Acaba de me chegar a terrível notícia do falecimento do meu colega, amigo e ex-aluno João Nobre, em resultado de um baleamento há pouco mais de um mês, quando acudiu a uma familiar que estava a ser assaltada.
Muito chocante e imensamente triste para mim, tanto mais que as primeiras indicações acerca da sua recuperação do ferimento foram muito optimistas, não fazendo prever um tal desenlace.
Um homem bom, um professor e antropólogo de grande potencial e sentido crítico, que muita falta faz, não apenas à sua família e amigos, mas também ao seu país.
Esta é uma noite de imensa dor.
Bayete, João!
Como custa não te poder ter abraçado, ao longo deste malfadado mês de Fevereiro...
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quarta-feira, 7 de março de 2012
quinta-feira, 15 de setembro de 2011
Curiosidades quotidianas
Ao mesmo tempo que, esta manhã, eu ia recolhendo a roupa que secara no estendal, uma senhora tratava de reparar uma avaria no seu estore, na casa em frente.
Os papeis de género já não são o que eram...
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domingo, 20 de março de 2011
Há vida abaixo do Sahara
Eu bem sei que a maioria das pessoas que habitam em África, a sul do Sahara, são um bocado escuras de mais para os gostos e identificações afectivas de muitos comentadores entusiastas daquilo que se vai passando nas margens do Mediterrâneo ou do Golfo Pérsico.
Mas, já agora, se quiserem fiquem a saber:
- dia 17, a polícia do Togo dispersou uma manifestação de protesto contra o aumento das restrições ao direito de manifestação.
- dia 18, uma manifestação pela democracia no reino da Suazilândia juntou 10.000 pessoas, violentamente reprimidas por 20.000 (!) polícias e militares.
- dia 19, a polícia do Zimbabwe impediu um comício-vigília do primeiro-ministro Tsvangirai (!), com o argumento que o partido do presidente Mugabe também queria fazer um comício não muito longe.
- também dia 19, as autoridades do Senegal procederam a uma onda de prisões de oposicionistas acusados de planearem um golpe de estado, poucas horas antes de uma manifestação contra o presidente.
- Entretanto, a tensão continua no Burkina Faso e a Costa do Marfim continua à beira da guerra civil, desde que o "presidente" não aceitou a sua derrota eleitoral.
Há vida - e há protesto - abaixo do Sahara...
Mas, já agora, se quiserem fiquem a saber:
- dia 17, a polícia do Togo dispersou uma manifestação de protesto contra o aumento das restrições ao direito de manifestação.
- dia 18, uma manifestação pela democracia no reino da Suazilândia juntou 10.000 pessoas, violentamente reprimidas por 20.000 (!) polícias e militares.
- dia 19, a polícia do Zimbabwe impediu um comício-vigília do primeiro-ministro Tsvangirai (!), com o argumento que o partido do presidente Mugabe também queria fazer um comício não muito longe.
- também dia 19, as autoridades do Senegal procederam a uma onda de prisões de oposicionistas acusados de planearem um golpe de estado, poucas horas antes de uma manifestação contra o presidente.
- Entretanto, a tensão continua no Burkina Faso e a Costa do Marfim continua à beira da guerra civil, desde que o "presidente" não aceitou a sua derrota eleitoral.
Há vida - e há protesto - abaixo do Sahara...
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quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011
É no sábado
“A partir dos mais diversos pontos, de Roma a Tunes, do Cairo a Oakland, de Londres a Beirute, de Buenos Aires a Atenas, de Maputo a Sana, um conjunto muito significativo de lutas, manifestações, greves, ocupações tem vindo a ter lugar. Um elemento comum, além da assinalável capacidade de mobilização, parece ser o facto de muitas dessas acções assumirem, formal e substancialmente, não só o questionamento da ordem estabelecida, mas também o padrão normalizado de luta política legal e confinada aos limites do poder de Estado. Num contexto de crise do capitalismo global, a ordem pública é confrontada com uma desordem comum que toma as ruas como o seu espaço, resgatando palavras como «revolução», «revolta», «motim». O debate que propõe a UNIPOP passa por procurar identificar que outros pontos de contacto têm estes diversos focos de luta, bem como quais são os seus limites, e perceber em que medida é que um certo efeito de arrastamento pode ou não ter como consequência a constituição de uma resposta emancipadora à crise de capitalismo global, ou seja, que articulação têm estes movimentos com o paradigma de «revolução» e de que forma o reconfiguram.”
quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011
quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011
Economia e revolta política
Os dados sobre os países magrebinos e árabes que são apresentados aqui justificam que sejamos cada vez mais cépticos quando nos cruzamos com a explicação preguiçosa que costuma aparecer a cada revolta ou motim em países pobres, fiquem eles no sul do mediterrâneo ou na África sub-sariana:
A de que "aquilo" aconteceu devido à pobreza e ao desemprego, que são revoltas mais económicas do que políticas.
Esta interpretação habitual tem subjacente, para além do desconhecimento, um preconceito: o de que os pobres pensam com a barriga e a sua política é o estômago.
Por sua vez, esse preconceito passa por "natural", face ao economicocentrismo aparentemente tecnocrático do discurso político hoje dominante - enformado pelas visões económicas neo-clássicas e neo-liberais, mas que parece fazer sentido a quem partilhe uns fragmentos mal digeridos de marxismo de manual de divulgação.
Mas dizem-nos os tais dados que a actual onda de protestos árabes começou no país com, de longe, a menor taxa de pobres da região (3,8%) e que está a ter a maior visibilidade num país que, embora com 20% de pobres, tem a segunda menos alta taxa de desemprego (9,8%).
Convidando-nos a pensar - sem, para isso, termos que recorrer a coisas esquisitas como a teoria do caos - que a pobreza e os aumentos de preços podem ser um caldo de cultura, um catalisador ou uma faísca para a revolta (e, desta vez, a faísca até foi um acto simbólico), mas nem bastam para que ela ocorra, nem são a única coisa que ela expressa e contra a qual se insurge.
Podem variar muito as visões acerca do que é a dignidade, do que são os direitos, do que o poder político é e deveria ser. Mas só muito excepcionalmente (se é que tal pode acontecer) uma revolta popular ou amotinação pública poderá não ser, na sua génese, mobilização e desenvolvimento, uma expressão e reivindicação política.
Mesmo que, ao contrário de agora, só explicitamente se insurja contra questões económicas e não reivindique o afastamento dos detentores do poder estatal.
É assim nos países árabes (em cada caso diferentes), como foi assim nas revoltas de 2008 e 2010 em Moçambique, e assim foi um pouco por toda a África sub-sariana, nos últimos anos.
O que, por outro lado, nos obriga a conhecermos cada situação e cada caso, na complexidade dos muitos factores envolvidos, para o podermos compreender.
E nos "proíbe" generalizações simplistas, ou a redução das pessoas ao seu aparelho digestivo.
A de que "aquilo" aconteceu devido à pobreza e ao desemprego, que são revoltas mais económicas do que políticas.
Esta interpretação habitual tem subjacente, para além do desconhecimento, um preconceito: o de que os pobres pensam com a barriga e a sua política é o estômago.
Por sua vez, esse preconceito passa por "natural", face ao economicocentrismo aparentemente tecnocrático do discurso político hoje dominante - enformado pelas visões económicas neo-clássicas e neo-liberais, mas que parece fazer sentido a quem partilhe uns fragmentos mal digeridos de marxismo de manual de divulgação.
Mas dizem-nos os tais dados que a actual onda de protestos árabes começou no país com, de longe, a menor taxa de pobres da região (3,8%) e que está a ter a maior visibilidade num país que, embora com 20% de pobres, tem a segunda menos alta taxa de desemprego (9,8%).
Convidando-nos a pensar - sem, para isso, termos que recorrer a coisas esquisitas como a teoria do caos - que a pobreza e os aumentos de preços podem ser um caldo de cultura, um catalisador ou uma faísca para a revolta (e, desta vez, a faísca até foi um acto simbólico), mas nem bastam para que ela ocorra, nem são a única coisa que ela expressa e contra a qual se insurge.
Podem variar muito as visões acerca do que é a dignidade, do que são os direitos, do que o poder político é e deveria ser. Mas só muito excepcionalmente (se é que tal pode acontecer) uma revolta popular ou amotinação pública poderá não ser, na sua génese, mobilização e desenvolvimento, uma expressão e reivindicação política.
Mesmo que, ao contrário de agora, só explicitamente se insurja contra questões económicas e não reivindique o afastamento dos detentores do poder estatal.
É assim nos países árabes (em cada caso diferentes), como foi assim nas revoltas de 2008 e 2010 em Moçambique, e assim foi um pouco por toda a África sub-sariana, nos últimos anos.
O que, por outro lado, nos obriga a conhecermos cada situação e cada caso, na complexidade dos muitos factores envolvidos, para o podermos compreender.
E nos "proíbe" generalizações simplistas, ou a redução das pessoas ao seu aparelho digestivo.
terça-feira, 1 de fevereiro de 2011
domingo, 30 de janeiro de 2011
As coisas de que a gente se lembra, com o Zeca...
«Já os soldados fazem continência...»
(com um abraço ao Ernesto Afonso e ao pessoal do ECCO que deus tenha)
domingo, 23 de janeiro de 2011
Boicote pós-qualquer-coisa
Na aldeia da Gralheira, seja lá isso onde for, ninguém vai votar hoje - nem sequer os membros da mesa de voto, constituída à hora legal - em protesto contra a inexistência de uma antena para telemóveis e porque não têm acesso à internet.
Como dizia uma pessoa que ouviu a notícia ao mesmo tempo que eu, «Tão queridos!...»
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terça-feira, 28 de dezembro de 2010
sexta-feira, 29 de outubro de 2010
A velhice bate à porta...
Quando a Mother Anderson, do Madam & Eve, conta histórias do "seu tempo" que eu podia ter contado, é porque estou mesmo a ficar velho...
E ela nem sequer fala de TV a preto-e-branco (ou de a ir ver a casa do vizinho)!
E ela nem sequer fala de TV a preto-e-branco (ou de a ir ver a casa do vizinho)!
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domingo, 6 de junho de 2010
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
domingo, 10 de janeiro de 2010
Citações de café (23)
6ª feira, 8/1/2010, no café aqui da esquina:
«Agora, só me falta aparecer o meu filho lá em casa, a apresentar-me um gajo preto e sportinguista, a dizer que se vai casar.»
(ou de como se pode ser homofóbico, racista e benfiquista e, mesmo assim, ter sentido de humor)
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sábado, 26 de dezembro de 2009
terça-feira, 22 de dezembro de 2009
Praça da Tristeza
O Hot Clube de Portugal deixou de existir tal como o conhecemos.
Esta madrugada, o prédio ardeu e dizem que parece estar irrecuperável.
Mais do que o desabafo de começarmos a chamar àquele local Praça da Tristeza, urgirá, agora, garantir instalações para o rápido funcionamento desse fulcro do nosso património colectivo - recuperando ali ou encontrando alternativas.
Com responsabilidades das entidades públicas, nesse processo de busca e viabilização de soluções.
Afinal, se o Hot não é serviço público, então o que é que é?
Esta madrugada, o prédio ardeu e dizem que parece estar irrecuperável.
Mais do que o desabafo de começarmos a chamar àquele local Praça da Tristeza, urgirá, agora, garantir instalações para o rápido funcionamento desse fulcro do nosso património colectivo - recuperando ali ou encontrando alternativas.
Com responsabilidades das entidades públicas, nesse processo de busca e viabilização de soluções.
Afinal, se o Hot não é serviço público, então o que é que é?
segunda-feira, 21 de dezembro de 2009
terça-feira, 15 de dezembro de 2009
terça-feira, 10 de novembro de 2009
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