Tenho andado chocado, ao mesmo tempo que estupefacto, com diversos acontecimentos nacionais recentes.
Com destaque, claro, para os desenvolvimentos que têm vindo a público acerca da cada vez mais evidente paranoia anti-mediática do nosso primeiro, e para a naturalidade com que os ocupantes do poder político parecem encarar o uso dos meios estatais e para-estatais no silenciamento de coisas desagradáveis.
Em Itália, o magnata dos media manipulou-os, num quadro de grande concentração empresarial, para aceder ao poder político.
Por cá - onde pouca actividade empresarial de grande escala vive sem alguma (ou muita) dependência estatal ou de relações a esse nível - tudo indica, cada vez mais, que quem acede ao poder político se sente no direito de condicionar os media, através de pressões pessoais, financeiras ou mesmo por controle accionista que mobiliza os meios e poder estatal, para calar vozes e investigações incómodas, na expectativa de se reproduzir no poder.
Mas, a par desse caso, outros houve.
Talvez menos graves, mas igualmente sintomáticos de sentimento de impunidade na utilização de meios públicos como se eles fossem meros objectos do arbítrio de quem foi nomeado para os administrar, e de irrelevância, para quem decide, das consequências das suas acções.
O travo que fica na boca é mais do que um sabor a abuso na forma de exercício do poder.
É um travo de assalto e subversão (na prática) de princípios essenciais do regime em que é suposto vivermos.
Mas é uma intuição baseada em muitos e fortes sintomas; argumentável e sustentável em dados, mas demasiado grave para que tais argumentos e dados a salvaguardem de eventuais procedimentos judiciais.
E, por isso, tudo o que tenho tido vontade de dizer (para lá daquilo que aqui fica laconicamente escrito), é impublicável sob a sempre leve e curta forma de um post.
Daí o meu silêncio nos últimos dias e acerca destes assuntos.
Para o qual peço as vossas desculpas e compreensão.