terça-feira, 8 de março de 2011
segunda-feira, 7 de março de 2011
Que farão com esta música?
Quando eu era um mais ou menos jovem professor de Introdução à Antropologia, tinha uma aula que me dava particular gozo, acerca dos usos subversores e de statement no humor musical.
A coisa passava pela audição do Via Com Me, do Paolo Conti...
... do Nois É Jeca Mais É Joia, dos Xangai...
... e da muito nacional Tourada.
A aula virava uma discussão geral interessadíssima e interessantíssima, em roda livre e sempre diferente de cada vez.
(E, na altura, nem sequer conhecia o Rock da Linguista Antropológica, dos Zuleika e os Confirmados, para juntar ao ramalhete.)
Hoje, é sintomático que o Público só tenha conseguido dar com um dia de atraso a notícia da vitória do A Luta É Alegria no Festival que deus quase tenha.
E que tenha sentido necessidade de se ir resguardar sob a chancela de especialistas, que pouco lhes disseram e com cujas palavras não souberam muito bem o que fazer.
É isso o mais curioso (e forte) da vitória desta canção, num certame a que já ninguém ligava, antes. O facto de ninguém (a começar pelos media) saber muito bem que raio fazer com ela.
O que, confesso, me dá um tremendo gozo.
domingo, 6 de março de 2011
Pergunta sem algibeira
Guardadas as enormes distâncias, em que canção do Zeca Afonso se foram os "Homens da Luta" inspirar para o seu bailinho?
Resposta:
Diz que a história se repete...
Quando eu tinha uns 10 aninhos, Fernando Tordo e Ary dos Santos levaram à Europa-sem-ser-connosco uma violenta sátira, aparentemente kitsh e inócua, do fim de festa da ditadura.
Os tempos (e as censuras bem mais subtis que as quadradonas da altura) já não exigem metáforas para acusar aquilo que é insustentável.
O que pode limitar a forma. Mas não limita o papel do humor, do sarcasmo e da auto-ironia.
Uma parelha humorística que goza com estilos revolucionários serôdios e com os baladeiros que conheciam dois acordes, para com isso gozarem com os importantes senhores que nos governam e, às vezes, com o "povo" ( que «quer é dinheiro para comprar um carro novo»), irá, por efeito do voto popular, levar à Europa-que-já-disseram-que-estava-connosco-e-agora-de-certeza-que-não-está-pelo-menos-na-Alemanha uma outra sátira kitsh do nosso imaginário, apelando a algo que voltou a ser sexy, por efeitos da margem sul do rio Mediterrânico.
A luta, a rua, a alegria.
Certamente, porque as coisas estão insustentáveis.
Talvez, por haver esperança (entre muito mais gente do que esperariam os aspirantes a ditadores eleitos) de que a luta e a rua, em alegria, sirvam de alguma coisa.
Não é um acaso, esta eleição de uma tal musiquinha.
Dizem que a história se repete, e cois'ital...
Mas, se da primeira vez já queria ser farsa, o que nos revelará agora?
Citações de café (31)
- Ainda acabamos todos de calças à boca de sino...
- Antes de calças à boca de sino que de tanga!
terça-feira, 1 de março de 2011
Uma conversa televisiva sobre albinos na África austral e as crenças de que são alvo
RTP - 4 x CIÊNCIA
... que, para os mais interessados, pode ser complementada por este artigo.
domingo, 27 de fevereiro de 2011
"Coelho e EUA, o mesmo combate" a.k.a. "O próximo anti-americanismo do CDS-PP"
Visto o texto, não há nada de muito revelador sobre as eventuais questões de corrupção, nem acerca das altitudes a que elas chegaram.
A coisa até que parece varrida para o lado, por esta frase que quase reduz um mundo de transacções mortíferas ainda mais lucrativo que o das drogas ilegais a uma questão de volição infantilizada de uns quantos meninos mimados.
Mas que diz isso, diz. Tal como o disse o patusco do Manuel Coelho, lá para o Largo do Caldas.
Nada de muito original como ideia, de facto.
Estaria até capaz de apostar (embora já faça mesmo muitos anos que estou afastado de tais lides) que há de ter corrido pelos quarteis algum panfleto sigiloso, com o boneco do então ministro Portas na banheira, de chapéu de almirante na cabeça e a brincar com um submarino.
E, se não correu, é porque os militares estão a perder o seu rude sentido de humor castrense e a sua capacidade de gozarem de forma óbvia com aquilo que é evidente. O que seria uma grave perda para a cultura nacional.
Claro que é chato isto vir dos mesmos cámones que nos obrigaram a gastar fortunas em inúteis fragatas caça-submarinos e que nos pagam o uso das Lajes com material militar maningue fino, em segunda mão. Mas, enfim... cada um tem os amigos e a coluna vertebral que pode.
Contudo, há algo que me cheira, e a que acho alguma piada.
É que, para o senhor dos submarinos, ser assim tratado, pelo amigo americano, como um infantil paisano salivando perante brinquedos caros deve ser pior do que a revelação de suspeitas do foro criminal.
E como "Le partie c'est moi", será que ainda vamos ver o CDS-PP dar uma súbita guinada, tornando-se resolutamente anti-americano?
sábado, 19 de fevereiro de 2011
sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011
Os eunucos...
... no reino do Bahrein e na Líbia.
"E quando os mais são feitos em fatias, não matam os tiranos, pedem mais."
quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011
Um Ministério mariconso
Dois serviços do Ministério da Educação bloquearam uma campanha contra a homofobia e o bullying homofóbico nas escolas.
É caso para dizer que, ao contrário dos gays e das lésbicas, o Ministério "não tem tomates".
Ou, então, é ainda pior do que isso.
É no sábado
terça-feira, 15 de fevereiro de 2011
Dicionário popular (suplemento do Borda d'Água)
Designação popular por que ficou conhecido, a partir da II Guerra Mundial, um lança-granadas-foguete de uso individual e grande simplicidade técnica.
É constituído basicamente por um tubo, um aparelho de mira e um sistema eléctrico de disparo accionado por um gatilho e que provoca a ignição do propulsor da granada.
Esta, embora de alcance limitado devido à modesta quantidade de combustível, tem um grande poder explosivo que, aliada à ponta oca em forma de cone invertido, lhe confere um grande poder perfurante e faz com que rebente com tudo à volta.
Convém, por isso, não deixar o pé na linha de tiro.
Notícias políticas::
Em bem menos que uma semana, o PSD ficou impossibilitado de apresentar moções de censura durante uns bons mesinhos. Consta que não está muito chateado. Acha que a coisa lhe saiu barata, pois não teve que se co-responsabilizar com governação nenhuma; bastou uma conversa de responsabilidade, irresponsabilidade e, assim como assim, já não interessava nada.
Fait-divers:
Um Sr. Portas que não é o que eu conheço anda radiante. Foi reeleito presidente da colectividade e diz que mandou nos chefes dos outros clubes todos. Há quem jure que tem razão.
A bolsa de valores de Lisboa deve ter encerrado em alta, pois foram vistos muitos senhores a circular pelas ruas circundantes afixando um irreprimível sorriso malandro na cara.
O Sr. José de Sousa, prometedor engenheiro reformado, conseguiu finalmente estabilizar a sua tensão arterial, ao garantirem-lhe que não será tão cedo despejado do apartamento que ocupa para os lados de S. Bento. Teve, no entanto, que tomar um comprimido quando o pároco local lhe lembrou que tem por lá umas facturinhas para pagar qualquer dia, aos altares de S. pedro e de S. Paulo.
Vida cultural:
Aguarda-se a qualquer momento uma performance de dramatização histórica, levada a cabo em local ainda não especificado, mas ali para os lados do Martim Moniz. Não se trata, contudo, do célebre episódio do entalão na porta, mas da reconstituição de uma declaração da APU em noite de descalabro eleitoral. Especulam os críticos se não se tratará, afinal, do lançamento encapuçado do episódio-pivot de uma segunda temporáda da aclamada série televisiva "Conta-me como foi".
segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011
Moda zombie
Citações de café (30)
- Pois é, pá! Mas isto são assuntos complicados. Se calhar, há muita coisa que não vais perceber.
- Sabe, professor... Se o livro é assim complicado de mais para mim, é melhor oferecê-lo a alguém que o consiga apreciar.













