
Dando seguimento ao que se vai tornando um simpático hábito anual, estarei este sábado na Feira do Livro de Lisboa, para uma sessão de autógrafos e conversa com quem quiser aparecer.
quinta-feira, 6 de maio de 2010
A gente vê-se na Feira
afinal, o Mãozinhas dos Gravadores...
... virou representante da nação no Conselho Superior de Segurança Interna!
Mas há precedentes:
quinta-feira, 22 de abril de 2010
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010
domingo, 21 de fevereiro de 2010
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010
A brigada do acne
I.
Perderemos em breve a oportunidade de chamar "nosso primeiro" a José Sócrates.
É cada dia mais claro que se trata de um líder partidário (e, logo, de um PM) a prazo.
Para além dos zunzuns mediáticos, da observação do comportamento dos nossos representantes parlamentares mais rosados e dos súbitos silêncios de algumas personagens relevantes, vão surgindo umas coisas públicas em que se juntam os cheiros a balões de ensaio, a arroteamento de terrenos e a avisos à navegação.
Não serão muito sintomáticas desse estado de coisas as sempre desalinhadas e saudavelmente desbragadas observações de Ana Gomes.
Mas penso, por exemplo, num pequeno artigo de opinião de Ana Benavente, publicado há uns dias no Público, cujo conteúdo de "back-to social-democratic(-although-light)-basics" nada tinha, quanto ao tom, de reformulação no quadro presente, mas tudo tinha de um separar de águas num "depois" que já começou.
É verdade que aquilo que a sua leitura me trouxe à memória era (independentemente do impacto público que o livro que me recordou teve na altura) de uma pobreza política franciscana. E é também verdade que (ao contrário deste artigo actual) se tratava então de lançar uma personagem messiânica, e não de lançar um quase anónimo tiro de uma batalha de sucessão já assumida, mas de que a agora snipper não será certamente a cabeça de cartaz.
Mas, com todas essas devidas distâncias, o que o artigo me lembrou foi Portugal e o Futuro.
E, de recordação em recordação, também as súbitas e intensivas reuniões do nosso primeiro - usemos enquanto podemos - com as suas estruturas partidárias de topo me lembraram um acontecimento cuja imagem televisiva perdura como recordação dos meus, então, 10 aninhos: a "Brigada do Reumático".
O paralelo é inevitável, dada a necessidade e sofreguidão que denota em garantir declarações de lealdade por parte daqueles que se nomearam e promoveram, no salão de uma casa prestes a ruir.
Mas, dado o recente contexto stendhaliano de "O Rosa e o Laranja" e tendo em conta a ponta de véu levantada sobre os precoces e empenhados boys que enchameiam o aparelho de estado e as empresas por ele participadas, talvez seja mais apropriado falarmos de "Brigada do Acne"...
II.
No meio deste quadro, Fernando Nobre anunciou a sua candidatura à presidência da república, por entre generalizadas sensações de manipulativas vinganças soaristas.
O chato é, claro, a previsível fragmentação de candidaturas à esquerda, desde logo com o espaço aberto ao nosso moribundo primeiro - (re)usemos enquanto podemos -para lançar uma do PS "oficial".
Quanto ao discurso transmitido pelo agora candidato, creio que, no seu back-to-republican-basics em tempos de centenário, ele é bem capaz de ter pernas para andar.
Isto porque nem eu, que estou bem longe de sofrer de anti-partidarite e não acredito na existência da tal de "sociedade civil" (a que poderíamos continuar a chamar, como no tempo da outra senhora, "forças vivas da nação", agora acrescentadas das ONGs e com as dependências estatais e partidárias modificadas e talvez reforçadas), fiquei insensível às suas linhas de força.
E porque não é de substimar a velha tendência (a que tão pouco fui imune) para pressupormos que a competência numa área louvável é transferível para outras actividades.
Será que ainda vamos assistir a um "efeito Ramalho Eanes" em versão civilista e mais à esquerda?
É ainda uma vaga possibilidade.
Mas sempre daria para neutralizar aquela actual apetência, à direita, pela emergência e afirmação de um ainda inidentificável "salvador da pátria" - apetência apontada há tempos atrás pelo Miguel Portas (talves inspirado no Gramsci) e, creio eu, com toda a razão.
Entretanto, na mesma noite e no meio de toda a salganhada que nos rodeia, Manuel Alegre arranjou maneira de, lá por Coimbra, se insurgir contra o excesso de "intriga" política.
Uma formulação ambígua e que até poderia corresponder a uma louvável declaração geral de princípios mas que, dita por si e neste último par de semanas, tem um significado e um destinatário bem concretos.
Talvez. com isso, Alegre possa ter dado um passo para receber o apoio da direcção do seu partido, a par da bela quantidadede votos que tal arrasta - embora, no quadro actua, isso seja cada vez mais duvidoso.
Mas temo bem que tenha reduzido a quase zero a possibilidade de vir a receber o meu.
terça-feira, 16 de fevereiro de 2010
Wonderful worlds
Chegados a casa, o bicharoco foi crismado, porque «ele tem muito mais cara de Jeremias do que de Louis. Não achas?»
O Braçoforte que me perdoe, mas acho que, neste caso, ela tem toda a razão.
sábado, 13 de fevereiro de 2010
Referências cruzadas
Esta manhã, estava um solzinho bem convidativo.
Mas, mal puz o nariz fora da janela, ia-me constipando.
E logo reparei que, se escrevesse isto, ainda corria o risco de ser interpretado ao contrário -juntando, quem me lesse, metáforas jornalísticas às cinéfilas e televisivas.
Que raio!
Já nem do tempo se pode falar!
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
Um silêncio emocionado
Tenho andado chocado, ao mesmo tempo que estupefacto, com diversos acontecimentos nacionais recentes.
Com destaque, claro, para os desenvolvimentos que têm vindo a público acerca da cada vez mais evidente paranoia anti-mediática do nosso primeiro, e para a naturalidade com que os ocupantes do poder político parecem encarar o uso dos meios estatais e para-estatais no silenciamento de coisas desagradáveis.
Em Itália, o magnata dos media manipulou-os, num quadro de grande concentração empresarial, para aceder ao poder político.
Por cá - onde pouca actividade empresarial de grande escala vive sem alguma (ou muita) dependência estatal ou de relações a esse nível - tudo indica, cada vez mais, que quem acede ao poder político se sente no direito de condicionar os media, através de pressões pessoais, financeiras ou mesmo por controle accionista que mobiliza os meios e poder estatal, para calar vozes e investigações incómodas, na expectativa de se reproduzir no poder.
Mas, a par desse caso, outros houve.
Talvez menos graves, mas igualmente sintomáticos de sentimento de impunidade na utilização de meios públicos como se eles fossem meros objectos do arbítrio de quem foi nomeado para os administrar, e de irrelevância, para quem decide, das consequências das suas acções.
O travo que fica na boca é mais do que um sabor a abuso na forma de exercício do poder.
É um travo de assalto e subversão (na prática) de princípios essenciais do regime em que é suposto vivermos.
Mas é uma intuição baseada em muitos e fortes sintomas; argumentável e sustentável em dados, mas demasiado grave para que tais argumentos e dados a salvaguardem de eventuais procedimentos judiciais.
E, por isso, tudo o que tenho tido vontade de dizer (para lá daquilo que aqui fica laconicamente escrito), é impublicável sob a sempre leve e curta forma de um post.
Daí o meu silêncio nos últimos dias e acerca destes assuntos.
Para o qual peço as vossas desculpas e compreensão.
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
Um perigoso buraco
Uma notícia recente, acerca do destino a dar ao Arquivo Histórico da Câmara de Lisboa parece confirmar aquilo que suspeitava quem passava pelo Vale de Stº António:
O enorme buraco que ali foi criado (com uma parede de betão a amparar o que resta de uma colina que, com ele, perdeu uma encosta) corresponde a um projecto abandonado.
Pedro Santana Lopes enterrou ali 3 milhões de euros e António Costa abandonou a ideia - dizem alguns que pelos seus custos faraónicos, sugerem outros que por existirem dúvidas acerca da segurança da contenção de terras.
A segunda hipótese é, claro, gravíssima no imediato.
Mas, mesmo que se dê o caso de tais dúvidas afinal não existirem, continua a estar ali um grave problema por resolver.
Apesar da impressionante quantidade de betão empregue para amparar a colina (cortada na vertical para escavar alicerces), uma coisa é a pressão das terras ser depois distribuída pela estrutura do prédio que se previa construir, outra é ter ali um paredão isolado, apenas sustentado em si próprio.
Mais a mais, o betão (como qualquer outro material) envelhece, degrada-se, cria zonas de fragilidade.
E mais depressa o faz quando foi empregue numa obra abandonada, que nunca merece a vigilância e manutenção de algo que está a ser utilizado.
Por outras palavras, os prédios que já estavam implantados na crista do que resta da colina estão, a prazo, ameaçados por aluimentos.
Que irá a Câmara de Lisboa fazer?
Repor as terras - o que também cria perigos e erosão e deslizamentos, imprevisíveis na forma que possam tomar?
Confiar que, com tanto betão ali metido, «não há de haver azar»?
Não sei.
Mas pelo menos que, desde já, se tenha consciência do problema e da necessidade de o solucionar.
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
Vidigueira não é só vinhos brancos
Mas, então, a Comuna (perdão! Câmara Municipal) da Vidiguêra decidiu que, para ajudar a enfrentar esta crise que nos crisa, os seus trabalhadores com o salário mínimo passariam à categoria remuneratória seguinte, recebendo mais 18% de salário.
Mas, como o orçamento é limitado, as pessoas com cargos eleitos ou nomeados (presidente, vereadores e assessores), passariam a receber menos 10%.
Os presidentes de câmara e os vereadores mereciam receber mais do que recebem? Suponho que sim.
Esta medida tem laivos de populismo? Também é provável.
Mas, se aquilo que possa ser rotulado como populismo for feito à custa do bolso de quem decide (e que, neste caso, também precisa), o rótulo mais adequado passa a ser solidariedade social.
E, se se trata de paliativos locais que não resolvem o problema geral que os suscita, trata-se também de um nível de decência muito marcante e de uma visão do mundo que me enternece e entusiasma - mesmo se não é de esperar que o exemplo seja seguido.
O mê Alentejo e a minha esquerda (que inclui esta gente e outras, espalhadas em pelo menos dois partidos, e fora deles) continuam a ter coisas muito belas.
terça-feira, 26 de janeiro de 2010
Há muitas maneiras de falar de SIDA...
sexta-feira, 15 de janeiro de 2010
Tardou uns dias, mas chegou
Com uma catástrofe de tão grande dimensão no Haiti (país ligado ao estereotipo do vodu, por sua vez ligado ao estereotipo de culto demoníaco), mais tarde ou mais cedo tinha que aparecer um qualquer tele-evangelista estado-unidense a atribuir a tragédia a um castigo divino.
Foi o que fez Pat Robertson, com a criatividade suplementar de culpar todo um país e as suas «sucessivas maldições» por um «pacto com o diabo», feito pelos escravos durante a sua revolta vitoriosa contra os franceses.
Parece que o homem tentou depois emendar a mão, mas as declarações iniciais (e a fraseologia utilizada) não deixam margem para dúvidas.
A maldade quase demoníaca (de tão desumana) presente em tais declarações não me parece resultar de mera estupidez.
Decorre de uma visão do mundo partilhada pela igreja católica há poucos séculos atrás, e que ainda por aí anda entre muito bom padre.
Decorre, afinal, de uma contradição essencial em todos os movimentos que se reclamaram do cristianismo: do facto de as mensagens de Cristo (contraditórias elas próprias, é verdade) serem bem pouco compatíveis com a terrível divindade do Antigo Testamento.
E com o facto de os sucessos evangelizadores massivos (sejam eles mediáticos ou não) estarem ligados, não a deturpações, mas a interpretações legítimas daquilo que de pior nos ficou daqueles escritos mais antigos.
Parece que é mais fácil mobilizar seguidores para uma divindade interveniente, punidora e milagreira e para a responsabilização do diabo pelas nossas maldades e incapacidades, do que para a auto-responsabilização e a bondade.
Torna-se depois fácil ver, na assustadora senhora cuja foto abre este post, uma adoradora do diabo, portadora do pecado original dos seus revoltosos antepassados.
Sobretudo, se a tirarmos do enquadramento e do contexto - em que ela se torna uma assustada pessoa semi-soterrada em escombros e rodeada de cadáveres, talvez de familiares.
Livre-nos Deus, se existir, dos bem intencionados apóstolos da justiça divina!
quarta-feira, 13 de janeiro de 2010
Uma entrevista engraçada
O motivo imediato foi o meu livro Um Amor Colonial, sendo a conversa conduzida por Vítor Bandarra, a quem muito agradeço o convite.
O horário é que é adaptado a estas coisas da cultura e do "serviço público":
O programa passará na TVI na próxima 2ª feira às 6 da manhã, sendo repetido na TVI 24 no domingo seguinte, às 8 horas.
Não é caso para vos desejar insónias, mas aqui fica o aviso.
domingo, 10 de janeiro de 2010
Saúde e Doença em Moçambique
Soube recentemente que o meu artigo "Saúde e Doença em Moçambique" (que passa pelas noções "locais" de doença, saúde e cura e pelas práticas curativas "tradicionais", mas também dá umas bicadas nos fossos pseudo-dialogantes que com elas mantém a biomedicina) já foi publicado na revista brasileira Saúde e Sociedade e está disponível aqui.
Críticas, opiniões e sugestões são, como sempre, bem-vindas.
(na foto, a concentração para o desfile do Dia Africano da Medicina Tradicional, em 2009)
Citações de café (23)
«Agora, só me falta aparecer o meu filho lá em casa, a apresentar-me um gajo preto e sportinguista, a dizer que se vai casar.»
sexta-feira, 8 de janeiro de 2010
Parabéns a todos os defensores da universalidade dos direitos de cidadania!
O que também tem piada é que, se era argumentável (embora, penso eu, erradamente) que a restrição do casamento a pessoas de sexos diferentes não ferisse a Constituição, não existem dúvidas possíveis de que a explícita proibição de adopção por parte de casais homossexuais é inconstitucional.
Talvez essa questão nem precise, por isso, do autorização do nosso primeiro aos "seus" deputados para ser ultrapassada.
Talvez essa proibição abstrusa desapareça por mera via judicial...
quinta-feira, 7 de janeiro de 2010
Villas-Boas in New York
Chegado até mim pelo Luís Patta, aqui fica esté vídeo sobre a última viagem de Luís Villas-Boas, acompanhada dos comentários de Laurent Filipe, que a registou.
"Após o meu regresso a Portugal, retomei um contacto mais regular com o Villas e apercebi-me que ele apresentava sintomas da doença de Alzheimer. Esta doença era-me familiar pois a minha sogra era presidente da Associação de Alzheimer nos EUA. Há vários anos que se falava nos EUA sobre a doença, os seus sintomas e as investigações cientificas avançavam. Em Portugal a doença não era conhecida e poucos médicos a sabiam diagnosticar.
Perante a iminente perda de memória do Villas, dediquei então uma parte do meu tempo a registar tudo o que podia das suas memórias, histórias e sítios. Um deles levou-me a convencer a Lena [mulher de Villas-Boas] a levar o Villas comigo a NY para aquela que sabia que iria ser a sua última viagem. Foi em Junho de 1994. Aproveitando a minha participação na IAJE Convention e no JVC Festival em NY, andei também pelos clubes e pelos sítios que o Villas tanto tinha frequentado e adorado. Ele falou com músicos, encontrou-se com George Wein, ouviu imensa música, muitos músicos vieram ter com ele contando histórias do Cascais Jazz e, sobretudo, o Villas relembrou todo um passado que ainda lhe era muito querido e próximo da desvanecente memória...
Regressámos a Lisboa e completei o material de NY com mais depoimentos e bastante material adicional. No total devo ter perto de umas 10 horas de material inédito.
Contactei a RTP e concorri a um subsidio do ICAM para fazer um documentário...mas, à “moda” Portuguesa... não houve nem resposta nem interesse...
A ideia era ter pegado naquele material e aproveitado para o integrar num extenso documentário que pretendia apresentar sobre o Jazz em Portugal. Já não sei em que condições está todo o material mas também já não tenho interesse em perder mais tempo com o assunto... That´s life!
Fica pois a pequenina homenagem (bem ao tamanho do país) mas, infelizmente, bem minúscula ao lado daquilo que o Villas quis e soube fazer..."











