terça-feira, 28 de dezembro de 2010

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Uma prenda africana

O Carlos Serra tem vindo a divulgar os links para os vários volumes da monumental História Geral de África, disponibilizada on-line e em português pela UNESCO.

Agora que estão todos, aqui vos deixo a lista, com um grande obrigado e um ainda maior abraço ao Carlos.

I - Metodologia e pré-história da África

II - África antiga

III - África do século VII ao XI

IV - África do século XII ao XVI

V - África do século XVI ao XVIII

VI - África do séc. XIX à década de 1880

VII - África sob dominação colonial, 1880-1935

VIII - África desde 1935

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Alternativas a sul


Já está disponível o número temático da revista Alternatives Sud dedicado ao "Estado das Resistências em África".

No índice (consultável aqui), consegui descortinar artigos acerca dos dois Congos, Camarões, Gabão, Etiópia, Quénia, Tanzânia, Benin, Burkina Fasso, Costa do Marfim, Guiné, Guiné-Bissau, Mali, Niger, Nigéria, Senegal, Togo, África do Sul, Angola, Botswana, Moçambique, Madagáscar e Zimbabwe.

Um largo cardápio, para o qual me honro de ter contribuído, e que me deixa a salivar, enquanto os Correios não me fazem chegar o exemplarzinho da ordem...

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Wikileakando Moçambique

Aqui há uns meses, o Departamento de Estado norte-americano colocou na lista dos grandes barões da droga internacionais o Sr. Mohamed Bashir Suleiman, conhecido como o maior vendedor de electrodomésticos de Moçambique e o maior financiador do partido governante Frelimo, para além de como um dos homens mais ricos do país e sócio de vários governantes.

Foi um sarrabulho em Maputo, mas a coisa lá acabou por ser digerida, como mais um escândalo entre muitos. Em Portugal, não se ouviu palavra.

Hoje, a mesmíssima questão, agora com o selo de disclosure da Wikileaks, passou nos telejornais da manhã. Está já, aliás, no Le Monde. Fenómeno curioso.

Mas nem tudo eram old news, nesses telegramas diplomáticos enviados da Pérola do Índico.
Alegam também, por exemplo, que o Presidente da República (Armando Guebuza) lá arranjou maneira de sacar entre 35 e 50 milhões de dólares com o negócio da reversão da Hidroeléctrica de Cahora Bassa.
O que, claro, dá novos sentidos à simpática palavra de ordem "Cahora Bassa é nossa!"...

Como a Wikileaks parece andar por aí a saltar de nenúfar digital em nenúfar, leiam a transcrição do tal telegrama aqui.

PS: A coisa chegou ao púdico "Público" e, até ver, há 4 telegramas disponíveis aqui.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Produção primeiro, segurança depois

Agora que o Monde Diplomatique de Dezembro já está a sair, disponibilizo-vos aqui o artigo que lá escrevi no mês passado, acerca da subordinação da segurança à produção e ao lucro, em indústrias perigosas.

Passa por Sines, por Cahora Bassa, pelos arredores de Maputo, pela mina de San José e pelo Golfo do México, para defender que, embora isso seja pouco estudado pelas ciências sociais (em detrimento de outros fenómenos mais scientifically sexy), existe um padrão de subalternização da segurança aos objectivos produtivos, que urge combater.

Comentários e debates são bem-vindos, depois da leitura do artigo.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Citações de café (28)

(conversa no café da esquina, acerca da notícia de que, se for eleito, Manuel Alegre só cumprirá um mandato)


- Então mas o gajo só quer ser para dizer que foi?

- Não pá! Então não te lembras quando eras chavalo e dizias às míudas "Deixa lá... Eu só meto a cabecinha."?

Insurreição dos pregos II

Um dos problemas de já termos visto passar os 40 anos e de mantermos no "disco rígido" uma quantidade enorme de memórias aparentemente inúteis é que, de vez em quando, nos lembramos de coisas que mais valeria esquecer, a bem da nossa errática auto-estima colectiva e dos nosso respeitinho pela "autoridade" e "pelas figuras públicas".

É o caso, no longínquo dia da primeira Greve Geral realizada em Portugal, da aparição televisiva do então Ministro da Administração Interna e actual guru Ângelo Correia, denunciando uma situação de "insurreição iminente", cuja principal prova era a intercepção, pela polícia, de um automóvel transportando uma caixa com pregos, certamente destinados a furar pneus e criar o caos no país.
Se os mais maduros (ou, conforme a perspectiva, os mais próximos do prazo de validade) puxarem pelo bestunto, talvez se lembrem do gozo que na altura se espalhou, acerca da logo apelidada "Insurreição dos Pregos".

Foi essa anti-patriótica e anarquizante memória que hoje me assaltou, ao ler neste jornal que um perigoso casal foi detido na fronteira na posse de panfletos anarquistas contra as forças policiais (descritas, pasme-se, como "chulos e prepotentes" e que "torturam, maltratam, matam e ficam impunes"), para além de um arsenal de armas brancas composto por um estilete, uma navalha e uma "catana de 40 centímetros".
(O que entre outras coisas prova, como verificarão os leitores africanos, que as catanas encolhem com o frio, ao chegarem a climas europeus.)

E dei comigo a perguntar:
Será que notícias destas são o custo de se ter o mais conspícuo ex-chefe da secreta a exercer as funções de Ministro da Administração Interna?

Mas uma outra dúvida existencial me assalta:
Escrevia o velho das barbas que a história se repete, a primeira vez como tragédia e a segunda como farsa.
Mas, se a primeira já era farsa, o que é que o seu remake nos reserva?

sábado, 6 de novembro de 2010

«Produção primeiro, segurança depois»


« Os dois acidentes laborais mais mediáticos dos últimos anos - o derrame do poço petrolífero da British Petroleum (BP) no golfo do México e os célebres 33 mineiros resgatados em San José, no Chile - vieram dar visibilidade, junto do grande público, a um problema que os estudos especializados tendem a ignorar: a frequente subalternização da segurança aos objectivos de produção e ao lucro, na gestão corrente de indústrias perigosas.

Em curioso contraste com o quase silêncio a nível internacional, o assunto tem sido abordado em estudos sobre Portugal e Moçambique, embora nada indique que tal se devesse a algum particularismo local ou cultural. Estas novos acidentes (cujo impacto mundial tornou inevitável a divulgação das suas causas e circunstâncias) vêm demonstrar que, a existir um particularismo, ele não se situa na prática das empresas, mas no olhar que sobre elas é lançado por quem as estuda.

Os acidentes vieram também colocar na ordem do dia interrogações inquietantes. Podemos continuar a considerar um caso pontual cada novo desastre em que a segurança tenha sido subordinada a critérios economicistas, ou estamos perante um padrão sistemático? Que podemos fazer para contrariar essa tendência empresarial, com isso protegendo a vida dos trabalhadores, o meio circundante e as demais pessoas que podem ser afectadas por cada desastre? »

...continue a ler, na página 2 do Monde Diplomatique deste mês

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Livros p'ró Natal


É verdade que ainda é um bocado cedo. Mas, como as coisas andam, não são de perder estas oportunidades - seja para prendas, seja para se levar aquele livro que se namora há uns tempos, mas era carote.

Está a decorrer até dia 19 a já habitual Feira do Livro do Instituto de Ciências Sociais, abrangendo as publicações da Imprensa de Ciências Sociais e os números da revista Análise Social.
Tudo com descontos substanciais, muitas vezes acima dos 50%.

É fartar, vilanagem!

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Porque é belo

Estava à espera de uma ocasião qualquer alusiva para vos mostrar este fabuloso conjunto de fotos do Sebastião Salgado, mas não resisto mais.

Aqui fica, por uma única razão - e a mais válida de todas.
Porque é belo.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

A Recusa de Ser Irrelevante, on-line


Para quem isso tenha passado depercebido no post anterior, aqui fica a prometida ligação para o meu artigo "A recusa de ser irrelevante", acerca dos protestos populares de 1 e 2 de Setembro em Maputo, e publicado no número de Outubro do Monde Diplomatique.

Aproveito para vos indicar dois outros textos acerca do assunto, da autoria de Luca Bussoti e de Marílio Wane.
(Obrigado ao Carlos Serra pela sua divulgação)

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Jon Stewart p'ra Moçambique, já! (e, já agora, pode dar uma paradinha por aqui...)


Parece que, da mesma forma que um popular da província de Cabo Delgado pedia há uns anos ao então presidente Joaquim Chissano para «importar um monhé, para ser cantineiro», a importação de Jon Stewart para Maputo e Nampula se tornou uma necessidade premente para os moçambicanos.
Neste caso, para organizar uns desses seus comícios de restaurar a sanidade.

Eles já dariam jeito para tentar convencer a Frelimo a lidar de forma mais responsável e racional com as causas e tentativas de solução para os protestos populares de início de Setembro.
Mas tornaram-se ainda mais necessários, agora que uma reunião da cúpula da Renamo decidiu dar 45 dias ao partido governante (ufano dos seus 3/4 de deputados no parlamento) para negociar com ela um governo de transição, que depois decidiria uma data para repetir as eleições gerais (!) …

Diz o Sr. Afonso Dhlakama que essa é a única forma razoável e pacífica de parar «injustiças a mais no país», como a governação por um «partido ilegal», em virtude do «roubo de votos nas urnas». Caso contrário, «será o fim da democracia no país», pois será «obrigado a ser, de facto, belicista como dizem que sou», recorrendo «a manifestações para exigir um governo legal».
A um outro jornal, adiantou que «Se Guebuza quer a manutenção da democracia, deve aceitar esta negociação. Caso não, iremos iniciar com as manifestações que vão paralisar todo o país, à semelhança das reivindicações de 1 e 2 de Setembro nas cidades de Maputo e Matola.»

Ora, de facto, as últimas eleições moçambicanas foram antecedidas de uma actualização do recenseamento eleitoral em que o material informático (fornecido por um empresário de transportes ligado ao poder) sistemática e misteriosamente falhava e não tinha apoio técnico a norte do rio Save - o que aumentou o número de deputados a eleger nas províncias mais favoráveis è Frelimo, em detrimento das mais desfavoráveios.

É verdade, também, que o emergente partido MDM foi impedido de concorrer na esmagadora maioria das províncias, poupando à Frelimo a perda de 2 deputados e, à Renamo, a perda de mais 7.

É verdade, ainda, que houve assembleias de voto com 112% de votantes e houve centenas de votos (sobretudo no MDM e em Deviz Simango) anulados à dedada por membros das mesas eleitorais, por vezes mesmo à frente de jornalistas.

O que não quer dizer que, mesmo sem estas preocupantes e inaceitáveis trapaças, a Frelimo não vencesse folgadamente na mesma, e a Renamo deixasse de ser a grande derrotada, perdendo votos para toda a gente.

É curioso, também, que as reivindicações concretas avançadas por Dhlakama tenham a ver com a marginalização de oficiais da Renamo nas forças armadas e policiais (num bem real processo de partidarização do Estado, que em muito as transcende), e não com os aspectos de governação que mais afectam a vida das pessoas – isto, se exceptuarmos uma vaga queixa em relação à (também bem real) assimetria de investimento entre o sul e o resto do país.

É sintomático e preocupante, por fim, que o presidente do maior partido da oposição em Moçambique considere que «manifestações para exigir um governo legal» constituam actos próprios de belicistas e «o fim da democracia no país».

Esta incompreensão do papel e espaço democráticos da manifestação e do protesto só é compreensível (mas torna-se, com isso, mais sintomática ainda) em quem considere que «paralizar o país» com manifestações é uma acção insurreccional e um golpe de estado e se propõe a fazê-lo.

Mas isso torna ainda mais ridícula (ou se quisermos, voltando a Jon Stewart, pouco adequada à sanidade) a sua ameaça de mobilizar a população «à semelhança das reivindicações de 1 e 2 de Setembro» - essas, realizadas por pessoas que, estando contra as práticas governativas, não o querem ver nem pintado.

Mas, afinal, talvez nem seja necessário importar o tal homem.
Lembro-me agora da frase de um ferrenho renamista, que muito bem se dava e dá com a paz, quando Dhlakama ameaçou «voltar ao mato», na sequência das eleições de 1999: «Só se ele voltar sózinho!»


PS: o link feito a propósito dos ‘protestos populares do início de Setembro’ vai dar ao meu artigo para o Monde Diplomatique do mês passado, que aqui disponibilizo a quem more no estrangeiro, a quem tenha sido demasiado forreta para comprar o jornal, ou a quem esteja mesmo à rasca com a crise. O Carlos Serra adiantou-se-me na sua divulgação, o que explica o “do not copy” (não liguem a isso) e o meu temor de uma enésima intriga privada ou calúnia pública por parte de um outro bloguista sedeado em Maputo. Enfim… ossos do ofício.

domingo, 31 de outubro de 2010

Comício Para Restaurar a Sanidade, Washington DC

Clicando aqui, vêem-se 100 divertidíssimos cartazes transportados por participantes.

Mas como o Orçamento 2011 fez de mim um chato armado ao sério, escolhi o mais aborrecido - embora, reconheçam, com um cheirinho anarca.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

A velhice bate à porta...

Quando a Mother Anderson, do Madam & Eve, conta histórias do "seu tempo" que eu podia ter contado, é porque estou mesmo a ficar velho...

E ela nem sequer fala de TV a preto-e-branco (ou de a ir ver a casa do vizinho)!

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Declaração de IRS no ano que vem


Sempre a simplificar a vida aos cidadãos!

domingo, 24 de outubro de 2010

Lamborghinis, Rolexes e Revoltas

Ouvi outro dia num telejornal que, neste crísico ano, a venda de Lamborghinis e Jaguares duplicou em Portugal.

O que me lembrou uma anedota dos tempos do cavaquismo primo-ministerial. Embora, segundo parece, nestes tempos de cavaquismo socrático tenha havido um up-grade para uma marca ainda mais cara.

« Um automobilista pára na berma da estrada, onde um homem ensanguentado se lamenta, ao lado do seu carro destruído.
- O meu Ferrari!... O meu Ferrari!...
- Oh, homem! Deixe lá a merda do carro! Já viu que está todo ferido? Até tem a mão esquerda decepada!
- A mão esquerda? Oh! O meu Rolex!... O meu Rolex!... »

E de tudo isto me lembrei, ao ver esta foto de Frédéric Paletou.


Como dizia o outro, faites la liaison.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Teleguiar o Estado a partir da presidência do partido?

«Ces animaux ne sont pas devenus des totems parce qu'ils sont bons à manger, mais parce qu'ils sont bons à penser.»
(citação de memória e aproximadamente exacta de Levi-Strauss)

Um artigo especulativo mas muito interessante, publicado hoje no Canalmoz, levanta uma hipótese curiosa (mas plausível) acerca da pressa demonstrada pela bancada parlamentar da Frelimo em rever a Constituição moçambicana.

Será que, agitada pelas visíveis tensões e competição entre grupos de interesses (e facções político-empresariais) no seu seio, vendo o aumento do número de mandatos do Presidente da República como uma alteração arriscada a nível interno (veja-se o caso Mbeki) e externo (reacção dos "doadores"), e tendo dificuldade em encontrar um candidato presidencial forte que não subvertesse o status quo interno, a direcção da Frelimo pretende tornar o Presidente e o Primeiro-Ministro figuras teleguidas pelo partido, que continuaria a ser liderado por Armando Guebuza?

A ideia é que o Presidente da República (todo-poderoso no actual quadro constitucional)passaria a ser eleito indirectamente, pelo parlamento, e veria as suas competências diminuídas até às de um corta-fitas. O Primeiro-Ministro (actualmente, um coordenador governativo)tornar-se-ia o efectivo chefe de governo e ganharia competências estatais para além dele, mas ficaria em bastante maior dependência do parlamento do que está, hoje, o Presidente.

Confesso que a política partidária moçambicana me interessa muitíssimo pouco, em si própria.
E que também não sou nenhum entusiasta do estudo de formatos constitucionais.

Mas lá que (como dizia o Levi-Strauss acerca dos tótemes) a hipótese levantada pelo Canalmoz é «boa para pensar» e, independentemente de ser ou não factualmente verdadeira, nos dá indicações interessantíssimas acerca da forma como a política é pensada em Moçambique "de cima para baixo", lá isso é verdade.

Mas... Será que a coisa é muito diferente por cá - ou que seria, se um partido tivesse 3/4 dos assentos parlamentares?
É que, quanto à promiscuidade (e coincidência) entre elites políticas e económicas, temos vindo a dar passos significativos em direcção à moçambicanização...

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Um padrão que urge quebrar


«Um terceiro grande vector de potenciação do perigo decorre, contudo, das próprias relações sociais e de poder existentes no espaço laboral. Verifica-se, de facto, que as chefias desenvolvem frequentes pressões para que, a fim de melhorar os resultados de produção (mantendo ou aumentando o seu volume, evitando uma paragem ou acelerando um arranque), os trabalhadores executem intervenções ou adoptem procedimentos que, embora mais expeditos, são mais perigosos.» (p. 272)

Antes da explosão e derrame no Golfo do México, a BP recebeu vários estudos que alertavam para a pouca fiabilidade dos sistemas de segurança e apelavam à suspensão da perfuração, mas ignorou-os a fim de maximizar os seus lucros.

Três horas antes da derrocada que isolou os célebres 33 mineiros chilenos, estes alertaram a direcção da mina para barulhos muito fortes e pediram para sair, mas não foram autorizados a abandonar a produção.


Quando, em 2000, escrevia a tese que conduziu ao livro sobre a refinaria de Sines que inicialmente citei, não encontrei outros livros ou artigos que abordassem a subalternização (e incumprimento) das medidas de segurança aos objectivos de maximização da produção e dos lucros, por parte de empresas cuja actividade é perigosa.

10 anos depois, a questão continua a ser minimizada ou ignorada.

No entanto, vamos encontrá-la sistematicamente no centro dos grandes acidentes mais mediáticos e é plausível que ela esteja na base de muitos outros casos que não despertam o interesse da imprensa.
Mesmo as empresas que repetem à exaustão, aos seus quadros e operários, «safety first, production second» nos demonstram, através da sua preocupação e insistência, que o perigo de que o contrário aconteça é bem real e quase uma tendência esperada em indústrias desse tipo.

Cada novo caso de que temos conhecimento nos indica que nenhum deles é um particularismo local ou cultural, um pontual desvio perverso.
Aquilo que eles nos mostram é um padrão sistemático, não de negligência, mas de consciente subordinação da segurança aos critérios economicistas.

Um padrão que só será domável ou quando a (má) experiência e a (boa) racionalidade de uma empresa leva a uma política activa de combate a essa tendência, ou quando as empresas são a isso obrigadas, através de regulamentação e controle exterior.

Um padrão, afinal, que urge quebrar.
A nível nacional e internacional.

O que passa, antes de mais, por reconhecer que o problema existe e é fulcral.
Depois, por o tornar visível e explícito, para as epresas e para a sociedade.
E, claro, por tomar medidas que o combatam.