quinta-feira, 13 de março de 2008

Excertos de "Um Amor Colonial" (4)


«Entretanto, quase todos os meses, eu recebia uma encomenda e mandava encomendas através de um tripulante do Infante D. Henrique. E um belo dia a miúda escreve-me uma carta e diz: «Olha: Optei por ir para São Paulo. Vou para o Brasil e vou resolver as coisas com o meu tio, a ver se há possibilidade de tu ires para o Brasil, também. Tu vais-me mandar o currículo completo, que é para eu entregar ao meu tio, ele vai-te arranjar, com certeza, vida no Brasil e nós vamos fazer a nossa vida no Brasil.» Eu disse: «Está bem.» «Mas antes de eu ir embora vou-te mandar uma encomenda, pelo despenseiro do Príncipe Perfeito.» (Pois, era o Príncipe Perfeito, não era o Infante D. Henrique.) «Está bem», disse eu. Era habitual, isso.
Então, quando o navio chega a Luanda, eu fui buscar a encomenda. Pedi licença ao guarda-fiscal para ir lá acima buscar a encomenda, como habitualmente fazia. Quando eu estava a falar com o guarda-fiscal, olho lá para o cimo da escada e vejo que a encomenda era ela e a mãe! Eu nem perguntei nada ao guarda-fiscal. Subi pela escada acima e fui buscar a encomenda! Peguei na miúda, vim por ali a baixo e o guarda-fiscal:
- Olhe, faz favor...
- Não, não... Deixe-me cumprimentar.
Eu não liguei a nada porque, quer dizer, eu nem estava a acreditar naquilo! A mãe e a filha estavam em Luanda, quando ela me disse que ia para o Brasil.»

(capítulo 5)

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