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quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Mais horas, mais desemprego, mais acidentes

Desta vez foi divulgada a soma: No ano que vem, os portugueses trabalharão mais 23 dias.
É o resultado de mais meia-hora de trabalho diário, menos 4 feriados e uma redução nos dias de férias.

Suponho que não por acaso (pois este último corte poderia não existir, ou ser maior, ou menos), o aumento da carga laboral anunciado pelo governo corresponde ao maior número de dias que se podem trabalhar num mês.
Ou seja, querem que, em 11 meses, passemos a trabalhar 12. Por outras palavras, querem que o nosso tempo de férias passe a ser trabalhado ao longo do resto do ano.

Imagino que, para os génios que nos governam, esta será a solução milagrosa para contrabalançar a enorme recessão em que nos vão enterrar as suas políticas contabilísticas.

Suponho que, na sua versão mais benigna, a brilhante ideia seja que, arranjando mais um mês (distribuído pelo ano) em que o pessoal trabalha à borla, as empresas vão poder produzir mais, aumentar o PIB, exportar mais.
Mas, deviam eles saber (apesar e para além dos discursos ideológicos e pseudo-tecnocratas que ganharam a vidinha a reproduzir, na academia ou em instituições financeiras), não é assim que as coisas se passam.
É que a recessão previsível não é apenas nossa, por muito que os nossos estimados governantes contribuam para a agravar no nosso caso. Está a atingir e atingirá os plausíveis clientes de produtos portugueses. Produzir mais do mesmo só corresponderia, na esmagadora maioria dos casos, a armazenar mais produtos sem comprador.

Entrará aqui, suponho, o Plano B dos génios economico-governativos: pondo o pessoal a trabalhar mais 9,1% à borla, as empresas poderão reduzir brutalmente o custo unitário de cada um dos seus produtos, tornando-se muito mais competitivas nos mercados exportadores.
É claro que em nenhum sector produtivo a diminuição dos custos poderia corresponder a esse aumento de trabalho à borla; para que tal acontecesse, seria necessário que os únicos custos da empresa fossem salários. Mas não deixa de ser verdade que, no caso de sectores intensivos em mão-de-obra (ou seja, nos tecnologicamente mais arcaicos) a vantagem seria importante.
A chatice é que, com os mercados exportadores em recessão de consumo, isso não daria para vender muito mais; apenas para ter mais hipóteses de vender e de, talvez, não vender menos.





O que nos leva direitinhos ao mais previsível resultado desta genial política económica e laboral.

Ao bom do patrão (quer ele esteja num dos poucos sectores produtivos que não foram esmagados pelos acordos de adesão à CEE e pela sua implementação por Cavaco Silva, quer em qualquer um dos outros, largamente maioritários na economia que nos sobrou) a pensar para os seus botões: «Se 11 trabalhadores me fazem, agora, o trabalho que antes faziam 12, posso-me livrar do 12º e continuar a produzir o que produzia. Posso despedir, deixa cá ver... 8,3% do pessoal! Até gajos do quadro, agora que as indmenizações estão mais em conta...»

No entanto, para além de um brutal aumento do desemprego, há mais duas consequências destas geniais medidas governativas que são "fatais como o destino".

Uma é a diminuição da produtividade real, pois (conforme bem sabe qualquer um que tenha estudado questões laborais, ou qualquer economista que não seja apenas um contabilista ou um brinca-com-modelos) a capacidade produtiva dos indivíduos começa a baixar significativamente a partir das 6 horas de trabalho, degradando-se cada vez mais depressa, ao mesmo tempo que aumentam os erros e os desperdícios de matéria-prima.
Esta meia-hora suplementar e gratuita vai ser, muito provavelmente, a mais cara de todas para os empresários.





Outra fatal consequência é o aumento dos acidentes de trabalho e dos seus custos - para o trabalhador, para a empresa, e para o estado e a segurança social.

Esse aumento ocorrerá por três motivos:
Por um lado, porque o aumento da propensão para acidentes (devidos a cansaço, a incapacidade de concentração e a menor capacidade para responder da forma mais adequada a uma situação anormal) tem uma progressão ainda mais rápida do que a da diminuição de produtividade, que há pouco referi. Essa última meia-hora será, cada dia, a mais perigosa de todas.
Por outro, porque em muitos casos os trabalhadores serão pressionados (uma vez notada a tal baixa final de produção) para manterem ritmos que, nessa altura, já não têm capacidade de manter.
Por fim, porque em muitos outros casos a redução de pessoal reduzirá os efectivos a níveis que ficarão no limite (ou abaixo dele) da capacidade de resposta a emergências e de debelar acidentes potencialmente graves logo na sua origem.


Aqui chegados, devo dizer que não creio (ao contrário da provável opinião de muitos leitores) que a genial adopção de medidas económicas e laborais tão evidentemente ineficazes e com tão elevados custos humanos, empresariais e estatais se deva a um inflexível empenhamento em aumentar abruptamente as condições de exploração dos trabalhadores e a apropriação da riqueza por parte do capital.
Creio que ainda é pior.

É que este não é apenas o país que manda emigrar os quadros em cuja formação gasta fortunas, ou em que, por incompetência de gestão empresarial, já hoje se trabalha mais que em muitos outros, produzindo muito menos.
Este é também, temo bem, um país na mão de contabilistas de mercearia (até nisso mal jeitosos) que reproduzem cartilhas sem qualquer noção da economia real e das realidades laborais e empresariais.

Julgam-se geniais jogadores de xadrez, mas nem sequer repararam que existem para ali umas peças que nem sabem o que representam, nem como se movem.
Julgam-se reencarnações melhoradas do Milton Friedman, mas é o expectro do "botas" que invocam e arrastam atrás de si.





segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Produção primeiro, segurança depois

Agora que o Monde Diplomatique de Dezembro já está a sair, disponibilizo-vos aqui o artigo que lá escrevi no mês passado, acerca da subordinação da segurança à produção e ao lucro, em indústrias perigosas.

Passa por Sines, por Cahora Bassa, pelos arredores de Maputo, pela mina de San José e pelo Golfo do México, para defender que, embora isso seja pouco estudado pelas ciências sociais (em detrimento de outros fenómenos mais scientifically sexy), existe um padrão de subalternização da segurança aos objectivos produtivos, que urge combater.

Comentários e debates são bem-vindos, depois da leitura do artigo.

sábado, 6 de novembro de 2010

«Produção primeiro, segurança depois»


« Os dois acidentes laborais mais mediáticos dos últimos anos - o derrame do poço petrolífero da British Petroleum (BP) no golfo do México e os célebres 33 mineiros resgatados em San José, no Chile - vieram dar visibilidade, junto do grande público, a um problema que os estudos especializados tendem a ignorar: a frequente subalternização da segurança aos objectivos de produção e ao lucro, na gestão corrente de indústrias perigosas.

Em curioso contraste com o quase silêncio a nível internacional, o assunto tem sido abordado em estudos sobre Portugal e Moçambique, embora nada indique que tal se devesse a algum particularismo local ou cultural. Estas novos acidentes (cujo impacto mundial tornou inevitável a divulgação das suas causas e circunstâncias) vêm demonstrar que, a existir um particularismo, ele não se situa na prática das empresas, mas no olhar que sobre elas é lançado por quem as estuda.

Os acidentes vieram também colocar na ordem do dia interrogações inquietantes. Podemos continuar a considerar um caso pontual cada novo desastre em que a segurança tenha sido subordinada a critérios economicistas, ou estamos perante um padrão sistemático? Que podemos fazer para contrariar essa tendência empresarial, com isso protegendo a vida dos trabalhadores, o meio circundante e as demais pessoas que podem ser afectadas por cada desastre? »

...continue a ler, na página 2 do Monde Diplomatique deste mês

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Um padrão que urge quebrar


«Um terceiro grande vector de potenciação do perigo decorre, contudo, das próprias relações sociais e de poder existentes no espaço laboral. Verifica-se, de facto, que as chefias desenvolvem frequentes pressões para que, a fim de melhorar os resultados de produção (mantendo ou aumentando o seu volume, evitando uma paragem ou acelerando um arranque), os trabalhadores executem intervenções ou adoptem procedimentos que, embora mais expeditos, são mais perigosos.» (p. 272)

Antes da explosão e derrame no Golfo do México, a BP recebeu vários estudos que alertavam para a pouca fiabilidade dos sistemas de segurança e apelavam à suspensão da perfuração, mas ignorou-os a fim de maximizar os seus lucros.

Três horas antes da derrocada que isolou os célebres 33 mineiros chilenos, estes alertaram a direcção da mina para barulhos muito fortes e pediram para sair, mas não foram autorizados a abandonar a produção.


Quando, em 2000, escrevia a tese que conduziu ao livro sobre a refinaria de Sines que inicialmente citei, não encontrei outros livros ou artigos que abordassem a subalternização (e incumprimento) das medidas de segurança aos objectivos de maximização da produção e dos lucros, por parte de empresas cuja actividade é perigosa.

10 anos depois, a questão continua a ser minimizada ou ignorada.

No entanto, vamos encontrá-la sistematicamente no centro dos grandes acidentes mais mediáticos e é plausível que ela esteja na base de muitos outros casos que não despertam o interesse da imprensa.
Mesmo as empresas que repetem à exaustão, aos seus quadros e operários, «safety first, production second» nos demonstram, através da sua preocupação e insistência, que o perigo de que o contrário aconteça é bem real e quase uma tendência esperada em indústrias desse tipo.

Cada novo caso de que temos conhecimento nos indica que nenhum deles é um particularismo local ou cultural, um pontual desvio perverso.
Aquilo que eles nos mostram é um padrão sistemático, não de negligência, mas de consciente subordinação da segurança aos critérios economicistas.

Um padrão que só será domável ou quando a (má) experiência e a (boa) racionalidade de uma empresa leva a uma política activa de combate a essa tendência, ou quando as empresas são a isso obrigadas, através de regulamentação e controle exterior.

Um padrão, afinal, que urge quebrar.
A nível nacional e internacional.

O que passa, antes de mais, por reconhecer que o problema existe e é fulcral.
Depois, por o tornar visível e explícito, para as epresas e para a sociedade.
E, claro, por tomar medidas que o combatam.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

A mãe da Madam descobriu...

... que, afinal, os buracos nas ruas sul-africanas têm utilidades insuspeitadas.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Cueca de la C.U.T.



A propósito deste post, a minha amada senhora ofereceu-me esta versão Youtube da Cueca de la C.U.T. (que, para quem não saiba, nada tem a ver com roupa interior).

Muito obrigado.

O trabalho de uma vida

Hoje, dei comigo a tentar imaginar a alegria e orgulho que sentirão todos os que participaram no resgate dos mineiros chilenos.
Particularmente, aquelas pessoas que conseguiram utilizar o seu conhecimento, criatividade e experiência para inventarem uma forma alternativa e segura de os trazer de volta até nós, mais de 2 meses antes da previsão inicial.
Há, realmente, alturas e soluções que valem e fazem valer toda uma vida de trabalho.

Pouco depois, ouvi o mineiro Mario Sepulveda pedir que não os passem a tratar como estrelas de cinema, e lembrar, no meio da sua alegria, que aquilo que aconteceu obriga a que se repensem as condições de segurança em que se trabalha nas minas chilenas.

E, imperceptivelmente, dei por mim a cantarolar o hino da C.U.T.
E orgulhoso de me sentir seu irmão.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Treino conjunto com touros tem melhorado espectacularmente as marcas dos atletas de 3.000 metros obstáculos

O sistema, com o nome de código "black bull dá-te asas", parece contudo só resultar sobre tartan.
É que têm havido uns problemazitos quando os sovinas dos ganadeiros os querem, depois, reciclar para touradas.

O reciclado mais recente.

Um pioneiro.

Este, coitado, já estava reformado e sem grande força nas canetas.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Sondagem ou etnografia?

Esta é dedicada ao Miguel:

Sexta-feira, esparramei-me chão fora numa concorrida rua lisboeta, quando a roda da minha bicicleta eléctrica deu em derrapar num carril molhado.

Para meu espanto, houve duas pessoas que acorreram de pontos diferentes da multidão que passava, esperava autocarros e, agora, mironava.
Um homem veio ajudar-me a levantar a viatura.
Uma mulher perguntava-me, ainda antes de eu lhe saber responder, se me tinha "maxucado".

Sim. Eram ambos brasileiros.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Um perigoso buraco

Uma notícia recente, acerca do destino a dar ao Arquivo Histórico da Câmara de Lisboa parece confirmar aquilo que suspeitava quem passava pelo Vale de Stº António:

O enorme buraco que ali foi criado (com uma parede de betão a amparar o que resta de uma colina que, com ele, perdeu uma encosta) corresponde a um projecto abandonado.

Pedro Santana Lopes enterrou ali 3 milhões de euros e António Costa abandonou a ideia - dizem alguns que pelos seus custos faraónicos, sugerem outros que por existirem dúvidas acerca da segurança da contenção de terras.

A segunda hipótese é, claro, gravíssima no imediato.

Mas, mesmo que se dê o caso de tais dúvidas afinal não existirem, continua a estar ali um grave problema por resolver.

Apesar da impressionante quantidade de betão empregue para amparar a colina (cortada na vertical para escavar alicerces), uma coisa é a pressão das terras ser depois distribuída pela estrutura do prédio que se previa construir, outra é ter ali um paredão isolado, apenas sustentado em si próprio.

Mais a mais, o betão (como qualquer outro material) envelhece, degrada-se, cria zonas de fragilidade.
E mais depressa o faz quando foi empregue numa obra abandonada, que nunca merece a vigilância e manutenção de algo que está a ser utilizado.

Por outras palavras, os prédios que já estavam implantados na crista do que resta da colina estão, a prazo, ameaçados por aluimentos.

Que irá a Câmara de Lisboa fazer?
Repor as terras - o que também cria perigos e erosão e deslizamentos, imprevisíveis na forma que possam tomar?
Confiar que, com tanto betão ali metido, «não há de haver azar»?

Não sei.
Mas pelo menos que, desde já, se tenha consciência do problema e da necessidade de o solucionar.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Tardou uns dias, mas chegou

Confesso que já me estava a admirar com a demora.

Com uma catástrofe de tão grande dimensão no Haiti (país ligado ao estereotipo do vodu, por sua vez ligado ao estereotipo de culto demoníaco), mais tarde ou mais cedo tinha que aparecer um qualquer tele-evangelista estado-unidense a atribuir a tragédia a um castigo divino.
Foi o que fez Pat Robertson, com a criatividade suplementar de culpar todo um país e as suas «sucessivas maldições» por um «pacto com o diabo», feito pelos escravos durante a sua revolta vitoriosa contra os franceses.
Parece que o homem tentou depois emendar a mão, mas as declarações iniciais (e a fraseologia utilizada) não deixam margem para dúvidas.

A maldade quase demoníaca (de tão desumana) presente em tais declarações não me parece resultar de mera estupidez.

Decorre de uma visão do mundo partilhada pela igreja católica há poucos séculos atrás, e que ainda por aí anda entre muito bom padre.

Decorre, afinal, de uma contradição essencial em todos os movimentos que se reclamaram do cristianismo: do facto de as mensagens de Cristo (contraditórias elas próprias, é verdade) serem bem pouco compatíveis com a terrível divindade do Antigo Testamento.

E com o facto de os sucessos evangelizadores massivos (sejam eles mediáticos ou não) estarem ligados, não a deturpações, mas a interpretações legítimas daquilo que de pior nos ficou daqueles escritos mais antigos.
Parece que é mais fácil mobilizar seguidores para uma divindade interveniente, punidora e milagreira e para a responsabilização do diabo pelas nossas maldades e incapacidades, do que para a auto-responsabilização e a bondade.

Torna-se depois fácil ver, na assustadora senhora cuja foto abre este post, uma adoradora do diabo, portadora do pecado original dos seus revoltosos antepassados.
Sobretudo, se a tirarmos do enquadramento e do contexto - em que ela se torna uma assustada pessoa semi-soterrada em escombros e rodeada de cadáveres, talvez de familiares.



Livre-nos Deus, se existir, dos bem intencionados apóstolos da justiça divina!

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Já cá faltava este!

E agora, para assuntos menos sérios:

"Dirty" Michael vai regressar à Fórmula 1, junto com a Mercedes, que comprou a equipa campeã do mundo.

Espero que haja mais disto...



... do que disto...



... e disto...



... e disto...



... e disto. E....



Mas, com o ex-patrão e protector a presidente da Federação depois de sair da Eerrari de candeias às avessas, cheira-me que a complacência de que foi alvo na sua carreira o vai acompanhar, levando-a agora para outra equipa.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

«As notícias da minha morte...»


Afinal, as notícias matutinas acerca do incêndio no prédio do Hot Clube de Portugal eram, no que diz respeito às suas próprias instalações, um pouco exageradas.

Embora o Hot tenha ficado alagado pelo combate ao incêndio, o fogo não o chegou a atingir.
Ainda não se sabe, contudo, o nível de danos estruturais causados ao edifício, os riscos que eles representam para a sua utilização, ou quanto tempo será necessário para o reparar.

Entretanto, há a proposta de que o Hot se instale provisoriamente no Café Concerto do Cinema São Jorge.
Alguns amigos veriam até com bons olhos a sua mudança definitiva para instalações mais desafogadas, onde pudesse ser também criado úm núcleo museológico, antes pensado para outros andares deste edifício.

Confesso que me sinto dividido.
A velha cave do Hot tornava-se muitas vezes insuficiente e, na verdade, desconfortável e ruidosa. Mas tudo isso, e o próprio local, faziam uma parte pouco negligenciável do ambiente.

Bem... Esperemos pelo que se segue.

Praça da Tristeza

O Hot Clube de Portugal deixou de existir tal como o conhecemos.
Esta madrugada, o prédio ardeu e dizem que parece estar irrecuperável.

Mais do que o desabafo de começarmos a chamar àquele local Praça da Tristeza, urgirá, agora, garantir instalações para o rápido funcionamento desse fulcro do nosso património colectivo - recuperando ali ou encontrando alternativas.

Com responsabilidades das entidades públicas, nesse processo de busca e viabilização de soluções.
Afinal, se o Hot não é serviço público, então o que é que é?

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Rampa para crocodilos


Sempre que estou uns tempos sem lá passar, dou sempre com alguma coisa que me surpreende.

Olhem só o sinal que o Toix foi descobrir na bendita África do Sul!

domingo, 11 de outubro de 2009

No último do Luís Sepúlveda

«Se na queda o gira-discos não tivesse encontrado outra resistência além do ar húmido de uma noite invernosa, a pancada teria sido muito mais feroz e a estrutura geométrica desenhada pelos engenheiros alemães, nem adequada nem desenhada para suportar semelhantes choques, após um estremecimento atómico, a traição da cola, o divórcio dos encaixes e a fuga dos pregos sem cabeça que a suportavam, não passaria de um monte de estilhaços disseminados pelo passeio molhado. Mas o gira-discos foi travado pela cabeça de um sujeito que, tendo toda a cidade para se mover, escolheu aquela rua, aquela noite de chuva e aquele instante de fatalidade vertical.»

(in A sombra do que fomos, p.22)

Quando o leitor usa sistematicamente, nas suas aulas sobre o absurdo da incerteza e a domesticação do aleatório, o exemplo de um piano de cauda que cai de um sétimo andar em cima de um pobre transeunte que não tem nada a ver com o assunto, como não se sentir identificado com o autor?

Ainda vou na página 59.
Mas o livro está óptimo.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Portelando no deserto



Confesso que dá muito jeito ter o aeroporto a 4 euros e um instantinho de distância de casa.

Mas confesso, também, que cada vez que lá aterro me admiro que o aeroporto da Portela seja tão seguro, em termos estatísticos.

Os grandes acidentes, no entanto, estão-se nas tintas para as estatísticas.
Podem acontecer a qualquer momento, por conjugações de factores incontroláveis, e por muito grande que seja a qualidade do controle de tráfego, dos pilotos e da manutenção dos aviões - o que, tem-se visto, nem sempre é o caso.
E é mais descansado não imaginarmos, sequer, as consequências que teria a queda de um avião no centro da cidade, que eles sobrevoam a baixa altitude e em condições difíceis de velocidade e sustentação aerodinâmica.

Não acreditando muito nas projecções hiperbólicas de aumento de tráfego aéreo, aquilo que me leva a concordar (contra a minha própria comodidade) com a substituição da Portela por Alcochete são, por isso, os custos de segurança e poluição sonora que o actual aeroporto representa para quem vive ou trabalha nos vários eixos de aproximação às suas pistas.
Eternizar a situação actual (como alguns sustentaram, no debate de ontem entre os candidatos a Presidente da Câmara de Lisboa) é "estar a pedi-las".

Posto isto, o que me preocupa realmente é o uso que será dado áquele enorme terreno, e o potencial de especulação, tráfego de influências e corrupção que ele representa.

A hipótese de uma grande área verde, proposta por António Costa, é bem-vinda mas, para além de talvez excessiva, parece-me de concretização pouco credível, dados os interesses que rapidamente serão mobilizados.

A sua combinação com a proposta de Ruben de Carvalho, que sugere a implantação de novas indústrias não poluentes (e porque não, também, de outras actividades económicas?), pareceria ter vantagens tanto para a qualidade do local enquanto espaço de emprego, quanto para a sua segurança pública enquanto espaço verde e de lazer.

Mas, sem qualquer desconfiança acerca da seriedade e honestidade pessoais de António Costa, temo muito o poder dos interesses económicos (a começar no interior do seu próprio partido) e decisões extemporâneas avançadas em campanha eleitoral, sem resultarem de um amplo debate público e sobre cujo cumprimento poderemos não ter qualquer tipo de capacidade de controlo.
Parece-me que, conforme sustentou Luís Fazenda, será melhor não ir meter, à pressa, o carro à frente dos bois.

Acabei fazendo um "pleno" sintético das opiniões dos candidatos de esquerda?
Talvez não seja por acaso.

Talvez seja necessário, para se chegar a uma solução credível, de interesse público e resistente à manipulação por parte dos grandes interesses económicos privados, partir do debate e conjugação entre estas forças.
Para aumentar essa resistência aos interesses privados, entretanto, seria vantajoso que o BE e o PCP tivessem na Câmara um peso maior do que aquele que é agora previsível, por efeito da ameaça de virmos a ter o menino guerreiro como "prrresidente da junta".

Ou seja que, começando o debate desde já, as decisões fossem deixadas para daqui a 4 anos, por exemplo.
E iriam bem a tempo.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Uma questão de bom senso

Gro Harlem Brundtland, uma senhora de nome difícil que foi primeira-ministra da Noruega e é paladina do desenvolvimento sustentável, considerou errada uma eventual adopção de energia nuclear em Portugal, aconselhando o investimento em energias renováveis e eficiência energética.

Uma questão de mero bom senso, dirá a maioria de nós - não só em termos ecológicos, como de segurança tecnológica.
Ao que acrescento um outro argumento:

Se até em indústrias como a refinação petrolífera pude observar, no nosso país, uma submissão do cumprimento das regras de segurança aos objectivos económicos e produtivos, como é que poderíamos sequer equacionar a possibilidade, bem real, de que tal acontecesse numa central nuclear?

terça-feira, 2 de junho de 2009

As coisas que a gente ouve logo de manhã...

A propósito do trágico acidente da Air France, informava-me a minha filha de 8 anos, por volta das 8 da manhã:

«Sabes? Caiu um avião e ia lá dentro o príncipe do Brasil. Mas era um príncipe velhote. Assim quase da tua idade, só um bocadinho mais novo.»