sábado, 26 de dezembro de 2009

Business as usual - II

Parece que um daqueles fundamentalistas sionistas que se mudam para Gaza ou a Cisjordânia, para ajudarem a inviabilizar qualquer variante de projecto de paz na Palestina (e a que Israel e os media chamam «colonos»), foi morto 5ª feira.

Parece que o governo isrealita suspeita que ele foi morte por alguém da Fatah.

Portanto, o exército entrou por ali dentro e matou 3 membros da dita Fatah.

E, já que estavam com a mão na massa, mataram também 3 perigosos terroristas que andavam a recolher sucata de uma fábrica, provavelmente com a criminosa intenção de a venderem e terem com que comer.

Como nenhum dos envolvidos deve ser cristão, a época natalícia não é relevante.

É só business as usual.


Os crimes de guerra e os crimes contra a humanidade devem ser assim como certas doenças infecciosas: depois de as apanharmos, ficamos com imunidade durante, pelo menos, 70 anos.
Podemos, parece, é tornarmo-nos portadores da doença e vectores de infecção.

Ressacas copenhaguenses


(esta foi roubada dos Canards Libertaîres)

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Já cá faltava este!

E agora, para assuntos menos sérios:

"Dirty" Michael vai regressar à Fórmula 1, junto com a Mercedes, que comprou a equipa campeã do mundo.

Espero que haja mais disto...



... do que disto...



... e disto...



... e disto...



... e disto. E....



Mas, com o ex-patrão e protector a presidente da Federação depois de sair da Eerrari de candeias às avessas, cheira-me que a complacência de que foi alvo na sua carreira o vai acompanhar, levando-a agora para outra equipa.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

«As notícias da minha morte...»


Afinal, as notícias matutinas acerca do incêndio no prédio do Hot Clube de Portugal eram, no que diz respeito às suas próprias instalações, um pouco exageradas.

Embora o Hot tenha ficado alagado pelo combate ao incêndio, o fogo não o chegou a atingir.
Ainda não se sabe, contudo, o nível de danos estruturais causados ao edifício, os riscos que eles representam para a sua utilização, ou quanto tempo será necessário para o reparar.

Entretanto, há a proposta de que o Hot se instale provisoriamente no Café Concerto do Cinema São Jorge.
Alguns amigos veriam até com bons olhos a sua mudança definitiva para instalações mais desafogadas, onde pudesse ser também criado úm núcleo museológico, antes pensado para outros andares deste edifício.

Confesso que me sinto dividido.
A velha cave do Hot tornava-se muitas vezes insuficiente e, na verdade, desconfortável e ruidosa. Mas tudo isso, e o próprio local, faziam uma parte pouco negligenciável do ambiente.

Bem... Esperemos pelo que se segue.

Praça da Tristeza

O Hot Clube de Portugal deixou de existir tal como o conhecemos.
Esta madrugada, o prédio ardeu e dizem que parece estar irrecuperável.

Mais do que o desabafo de começarmos a chamar àquele local Praça da Tristeza, urgirá, agora, garantir instalações para o rápido funcionamento desse fulcro do nosso património colectivo - recuperando ali ou encontrando alternativas.

Com responsabilidades das entidades públicas, nesse processo de busca e viabilização de soluções.
Afinal, se o Hot não é serviço público, então o que é que é?

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

domingo, 20 de dezembro de 2009

A star is born

Após muitos cartoons do Zapiro, o inenarrável presidente da Youth League do ANC, Julius Malema, tornou-se uma personagem substituta de Madam & Eve.

Agora, tal ficou a dever-se a este caso. Coisa pouca, afinal, comparado com todas as asneiras que já fez e disse.

sábado, 19 de dezembro de 2009

Sympathy For The Devil

Será que ele andou por Copenhaga?

Ou foi antes ali para os lados das grandes petrolíferas e das fábricas dickensianas para as lojas dos 300?

Balanço de Copenhaga

Aspecto mais positivo da cimeira:

Pessoas normalíssimas da vida a conversarem sobre as alterações climáticas e o seu impacto, pelos cafés e restaurantes de Lisboa.

Por lá:

Um saco cheio de nada.

Mas também é verdade que, no seu início, especialistas bem sérios alertavam que mais valia um total falhanço do que o tipo de acordos que estavam em cima da mesa.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Compra directa do livro


Em resposta ás vossas justas críticas acerca de uma distribuição tipo "Portugal é Lisboa e o resto é paisagem", informaram-me que o livro Um Amor Colonial pode ser encomendado directamente para edicoescosmos@gmail.com, sendo enviado à cobrança, com portes de correio grátis para todo o mundo.

O preço de capa é o mesmo que nas livrarias: 12 euros.

Bom Natal!

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Um pequeno sismo

Comparado com o de 1969, parece que o sismo de ontem não foi nada.

Pela minha parte, não me posso pronunciar.

Há 40 anos atrás, estava a dormir e a dormir fiquei.
Mas parece que houve um desfile de vizinhos na rua, aos gritos de pijama ou camisa de dormir - que, segundo um colega da escola, deu para espreitar uns pedaços de mamocas oriundas de casas alheias, em saltitante liberdade.

Desta vez, curiosamente, parece que abanou bem as traseiras da minha casa mas, na sala da frente, só dei por ele quando o espanta-espíritos começou a tocar sozinho.

O que me lembro bem, de há 40 anos, é que apareceram logo uns originais a atribuirem a culpa da coisa às viagens do homem à lua.

Será que, agora, aparecem outros a dizer que a culpa é do casamento entre pessoas do mesmo sexo?
Talvez não, já que, parece, o direito a adopção vai ficar de fora - como se a homossexualidade fosse uma doença contagiosa...

É assim a modos que um sismo pequenino, em que se acaba com uma desigualdade e se explicita outra.

(a capa do Século Ilustrado foi "roubada" ao Manuel Duran Clemente)

Aminetu regressa a casa


Finalmente, Marrocos cedeu e Aminetu Haidar já está de regresso a casa!

Nunca foi problema para o Estado marroquino ter cadáveres entre as mãos.
Desde, claro, que as pessoas não se transformem em tal bem à vista dos media internacionais.

Seria bom que a alegria desta vitória se tornasse o ponto de partida para exigirmos dos governantes europeus menos displicência para com esse nosso vizinho repressivo e ditatorial.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Muito Obrigado!

Muito obrigado a todas e todos que tiveram a coragem de enfrentar o frio fim de tarde de ontem, para me darem a alegria da sua presença no lançamento do livro Um Amor Colonial.
Com um agradecimento especial ao Jorge Vala, pela excelente apresentação, e à livraria Barata e ao Bruno Silva, pelo espaço, profissionalismo e óptimas condições.

E, já que é maré de agradecimentos, muito obrigado também a quem tornou este livro possível, ou o tornou melhor com a sua leitura crítica do manuscrito.
Álvaro Pereira, o seu protagonista, as Edições Cosmos e diversos colegas e amigos: Maria José Arthur, Cristiana Bastos, João Paulo Borges Coelho, Alexandre Mate, José Machado Pais, Marta Penilo, Joana Ribeiro, José Manuel Rolo, Omar Ribeiro Thomaz e, de novo, Jorge Vala.

A alegria deste lançamento foi, hoje, mitigada pela assustadora notícia de que Álvaro Pereira teve há pouco um problema grave de saúde.
Diz-me ele que o caso não deixou sequelas e que está em franca recuperação.
Que a alegria de ter o livro na mão possa apressar as suas melhoras!

Entretanto, o livro parece só estar ainda disponível na Barata e na Ler Devagar, esperando-se em breve a sua chegada à Bulhosa.
Se estão com curiosidade e pressa, já sabem onde procurá-lo.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

É hoje!

São todos bem-vindos.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Um apelo de Maputo


Depois de ser divulgada esta expressão de elevação da sempre-deputada-ou-qualquer-coisa-desde-que-de-nomeação-política Maria José Nogueira Pinto, recebi de um conhecido restaurante da marginal de Maputo o seguinte apelo:

«Ó Sôra deputada... Já que vi vocelência na televisão a falar como fez com os empregados cá da casa, lembrei-me de lhe pedir: veja lá se pode mandar-me o dinheiro daquela continha que não pagou, quando cá esteve na visita do professor Cavaco. Obrigada.»

É que há crianças a quem, segundo parece, o chá fez muito mal à cabecinha.

Aminetu, Sara Ocidental, ditadura marroquina

A greve da fome de Aminetu Haidar, impedida de entrar num Marrocos que já por duas vezes fez dela prisioneira política, está a emocionar e chocar o mundo.
Toda a solidariedade lhe é devida e bem-vinda.

Mas convém também que nos lembremos que este caso é apenas um ponto visível do drama de três décadas de anexação do Sara Ocidental por parte de Marrocos.
E que esse drama é um dos muitos que se arrastam nesse país.

Convém que nos lembremos que Marrocos, aqui ao lado, é governado por uma ditadura de mão pesada e ensanguentada sempre que necessário.

Porquê a condescendência, agora, do governo espanhol e da União Europeia?
E porquê o sistemático olhar para o lado e, mais do que isso, a ocultação (quando não o branqueamento) daquele regime e do que por lá se passa?

Não será, certamento, por causa dos anacrónicos enclaves de Ceuta e Melila.
A rede de interesses económicos entretanto tecida?
O facto de o regime reprimir, com igual empenho e eficácia, tanto a esquerda quanto os radicais islâmicos?

Não sei.
Mas parece-me uma muito boa altura para que os jornais desocultem esse tabu das chancelarias europeias.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Citações de café (22)

(Des)understands...


Esta não sei quem caçou, mas chegou-me pela Teresa Sobral.

Citações de café (21)

Estava eu de rabo para o ar, saquinho de plástico na mão e a cadela pela trela, quando ouço um homem desconhecido dizer a uns metros de distância:

«É a crise! Já os professores universitários andam a apanhar merda de cão...»

Conclusões:

1 - Sou menos anónimo no meu bairro do que pensava.

2 - Também tenho vizinhos com sentido de humor.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Não há espiga!


Diagrama de resolução de problemas, para aspirantes a gente bem sucedida na vida.

Vão pondo na agenda

O lançamento do livro Um Amor Colonial será no próximo dia 15 (3ª feira), às 18 horas, na livraria Barata (Av. de Roma, Lisboa).

Trata-se da história de vida de um homem criado em Angola, e do amor que perseguiu (e acabou por perder) por Portugal, Angola e Moçambique. Segue-se um posfácio analítico.

Para aguçar o apetite, alguns excertos estão disponíveis aqui.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

A liberdade está na continha

Ele há ironias quase trágicas.

Na mesma altura em que a Comissão Europeia aprovou à pressa um acordo com os EUA acerca da devassa de todas as transferências interbancárias realizadas através do dominante sistema SWIFT (coisa que, aliás, eles já andavam a fazer sem dar cavaco a ninguém), o PS e o CDS opõem-se ao levantamento do sigilo bancário para combate à corrupção e, já agora, a essa ideia estrambólica de considerar criminoso o enriquecimento ilícito.

Entretanto, o PSD não se opõe a esta última coisa, mas lá o sigilo em relação às continhas é que já não.

Num país em que se fazem escutas como quem bebe copos de água e em que todos os cidadãos têm que declarar regularmente os seus rendimentos (que portanto são conhecidos das autoridades, a não ser que andem a esconder ilicitamente alguma coisa), fico emocionado com tanto empenho em defesa da privacidade e das liberdades.
O que me custa a perceber são as prioridades e a lógica de quem assim as defende.

Mas eles terão certamente óptimas razões para manter esse espaço de opacidade financeira.
Elas é que escapam a um rapaz crédulo e bem intencionado como eu.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Nwahulwana

O Toix descobriu no YouTube uma das canções mais generalizadamente apreciadas em Moçambique.
Deliciem-se vocês também:

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Estão-se a estragar

Dei uma voltinha pelos blogs de direita que conheço e, curiosamente, não li ninguém a dizer que a independência de Portugal durou precisamente 369 anos.

Ou conheço mesmo pouquíssimos, ou os nostálgicos do "orgulhosamente sós" já não são o que eram.

A boca para a verdade

Hoje, o Antropocoiso passou as 40.000 visitas e entrou em vigor o Tratado de Lisboa.

Acontecimentos de importância mais ou menos equivalente, conforme inadvertidamente veio lembrar Durão Barroso, ao afirmar que «os tratados são importantes, mas só por si não chegam, nada substitui a liderança».

A ser assim, ele e o senhor da foto (a quem o Público se refere como «o homem de óculos» e cujo nome talvez um dia eu venha a fixar) mostram a importância que atribuem ao Tratado aqueles que o assinaram.