terça-feira, 1 de abril de 2008

Vitamina A e cheias maiores para o ano

É verdade que estamos é todos em pulgas para saber o que se vai passar no Zimbabwe.
Mas o telejornal de ontem (STV, em Moçambique) deixou-me tão abananado que só agora o consigo comentar.

Primeiro, ficaram os tele-espectadores a saber de uma campanha de vacinas (sic) de Vitamina A, numa zona onde as doenças derivadas da sua falta são mais frequentes que no resto do país.
Na minha infância, eram as infectas colheradas de óleo de fígado de bacalhau.
Nesta nova opção técnica, injectam-se as crianças, o que sempre lhes dá para umas semanas (ou, se a dose for demasiada, para doenças hepáticas durante o resto da vida), em vez da trabalheira de explicar ao pessoal que partes dos bichos e que plantas, mesmo bravias e endémicas, estão cheias da tal de vitamina. Ou de tentar criar condições para que as pessoas se possam dar ao "luxo" de aceder a uma alimentação que não engane apenas a fome, quando tal é possível.
Mas, realmente, uma campanha de "vacinação" com vitaminas sempre enche mais o olho.

Depois, veio o ministro que ainda não foi remodelado anunciar um aumento de 1/3 no fornecimento de energia de Cahora Bassa à Electricidade de Moçambique.
É bom, não é? E, conforme o patriótico governante anunciou, somente possível porque agora não é preciso andar a arrastar negociações com ex-potências coloniais, é só decidir.
É também um motivo de esperança para quem nunca teve luz eléctrica e um encorajador sinal de desenvolvimento do país - mesmo se a Mozal, sozinha, consome o dobro da electricidade que o resto do país, embora a re-importe da África do Sul.
A minha dúvida é só uma: estando a actual produção de Cahora Bassa contratualmente vendida, nas próximas décadas, à Àfrica do Sul (sobretudo), ao Zimbabwe, à EDM e ao Malawi, como é que se vai fazer? "Fechar a torneira" ao Zimbabwe (que agora até voltou a pagar) ou aumentar a produção?
Cheira-me que a via seguida será a segunda. Até por causa desta outra notícia, de maior fornecimento à África do Sul, que implica aumentos de produção ainda mais acentuados.

A ser assim, tendo em conta isto e isto, posso desde já anunciar aos eventuais interessados que as cheias do Zambeze serão, no ano que vem, muito piores do que as deste ano e as do anterior.
Vão já preparando os dólares, os helicópteros, as máquinas fotográficas e os caixões.

Aditamento, pouco depois: só agora reparei na data. Não, estas não são notícias de 1º da Abril. São reais e passaram ontem, 31 de Março, na televisão.

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