... como o compreendo, sempre que volto do verão moçambicano para o inverno lisboeta, por curta que tenha sido a estada por lá!
sexta-feira, 7 de dezembro de 2012
Não sou um argentino a viver em Toronto, mas...
Feira do Livro no ICS
Oportunidade, também, para comprar a preço de saldo um dos livros mais recentes e que, a julgar pelo par de ensaios que já pude ler, merece por si só a deslocação:
Os Outros da Colonização - ensaios sobre o colonialismo tardio em Moçambique, organizado pelos meus 'velhos' amigos Omar Ribeiro Thomaz e Teresa Cruz e Silva, em conjunto com Cláudia Castelo e Sebastião Nascimento.
Boas leituras!
(Já que, quanto ao próprio Natal, ele ameaça ser um bocado para o chocho...)
Coelhos e nós górdios
Se tivesse estado mais atento durante as aulas de história, saberia que já Alexandre o Grande tinha encontrado a mais eficaz solução para lidar com o tal nó: cortá-lo.
E que, na história militar, "Nó Górdio" corresponde ao mais dispendioso e contraproducente fracasso português.
Ou será que, finalmente, está a aprender qualquer coisa?
sexta-feira, 23 de novembro de 2012
O meu amigo Jaime
Noivo no meu livro sobre o "Lobolo em Maputo", conheci-o como extrovertido operário da Mozal e depressa nos tornámos amigos daqueles bem próximos, de boas e más horas.
Neto do último régulo do Xipamanine, mandado como operário de ferrovias para a ex-RDA, foi desenrascando a vida como podia ao longo de muito tempo, até conseguir um trabalho estável e razoavelmente bem pago nos últimos anos.
Uma vida cheia, cuja narrativa há muito adiada não poderei, agora, deixar de apressar.
Mas também absurdamente curta, e obscenamente terminada quando, por fim, conseguia ir a pouco e pouco construindo com orgulho a sua casa na Machava-Socimol, dar melhores condições de vida à família.
Este tem sido um ano terrível, cheio de morte e perda.
Hoje, de novo, sinto vontade de não ser ateu, para poder ter um deus com quem reclamar.
quarta-feira, 21 de novembro de 2012
Crise, precariedade e outras violências
A presença destes fatores, clara e crescente em Portugal, não conduz inevitavelmente à violência pública de cariz político; mas quer o seu reforço, quer a interação com outros fatores (como as práticas de repressão), propiciam fortemente esse resultado.
As atuais políticas públicas criam um barril de pólvora.»
O hiper-resumo da comunicação que irei apresentar, dia 27 às 14 horas, na conferência Portugal em Mudança - Diversidades, Assimetrias, Contrastes, organizada pelo ICS no auditório 2 da Fundação Gulbenkian. Os restantes resumos das comunicações estão disponíveis aqui.
terça-feira, 20 de novembro de 2012
Portugal em Mudança - diversidades, assimetrias, contrastes
26 de Novembro
10h 30m – Paul de Grauwe, «A Crise das Dívidas Soberanas: Mundo, Europa, Portugal»
(moderador: Ricardo Costa)
12h – Crises: o passado no presente
Fátima Bonifácio (moderadora), Nuno Monteiro, Rui Ramos, Pedro Lains
14h 30m – Democracia e Poderes
Marina Costa Lobo (moderadora), António Hespanha, António Costa Pinto, Pedro Magalhães, Luís de Sousa, Paulo Trigo Pereira
16h 15m – Estado Social, Desigualdades e Minorias
José Luís Cardoso (moderador), João Ferreira de Almeida, Mónica Vieira, José Manuel Sobral, Carlos Farinha Rodrigues, Elísio Estanque
27 de Novembro
9h 30m – Crescer em Portugal
Cristiana Bastos (moderadora), Teresa Pizarro Beleza, José Machado Pais, Ana Nunes de Almeida, Vítor Sérgio Ferreira, Manuel Carvalho da Silva
11h 15m – Famílias e Envelhecimento: Mudanças e Desafios
José Luís Garcia (moderador), Manuel Villaverde Cabral, Karin Wall, Sofia Aboim, Mónica Truningen, Anália Torres
14h – Territórios e Desordens
José Manuel Rolo (moderador), António Figueiredo, João Ferrão, Luísa Schmidt, Paulo Granjo, Jorge Malheiros
16h – Portugal Social: O Que Nos Falta? (mesa redonda)
António José Teixeira (moderador), Boaventura Sousa Santos, José Felis Ribeiro, José Ferreira Machado, Maria Manuela Silva, Viriato Seromenho-Marques, Jorge Vala
Programa completo disponível aqui.
Resumos disponíveis aqui.
quinta-feira, 15 de novembro de 2012
Citações de café (35)
Ontem, ao re-inaugurar as instalações da Sicasal em dia de greve geral, o nosso primeiro (ou será segundo?) declarou frente às câmaras televisivas que «Temos que mostrar que o nosso amor pelo país não é platónico».
Ou seja (com vossa licença), a ideia é mesmo fodê-lo...
terça-feira, 13 de novembro de 2012
O Congresso Democrático das Alternativas apoia a Greve Geral e apela à adesão dos cidadãos
A proposta de Orçamento de Estado para 2013 – reforçando de forma brutal a espoliação dos rendimentos do trabalho e estrangulando as condições para a proteção social e o fornecimento de bens coletivos essenciais, como a saúde e a educação públicas – representaria, a ser aprovado, um acelerado empobrecimento do país e da generalidade dos cidadãos, um agravamento da recessão, da diminuição de procura interna, das falências, do desemprego e da fome, um insuportável e contraproducente massacre às condições de vida e à coesão social.
Representaria, afinal, um novo e calamitoso passo no ciclo vicioso de austeridade desigual, promovida em nome do pagamento da dívida e do equilíbrio orçamental, mas que impossibilita esse pagamento e equilíbrio à medida que destrói o país, a dignidade e as condições de vida dos cidadãos.
Conforme salienta a Declaração do Congresso Democrático das Alternativas (aprovada no passado dia 5 de Outubro) e se torna a cada dia mais evidente, qualquer saída economicamente eficiente, socialmente sustentável e humanamente digna para a atual crise implica a denúncia do memorando da troika, a renegociação dos montantes e termos da dívida e a implementação de políticas de crescimento económico sustentável, que requerem a reposição e reforço dos rendimentos do trabalho.
Trata-se de soluções cuja concretização exige mudanças profundas, generosas e corajosas tanto a nível nacional, quanto das políticas comunitárias que têm vindo a ser seguidas.
A inédita convergência internacional de greves gerais e outras ações anti-austeritárias no dia 14 de Novembro reforça, por isso, a importância e acuidade da Greve Geral que, no nosso país, foi convocada pela CGTP-IN e por grande parte dos sindicatos filiados na UGT.
À imperiosa necessidade de todos nós, cidadãos, dizermos «Basta!» às políticas austeritárias e as revertermos, junta-se a evidência de que essa necessidade é um imperativo partilhado por muitos outros povos europeus. Com isso se reforçam, também, as condições para que esta Greve Geral seja não apenas justa e necessária, mas também eficaz.
Por essas razões, a Comissão Organizadora do Congresso Democrático das Alternativas apoia a Greve Geral convocada para o dia 14 de Novembro e apela a todos os seus concidadãos para que a ela adiram. Apela ainda a que, nesse dia, também exprimam o seu protesto, descontentamento e exigência de políticas alternativas através da participação nas ações públicas convocadas no âmbito da Greve Geral, juntando-se assim às iniciativas que terão lugar em vários países europeus – Alemanha, Bélgica, Espanha, França, Grécia, Itália, Portugal, Roménia, Reino Unido, República Checa, Eslovénia, Suíça, Áustria, Holanda e Polónia.
Equivalência à cadeira de "Pseudo-Jornalismo Canalha II", por apenas 1,30 euros
2. Arranje um título que permita uma desculpa para, juntando cores pouco legíveis, só se ler à primeira vista de quem se trata e que mostraram como são. Por exemplo, "Forças Armadas mostram", e depois uma coisa qualquer que não se leia, como "cartão vermelho" escrito a vermelho sobre castanho.
3. Ponha por cima, em letras garrafais e numa sequência e arranjo gráfico em que esse título corresponda, nos outros dias, à fotografia que se lhe segue, uma coisa horrorosa e repulsiva de que esteja a ser acusado um membro do grupo que se está a manifestar na foto. Por exemplo, "Militar manda queimar filho recém-nascido". Chiça!
4. Se ainda não estiver toalmente seguro do efeito e o quiser reforçar com uma cena mais discreta e subliminar, enfie com um rodapé que reforce a repulsa. Por exemplo, oito fotos de bebés fôfinhos, com um discreto título do tipo "Bebés da esperança".
5. Sirva aos clientes e passantes. Se alguém reclamar, diga que é mera coincidência resultante das prioridades do interesse jornalístico, reclame que é um jornalista respeitado e isento e nunca faria nada de tão baixo.
sexta-feira, 9 de novembro de 2012
Uma excelente oportunidade de ouvir a esquerda europeia que está contra as troikas

Estarão Alexis Tsipras, da Syriza (Grécia), Jean-Luc Mélenchon, do Parti de Gauche (França), Gabrielle Zimmer, do Die Linke (Alemanha) e Cayo Lara, da Izquierda Unida (Espanha).
Independentemente do partido em que se milite (ou de não se militar em nenhum), parece-me bem que vale a pena ver a esquerda europeia a unir-se contra a austeridade.
terça-feira, 30 de outubro de 2012
hoje, debater o Orçamento 2013: rejeição e alternativas
Moderado por Ana Costa, o debate terá como oradores iniciais António Carlos Santos, José Castro Caldas, José Guilherme Gusmão e Pedro Delgado Alves.
Insere-se no âmbito da petição para a rejeição da proposta de Orçamento de Estado 2013, que já recolheu 10.000 assinaturas numa semana e pode ser subscrita aqui.
Amanhã, manif frente à Assembleia da República.
terça-feira, 23 de outubro de 2012
PETIÇÃO PELA REJEIÇÃO DO ORÇAMENTO DE ESTADO 2013
« Exmo. Senhor Presidente da República
Exmos. Senhores Deputados da Assembleia da República
Os signatários apelam à vossa responsabilidade política e institucional perante o país e perante todos os cidadãos, para que seja rejeitada a proposta de Orçamento de Estado para 2013 apresentada pelo Governo. A sua aprovação constituiria certamente um mal maior para o país e os portugueses comparativamente com as consequências da sua rejeição.
Esta proposta de OE, já contestada pela opinião pública e pela grande maioria dos especialistas, significa o prosseguimento e agravamento do caminho para uma austeridade ainda mais recessiva, com mais desemprego, mais destruição da economia, mais empobrecimento, mais desigualdade social e menos justiça fiscal. Em nome dos credores, rouba o futuro e a esperança ao país e aos portugueses. Ofende princípios constitucionais relevantes, designadamente o princípio da confiança (dimensão importante do princípio democrático), os direitos do trabalho, os direitos sociais e a progressividade e equidade fiscais.
Aos Deputados, apelamos para que rejeitem esta proposta governamental de Orçamento de Estado, assumindo plenamente a vossa condição de representantes eleitos do povo e de todo o País, que é superior a quaisquer outras fidelidades ou compromissos;
Ao Presidente da República, na qualidade de supremo representante da República, garante da independência nacional, da unidade do Estado e do regular funcionamento das instituições democráticas, obrigado a respeitar e a fazer cumprir a Constituição, apelamos a que exerça o seu direito de veto sobre este Orçamento de Estado, no caso de ele ter aprovação parlamentar ou, no mínimo, que o submeta, no exercício das suas competências, à fiscalização preventiva do Tribunal Constitucional. »
Concorda?
Assine aqui.
sexta-feira, 19 de outubro de 2012
blog do Centro de Estudos Africanos - UEM
De momento, para além de um link para os números da revista Estudos Moçambicanos, encontramos textos de Francisco Vieira, Teresa Cruz e Silva, Jonas Mahumane, Chapane Mutiua, Calisto Pacheleque e Jacques Depelchin, acerca de temas de grande interesse.
Muito mais se seguirá, certamente.
A visitar com regularidade e atenção.
sexta-feira, 12 de outubro de 2012
Disent-ils, Mr. le Commissaire
Esta noite, algumas centenas de cidadãos europeus decidiram protestar contra o banquete dos "Amigos da Europa", um respeitável lobby de ricos financeiros e políticos austeritários, entre os quais depenicaram Durão Barroso e o senhor Van qualquer-coisa, que dizem que é presidente da UE.
Acabada a coisa, e quando o pessoal que morava noutras direcções já tinha feito diminuir o grupo de perigosos meliantes que se ia embora junto, a polícia federal belga achou por bem rodear, algemar e prender os manifestantes que sobravam. Assim a modos de que porque sim; pois se os incomodados não são notários mas banqueiros, as leis, liberdades, o tal de Estado de Direito tornam-se coisas flúidas e irrelevantes.
Neste cantinho da Europa, soubemos da coisa porque o Zé Gusmão, recente deputado que por lá trabalha agora, também foi na leva, com mais cinco portugueses.
Segundo as minhas informações, e como é costume, os serviços diplomáticos portugueses não fizeram coisíssima nenhuma. Teve que ser a Marisa Matias a reclamar e exigir que fossem libertados.
Bem tento manter um registo entre irónico e sarcástico, como o velho Brel.
Mas o problema é que os bourgeois não se limitam a ficar mais cons com a idade e o tempo.
Os abusos chegam em catadupa e as cantigas, por certeiras e geniais que sejam, já nem aliviam.
quarta-feira, 3 de outubro de 2012
A verdadeira geração rasca
É completamente obsceno.
Muito mais, claro está, do que mostrar o rabiosque ou a pilinha a um ministro ou aos jornalistas.
Ao tratar-nos todos como parvos, da forma mais obscena possível, Vitor Gaspar parece manter-se empenhado em não perder para António Borges a competição pelo título de imbecil mais inteligente de Portugal, que se vai disputando taco-a-taco dentro da verdadeira geração rasca.
Congresso Democrático das Alternativas
Estão também disponíveis os relatórios dos Grupos Temáticos correspondentes aos 5 debates em secções durante a manhã e, para quem queira aprofundar mais algumas áreas, as contribuições individuais para os debates preparatórios que foram recebidas pela organização.
Quem quiser aparecer e participar, melhor. As inscrições fazem-se aqui.
Para quem não quiser ou puder, fica um conjunto de materiais certamente uteis para o crescente número de cidadãos que regeitam o memorando da troika e as “inevitabilidades” austeritárias.
terça-feira, 2 de outubro de 2012
domingo, 30 de setembro de 2012
Curiosa coincidência
Não porque, por lá, se tenha que pensar como eu.
Mas porque se tem que ser capaz de compreender e de pensar criticamente acerca das inúmeras lógicas e formas de racionalidade económica, incluindo aquelas que se partilhem...












