ter passado por outros caixotes comerciais, pois a sacola tinha um ar anafado. Ela, estava mais preocupada em não olhar na minha direcção, em que mais ninguém senão eles estivesse naquela rua.
Depois de um encontro como este, quem é que poderia levar a sério sondagens, inquéritos, estatísticas, tretas sobre princípios macroeconómicos, ou a excelsa senhora que os deu à luz?

domingo, 13 de maio de 2012

«Dêem uma oportunidade ao Pedro!»


Coisas que a gente diz, bem alto, quando está na Feira do Livro e se cruza com um primeiro-ministro que acha que o desemprego deve ser visto como uma oportunidade...

sábado, 12 de maio de 2012

A excepção e a regra

Foi feita justiça!
Um perigoso meliante, desses que andavam a desencaminhar criancinhas com subversivas explicações escolares em propriedade camarária abandonada e abusivamente utilizada, foi condenado a 5 meses de prisão, com pena suspensa, por agressão à autoridade.
A história conta-se depressa, com a ajuda as provas incriminatórias disponíveis numa reportagem fotográfica do JN:


Mesmo estando a ser amparado por um pressuroso agente da autoridade, para que não caísse (estava drógado, de certeza, são todos uns janados, esses gajos), o meliante agrediu selvaticamente o joelho de um outro agente que acorria para o ajudar, recorrendo a um golpe contundente dado com o nariz e o sobrolho.


Entrementes, um segundo meliante (como demonstrado pelo rabo-de-cavalo, são todos umas bichas, esses gajos) aproximou-se dos agentes, tentando agredi-los com mortais golpes de yoga.


Apesar da sua inqualificável agressão à autoridade, os beneméritos agentes ainda tiveram a bondade de conduzir o energúmeno a um sítio calmo onde pudesse limpar os resquícios que lhe deixou o seu acto violento. Corações de manteiga que são, ainda levaram o outro gressor, para o ajudar e lhe passar uma toalinha.

E, perante provas tão avassaladoras, ainda há malandros infiltrados nos jornais que têm a desfaçatez de escrever coisas destas?
Abenúncio! O mundo está perdido! Já não há respeito...

Não há ano mau que não possa ficar pior

Já não nos bastavam o diktat da grande finança por interposta troika, o desemprego, a precarização, a fome, os cortes nos salários, o roubo dos subsídios, o trabalho à borla, o rasgar do contrato social, os abusos de poder, a paranoia securitária, a esquerda sem diálogo e os governamentais conselhos para emigrarmos e para encararmos o desemprego como "uma oportunidade".
Já não nos bastava tudo isso, ainda tinham alguns dos melhores de entre nós que desaparecer a um ritmo assustador!


Obrigado, Bernardo, por ter vivido e por ter composto e tocado para nós.