quarta-feira, 26 de março de 2008

gli Portuguesi

Prólogo 1:
Em Itália, chamam-se "portuguesi" aos borlistas, na sequência da embaixada enviada por D. Manuel I ao Papa. Os presentes oferecidos foram tão opulentos que este deu ordem para que os membros da embaixada não pagassem nada em lugar algum de Roma, sendo-lhe remetidas as contas respectivas. Criou-se, claro, uma legião de borlistas que se declaravam portugueses para comerem e beberem à conta do Papa.

Prólogo 2:
Não é que vocês tenham sentido a minha falta, mas estive uns dias fora em trabalho de campo, em sítios sem internet.
Voltei hoje à Nação (Maputo, para quem não saiba) e descobri-a transfigurada.

Bastou ir fazer um almoço tardio, num restaurante nem por isso fino, para me ver rodeado de personagens da comitiva presidencial, uns turisticando na boa (no que só revelam mimetismo e lealdade para com quem os trouxe), outros aproveitando a viagem de Estado para tratarem de negócios mais ou menos privados - "mais ou menos" porque, embora privados e situados em Moçambique, envolviam segundo a conversa lobbying junto de um governo, curiosamente o português e não o moçambicano.
Bem... também não era uma multidão, este último grupo. Apenas 3 personagens: uns muitíssimo conhecidos senhor e senhora da direita bem direita portuguesa, que partilham um duplo apelido sem que alguma vez me tenha interessado saber se são um casal, irmãos ou outra coisa, a par de um aparente amigo de juventude cascaína e potencial sócio.
É óbvio que, por essas latitudes ideológicas, o princípio é que cada um se desenrasca como pode e que a intervenção estatal é aquela coisa de que se diz sempre mal mas que serve de base para quase todos os negociozitos. A gente quase compreende e tolera. Mas confesso que o ostensivo "tu" e as ordens com a secura das que se dão aos cães que endereçavam aos empregados me foram deixando desconfortável.
Finalmente sairam. E, tão envolvidos estavam na discussão de assuntos de centenas de milhares de dólares, que se esqueceram de pagar a conta.

Epílogo:
Eu sei que escrevi, uns posts abaixo, que isso de nacionalismos e patriotismos não é o meu forte.
Mas... que raio! Tios e tias de Cascais em comitiva presidencial: comportem-se! Façam de conta que alguém vos ensinou boa educação!
É que vocês vão embora amanhã, mas eu fico aqui. E, aqui, tenho "português" escrito na testa, goste ou não goste.
Não me façam passar vergonhas por vossa causa.

post scriptum: a série de posts acerca dos linchamentos recomeçam em breve.

3 comentários:

micas disse...

Que tristeza! E são esse os senhores que acompanham a comitiva do Presidente português. São esses que aparentemente vão tentar desenvolver projectos de cooperação? Tenham dó!

Diz bem Paulo,haja pelo menos boa educação...

Luis Guedes disse...

és um filho da puta dum mentiroso. Se te apanho pela frente levas um enxerto de porrada.

M.Campos disse...

Amigo Granjo: pronto, já sabe a quem devem enviar a continha!
(quanto ao palavreado, também deve ser da linha)